Contexto. Qual é o propósito da experiência humana?
Antes de abordarmos o próximo tema, convém nos situarmos em um contexto que propõe uma nova maneira de encarar a vida, um novo paradigma; ele nos permite ser mais felizes e compreender o ser humano. Não é necessário concordar com tudo o que será exposto a seguir, nem acreditar em nada, pois não estamos falando de crenças; basta verificar, na própria vida, os resultados de aplicar estas informações, para comprovar se são válidos para você.
Se esses resultados internos forem de felicidade, paz e harmonia, então saberemos que esta informação é verdadeira; se as vivências externas no que diz respeito a relacionamentos, saúde, recursos e adaptação ao meio melhorarem, então verificaremos que esta informação é sabedoria.
O propósito da experiência humana é evoluir, desenvolver nossa consciência para nos preencher de sabedoria e amor. Todos os seres humanos, sem exceção, viemos ao mundo para trabalhar em nosso desenvolvimento espiritual, compartilhando e participando de experiências com outros seres humanos. A vida é um formidável processo pedagógico do Universo; o planeta Terra é uma “escola espiritual” e cada experiência vivida pode ser comparada a um curso acadêmico.
O desenvolvimento espiritual é um trabalho interno, absolutamente individual e pessoal. Ninguém pode fazê-lo por outra pessoa, mas também não pode ser feito “sem o outro”; ou seja, precisamos da interação e da experiência com outras pessoas para poder elaborar nosso próprio desenvolvimento — para conhecermos a nós mesmos. Às vezes, em vez de assumirmos nosso próprio desenvolvimento, pretendemos interferir no dos outros; nesses casos, em vez de aprender com os outros, queremos mudá-los. O que se consegue com isso é distorcer o processo pedagógico, ou tentar distorcê-lo, e com isso complicamos nossa própria vida.
Somente compreendendo isso é possível ser eficiente ao se perguntar: o que a vida quer nos ensinar em cada situação?, já que toda situação é um aprendizado. Trata-se, em suma, de aprender a transmutar a ignorância em sabedoria.
Quando percebemos que o sofrimento está desaparecendo, que a paz interior se torna invulnerável e que a própria capacidade de criar, fazer, amar e servir se expressa sem qualquer condição ou restrição, isso significa que alcançamos a sabedoria.
Para estabelecer as bases de uma nova civilização que proporcione um maior nível de satisfação a todas as pessoas, é necessário começar por nos harmonizarmos a nós mesmos. Para isso, é indispensável estudar as Leis Universais e aplicar os princípios que conduzem à sabedoria. É preciso levar em conta que somente por meio da prática constante e do abandono das teorias e conceitos que se revelarem equivocados é que chegaremos realmente à sabedoria. Assim será possível desenvolver a paz e a harmonia diretamente na prática, com o ensinamento da vida diária, pois a vida é a melhor escola e a natureza, a melhor mestra.
Para alcançar a eficiência, basta deixar de se opor à ordem perfeita do Universo; a ineficiência mental é necessária para descobrir, por meio da saturação, que existem as Leis do Universo. Quando já sofremos o suficiente, estamos preparados para compreender as Leis. Para cessar o enfrentamento externo, primeiro precisa cessar o interno; e, para isso, é necessário ter aceitado que tudo o que existe e tudo o que acontece é perfeito e necessário, porque tem um propósito de amor.
O estudo e a compreensão do porquê das coisas que existem e acontecem podem nos conduzir ao reconhecimento das Leis, que, por sua vez, permitem criar um futuro melhor para a Humanidade.
Existem sete Leis do Universo que regem a totalidade de seus processos de criação, administração e evolução. Dessas sete, quatro são fundamentais, pois controlam o desenvolvimento e a evolução da consciência da espécie humana em qualquer lugar do Universo. Essas quatro Leis formam o triângulo inferior delas, enquanto a Lei da Evolução é a superior, a que rege o triângulo inferior — também chamado de triângulo do inferno, por ser a parte mais baixa das Leis Universais —.
Estaremos dentro da Lei quando amarmos, desfrutarmos e valorizarmos o que temos. Tudo o que está dentro da Lei funciona e flui por si só.
Tudo o que traz sofrimento, angústia, dor e doença ocorre porque vamos contra as Leis, e é por meio disso que passamos a reconhecê-las. Os resultados que obtemos quando saímos das Leis nos permitem reconhecer sua existência. É necessário cometer erros para poder descobrir a Lei. Os erros não são o problema; o problema é não aprender com eles.
A Lei foi concebida para que nós mesmos façamos uma mudança, e não para que tentemos mudar os outros.
Como se pode ver nos quadros a seguir, a experiência humana é regida por quatro Leis específicas.
| LEI | POSTULADOS | EFEITOS DA VIOLAÇÃO DA LEI |
|---|---|---|
| NATUREZA |
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Mal-estares físicos: desnutrição, doenças, vícios, degeneração, miséria, fome, deficiências físicas e mentais, malformações físicas, desequilíbrio ecológico, erosão, pragas, redução da longevidade… |
| LEI | POSTULADOS | EFEITOS DA VIOLAÇÃO DA LEI |
|---|---|---|
| HARMONIA |
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Mal-estares psicológicos e problemas de relacionamento: desconfiança, medo, distanciamento, isolamento, individualismo, solidão, tristeza, depressão, brigas, timidez, falta de comunicação, desunião, fronteiras, traumas, complexos… |
| LEI | POSTULADOS | EFEITOS DA VIOLAÇÃO DA LEI |
|---|---|---|
| CORRESPONDÊNCIA |
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Mal-estares no âmbito da vida individual: bloqueios, insatisfação, dificuldade para ter sucesso no que se faz, disputas desgastantes contra as circunstâncias da vida, incapacidade de assumir a própria vida, medos, angústias, frustrações constantes... |
| LEI | POSTULADOS | EFEITOS DA VIOLAÇÃO DA LEI |
|---|---|---|
| EVOLUÇÃO |
1. Somente a experiência permite compreender a verdade. 2. Somente os opostos induzem o desenvolvimento da consciência. 3. Somente se sobe de nível por meio da transformação correspondente. 4. Somos apenas o resultado de nós mesmos. 5. Só enfrentamos as situações que não compreendemos. 6. Somente a necessidade de compreensão é a razão da existência física. 7. Somente a partir do desequilíbrio é possível reconhecer o equilíbrio. |
Mal-estares sociais: rebeldia, anarquia ou autodestruição, quando se limitam as experiências a serem vividas; guerras, greves, violência, revoluções, criminalidade, ódio, conflitos, quando se impõem os conceitos humanos. |
Nos quadros anteriores vemos, à direita, os efeitos de violar a Lei. No tema sobre as Leis do Universo encontraremos também uma explicação sobre os benefícios de não violar a Lei.
É importante não confundir as Leis Universais com as leis humanas nem com as normas; as primeiras são imutáveis e irrevogáveis, originam-se na sabedoria do Absoluto ou da Divindade e, por isso, são absolutas; não podem ser modificadas nem negociadas, e sua desobediência implica um resultado negativo — no sentido de desagradável — e também um positivo — no sentido do aprendizado que isso traz. Por isso se diz que, na verdade, nós, seres humanos, não construímos leis, mas ditamos normas; nós as chamamos de leis humanas, mas são normas, porque são revogáveis, transitórias e úteis para um momento dado.
Viemos ao planeta Terra para desenvolver as três virtudes internas: Felicidade, Paz interior e Amor ou Serviço aos demais. Esse desenvolvimento traz excelentes resultados nos quatro âmbitos: Relacionamentos, Recursos, Saúde e Adaptação ao meio:
A ideia é utilizar essas virtudes para nos relacionarmos com o externo. Aprender a ser felizes, a ter paz e a amar é o verdadeiro propósito que nos trouxe, a nós, seres humanos, ao mundo físico da matéria.
| VIRTUDES | CARACTERÍSTICAS | CIÊNCIA EM QUE SE ESTUDA | REPRESENTA OU SE DESENVOLVE EM |
|---|---|---|---|
| Felicidade | 0% de sofrimento 100% de compreensão 100% de autovalorização |
Aceitação | A função |
| Paz | 0% de conflitos 0% de reatividade 0% de confrontos 100% de respeito |
Assumindo a vida com sabedoria | O destino |
| Amor | 100% de capacidade de serviço 0% de resistência, 0% de medo 100% de adaptação 100% de compromisso |
Incondicionalidade | A missão |
A felicidade, a paz e o amor são princípios da essência divina; não têm polaridade, mas são imutáveis.
Aprender a ser felizes:
- Para aprender a ser feliz, basta enfrentar tudo aquilo que você acredita que lhe tira a felicidade.
- Para ser feliz, não é preciso nada externo, apenas compreensão e uma determinada atitude mental.
- A não aceitação é a única causa do sofrimento; é preciso deixar de se opor à realidade.
- É fundamental deixar de trabalhar nos outros e fazê-lo única e exclusivamente em si mesmo, modificando dentro de si aquilo que incomoda (o ego) para que deixe de incomodar.
- Se há sofrimento, deve-se fazer uma única pergunta: o que é que eu não estou aceitando? Aí estará a resposta.
- Todas as pessoas, sem exceção, têm o necessário para ser felizes; no entanto, pouquíssimas sabem ser felizes com o que têm.
Aprender a ter paz:
- Nenhuma coisa ou pessoa proporciona paz.
- A paz interior é o resultado do próprio desenvolvimento espiritual, não um dom.
- O manejo da paz requer vários elementos: informações claras e precisas para compreender que a vida é um processo de amor e que o mal não existe, a habilidade de administrar a própria energia vital e treinamento.
- Se a paz se perder, é preciso se perguntar: “A que estou resistindo? O que quero mudar? A quem estou culpando?”.
Aprender a amar o próximo como a si mesmo:
- Para isso, basta participar ou conviver com pessoas cujos comportamentos sejam muito diferentes dos nossos, a fim de aprender a amá-las e respeitá-las exatamente como são.
- O amor não pode ser ofendido; é invulnerável, imutável, universal e neutro.
- O amor pressupõe uma compreensão total do Universo; é uma forma de ser e não precisa de um “objeto” no qual se projetar.
- O amor não é uma força, mas uma ferramenta.
- O amor não é um sentimento.
- Amar é sempre dar o melhor de si.
- Se houver desmotivação, o melhor é pensar por que estou permitindo que essa situação específica limite minha capacidade de servir, que, na verdade, não deve depender dos eventos externos. Ao desenvolver as três virtudes internas, obtêm-se excelentes resultados externos nos quatro âmbitos:
- Nos relacionamentos.
- Nos recursos.
- Na saúde.
- Na adaptação ao meio. Na experiência de vida de qualquer ser humano, estão presentes cinco elementos: o propósito, o destino, a missão, a função e a intenção.
1. O propósito
Existe um propósito de amor que nos trouxe ao mundo da matéria; esse é o objetivo perfeito de aprender duas coisas:
a) Ser feliz por si mesmo, ou seja, não depender de nada nem de ninguém para
desfrutar de paz interior e felicidade.
b) Amar o próximo como a si mesmo, isto é, respeitar os direitos de
todos os seres do Universo.
E como se aprende isso? Aqui é possível ver a perfeição do desenho pedagógico do Absoluto. Para realizar o exercício de aprender a ser feliz por si mesmo, é preciso viver em um lugar, com determinadas pessoas e em circunstâncias nas quais tudo o que aconteça ao redor seja mais ou menos agressivo. Dessa forma, perceberemos que nosso problema não se deve ao que ocorre ao redor, mas à maneira como nos relacionamos com isso, e à rejeição e à resistência que colocamos em ação.
Quanto à segunda parte, amar o próximo como a si mesmo, significa respeitá-lo tal como ele é, não pretender mudá-lo, não oferecer resistência aos outros. É necessário viver em um lugar onde as pessoas ao nosso redor pensem de maneira diferente, tenham costumes variados e acreditem em coisas distintas. Dessa forma, aprenderemos a amá-las como são, sem julgá-las nem condená-las. Assim se cumpre o propósito do amor; essa é a verdadeira razão pela qual nós, seres humanos, estamos no planeta Terra.
Há mais de 2.000 anos, o Mestre Jesus nos ensinou isso quando disse: “Ame seus inimigos”; que não são nossos inimigos, mas sim pessoas que pensam de maneira diferente.
Ser feliz significa experimentar zero sofrimento diante do que acontece; e amar significa oferecer zero resistência aos outros. A sabedoria é igual ao amor, não ao sentimento. Quem tem amor se importa muito com os outros, mas não sofre; já a pessoa que não possui sabedoria, mas tem bondade, se importa muito com os outros, mas sofre enormemente. Aquele que não se importa, o indolente, o indiferente, esse não possui sabedoria nem bondade.
2. O destino
É o que viemos aprender no mundo da matéria — aprender a manejar as sete ferramentas do amor para ter uma paz invulnerável —; é uma grande oportunidade para aprender o que nos falta.
Todos nós trazemos ao mundo um destino inevitável e extremamente valioso. A cultura nos ensina a tentar fugir do destino, em vez de nos mostrar como aproveitá-lo. A chave para aproveitar o destino é: “Você tem a capacidade de desfrutar de qualquer coisa que fizer, porque essa capacidade está em você”. No entanto, se alguém disser ao filho: “Você tem que fazer sempre o que gosta”, isso vai gerar nele um enorme bloqueio.
O destino é um desenho pedagógico cujo propósito é permitir que os seres humanos verifiquem e descubram uma informação que rege o Universo e sua ordem perfeita. Portanto, é a melhor oportunidade para transcender todas as limitações humanas. Em vez de reclamarmos das dificuldades que a vida apresenta, devemos aproveitá-las como uma grande oportunidade para transcendê-las; assim, elas desaparecerão para sempre. Se não aprendermos com as dificuldades, longe de desaparecerem, elas se complicarão, permanecerão e se tornarão permanentes.
3. A missão
Consiste naquilo que podemos ensinar no mundo da matéria. É preciso desfrutar intensamente da missão, seja ela parte da própria função ou não.
A missão permite recuperar uma grande quantidade de energia vital investida no exercício de aprender a ser feliz. Missão é aquilo que já foi compreendido, aquilo que já se sabe; portanto, pode ser empregada para servir aos outros e, ao mesmo tempo, desfrutar intensamente.
Tanto a missão quanto o destino estão representados na personalidade: este último por meio do sistema de crenças, e aquela por meio da compreensão. À medida que transmutarmos nossa ignorância em compreensão e sabedoria, teremos cada vez mais missão e, portanto, mais satisfação.
4. A função
É o que cada um faz para ganhar o seu sustento; consiste em colocar todo o entusiasmo, alegria e amor possíveis no que se faz, ainda que isso não faça parte da missão.
Sabemos que todos os seres vivos têm uma função dentro da ordem do Universo. É preciso sabedoria para assumi-la com alegria, com entusiasmo, com total capacidade de ação e serviço. A função não consiste em “ganhar a vida”; a vida não se “ganha”, porque é um dom divino. O que se ganha é o sustento dessa entidade biológica, desse corpo.
Assim, temos o sustento garantido como resultado da função. Quem é feliz e desfruta do que faz sempre terá abundância de recursos.
5. A intenção
É o que queremos para nós mesmos ou para os outros. A intenção deve ser orientada de forma a não interferir nos destinos dos outros nem tentar fugir do próprio destino.
A intenção é o elemento mais complexo para os seres humanos atuais, porque o sentimento, a ideia de bondade e as demais ideias que a cultura nos transmitiu erroneamente nos levam constantemente a tentar interferir no destino dos demais. Se aceitássemos que o destino é algo extraordinário e não “ruim”, que é a melhor oportunidade de que dispomos para que se cumpra aquilo que viemos fazer no mundo, deixaríamos de tentar mudar o destino dos outros.
Quando um filho quer se emancipar e os pais se opõem, como agiremos para não interferir? Sempre queremos que as coisas funcionem do nosso jeito. Nesse caso, os pais consideram que não é o momento adequado porque o filho não tem um trabalho estável, por exemplo, e não querem que ele saia de casa. Os “quero” são a causa do sofrimento. O “quero” também é chamado de egoísmo inconsciente, porque queremos que os outros sejam felizes fazendo o que nós queremos que façam.
O que seria sábio e amoroso nesse caso? Dizer ao filho: “Para nós, o mais importante é que você seja feliz e encontre o seu caminho; portanto, respeitamos a sua decisão. Saiba que, se quiser voltar, a porta estará sempre aberta”.
Em suma, a sabedoria implica ter clareza quanto ao propósito, aproveitar o destino, desfrutar da missão, assumir a função e manejar a intenção de não interferir no destino alheio, e exige que tudo isso seja praticado em pensamento, palavra e ação.
Capítulo 1. A família como núcleo social
O núcleo social pode ser formado pelo casal, pela família ou por qualquer grupo de pessoas com quem se compartilha a vida afetiva. Nesse núcleo social, é possível combinar uma nova forma de convivência baseada no amor, cujo propósito seja a integração de todos os seus membros, bem como o apoio e a colaboração para alcançar o equilíbrio e a satisfação pessoal por meio do desenvolvimento harmonioso da família.
É em um núcleo social harmonioso que se desenvolvem os indivíduos capazes de sustentar uma nova sociedade.
Nós, seres humanos, fomos criados para chegar a ser felizes, mas isso requer certo aprendizado; ou seja, nascemos com o potencial de ser felizes, mas, para desenvolvê-lo, precisamos adquirir algumas ferramentas, bem como conhecer as Leis que regem o Universo. Isso se faz a partir do princípio do amor.
A relação com os filhos começa no exato momento da concepção e se estende por toda a vida. No entanto, para que essa relação se desenvolva em harmonia, é necessário conduzi-la de acordo com as características do desenvolvimento natural e evolutivo correspondentes a cada etapa da relação.
1.1 Etapas do desenvolvimento do ser humano
- Da concepção ao nascimento (gestação). É aqui que propomos a procriação consciente. Nesta primeira etapa, o futuro filho precisa, fundamentalmente, que a mãe esteja em um estado de paz interior e mantenha pensamentos amorosos tanto em relação ao filho quanto a si mesma. O pai também deve colaborar, demonstrando carinho pela parceira, levando-a a lugares agradáveis, por exemplo, locais onde haja beleza na natureza e, principalmente, compreendendo que a mulher, durante as etapas de gestação e criação, dedica grande parte de sua atenção, ternura e sentimentos ao filho, o que produz mudanças momentâneas no relacionamento do casal. O homem deve apoiar com amor, sem se sentir por isso deixado de lado ou negligenciado, mas, pelo contrário, dedicando também muita ternura à sua mulher e ao filho.
- De 0 a 3 anos (criação). A criança requer atenção especial da mãe, tanto pela amamentação quanto pelo fato de precisar de muitos carinhos e contato físico com ela. Também é muito importante que o pai se envolva na criação, colaborando com a mãe e cuidando um do outro para ir construindo a relação familiar. Nessa etapa, a criança codifica os primeiros aspectos da socialização: a linguagem, o conhecimento de algumas leis simples da natureza — como a lei da gravidade ou a natureza do fogo — e aprende a se relacionar com um mundo até então desconhecido para ela. Antes de codificar a linguagem, a criança tem apenas uma forma de se comunicar com os pais: o choro. Por isso, é necessário deixá-la chorar e aprender a interpretar o que ela deseja a cada choro; pode ser um choro de fome, de sono, de dor, de falta de afeto ou de tédio.
- De 3 a 7 anos (primeira infância). Nessa etapa, a influência do exemplo amoroso do casal é indispensável para que a criança desenvolva as bases de uma personalidade equilibrada, que lhe permita encontrar segurança e, mais tarde, sua própria valorização. No caso de pais separados, os filhos também podem encontrar esse equilíbrio, se souberem lhes dar esse amor, mesmo que separadamente. Nessa etapa, a criança já codificou a linguagem, de modo que o choro deixa de ser necessário como ferramenta para comunicar suas necessidades. Se não a educarmos nesse sentido, ela continuará usando o choro para pedir tudo e para manipular os pais; mas mimá-la é permitir que continue usando uma ferramenta que já não é necessária, o que é um erro pedagógico. Além disso, esta é a etapa em que começa o processo de reconhecimento da existência de uma ordem; por isso, podemos conduzi-la harmoniosamente em direção a ela e à necessidade de segui-la sem imposição, para que, ao completar sete anos, ela já tenha assumido compromissos com suas próprias convicções.
- De 7 a 12 anos (segunda infância). A criança precisa de certo grau de independência em relação aos pais dentro de casa. É importante ir, aos poucos, delegando a ela certas responsabilidades, para que possa começar a assumir seus próprios compromissos diante da vida e aprender a valorizar as recompensas que recebe dos pais.
- De 12 a 18 anos (adolescência). Nessa etapa, nosso filho precisa assumir um grau de liberdade que lhe permita desenvolver sua própria valorização e conseguir aceitar por si mesmo os resultados de suas decisões e experiências diante da vida. Nessa etapa, a função dos pais é muito mais a de orientadores que fornecem informação suficiente, eficiente e oportuna do que a de controladores que impedem que os filhos amadureçam mental e emocionalmente. Informação suficiente significa que não falte informação; eficiente quer dizer que a informação seja clara, compreensível para a mente do adolescente; oportuna significa que, se possível, daremos a informação antes que ele cometa o erro, para preveni-lo. No fim, não poderemos evitar que cometa erros, mas, com boa informação, eles serão menos graves e mais fáceis de resolver. Nessa idade, entra-se na etapa da experimentação, e devemos permitir que ele a viva, porque já tem informação suficiente. É preciso colocar em prática valores como a confiança, para que os adolescentes possam contar aos pais qualquer situação e estes se tornem realmente orientadores e pedagogos.
- De 18 a 42 anos (juventude). Na juventude, a figura dos pais deve desaparecer totalmente para dar lugar à figura da irmandade. Agora, a igualdade deve criar a base da união do núcleo social, que se apoia em conjunto para se projetar em direção a uma meta comum de fraternidade e integração. O objetivo é respeitar os destinos e as funções que cada pessoa traz consigo, para conseguir desenvolver relações que facilitem a convivência pacífica e avançar rumo a um novo mundo de amor, paz e harmonia entre os seres humanos. Já estamos falando de uma pessoa adulta; alguém que precisa assumir a própria vida por si mesma. A partir desse momento, a relação com os pais deve se sustentar na amizade, e não na autoridade ou no autoritarismo, entendendo a amizade como uma relação de confiança e comunicação amorosa. Já não se impõe, mas se compartilha.
- A partir dos 42 anos (maturidade). Na maturidade, os pais colhem os frutos do amor que semearam em seus filhos. Encontram neles segurança, apoio, carinho, companhia e a possibilidade de contribuir com sua sabedoria e habilidades, na medida de suas capacidades, para apoiar o desenvolvimento do bem-estar geral do núcleo social, de modo que possam se sentir úteis até o fim de seus dias. Esta é a etapa mais produtiva — ao contrário do que nos é transmitido culturalmente —, pois a pessoa já possui muito conhecimento e experiência, cometeu muitos erros e aprendeu com eles. Falamos de maturidade e não de velhice, pois esta última é apenas psicológica.
1.2 Ferramentas pedagógicas saudáveis e eficientes
As principais ferramentas pedagógicas que nós, seres humanos, temos à nossa disposição são:
- Dar exemplo de amor constante. O exemplo de amor que a criança observa ao seu redor vai formando sua personalidade e, por fim, ela acaba imitando-o. É muito difícil exigir de nossos educandos algo diferente do que lhes mostramos com nosso exemplo; além disso, ao agirmos assim, perdemos a autoridade, da mesma forma que, em caso de conflito, nos colocamos no mesmo nível do agressor. É preciso ensinar ao agressor que existe uma ferramenta melhor do que a agressão para resolver as dificuldades.
- Dialogar e refletir de forma permanente. O diálogo deve estar sempre à disposição dos filhos como uma opção de reflexão, em vez do castigo, que sempre deixa sequelas traumáticas.
| Perguntas coletivas | Perguntas individuais |
|---|---|
| Como vocês se sentiram? | O que você pensaria se…? |
| O que aprendemos? | O que você acharia se…? |
| De que outra forma isso poderia ser feito? | Como você se sentiria se…? |
| Vocês gostariam de tentar? | Você gostaria que…? |
| Como você acha que os outros se sentem quando você…? | |
| O que você gostaria de obter por…? | |
| Qual seria a melhor forma de obter esse resultado…? | |
| O que é melhor fazer quando…? |
| Informações | Reflexões |
|---|---|
| Na minha experiência… | Observe que, quando… acontece que… |
| Eu verifiquei que… | Repare que tudo funcionou melhor quando… |
| O que eu sei sobre isso é… | Perceba a importância das ferramentas… |
| Eu sempre achei que… | Veja como o jogo nos permitiu descobrir a importância de… |
- Fornecer informação precisa e oportuna para que a criança saiba como agir diante das diferentes situações da vida. Isso traz resultados muito melhores do que as proibições para que os filhos desenvolvam segurança. Devemos dar informação suficiente, eficiente e oportuna.
- Não impor comportamentos ou atitudes evita que a criança desenvolva rebeldia e facilita que ela decida assumir o resultado de suas decisões e ações. Ensinar os filhos em liberdade (para que aprendam de acordo com suas próprias experiências).
- Não proibir. A proibição é a melhor maneira de impedir que a criança assuma a própria vida e de fazer com que ela busque um jeito de realizar o que foi proibido, o que a levará a desenvolver o hábito de mentir.
- Não reagir (firmeza). A não reação dos pais diante das atitudes ou comportamentos da criança evita que ela adquira ferramentas para manipulá-los. A não reação precisa ser apoiada por uma firmeza total, e a única opção que nunca deve estar disponível para a criança é a de não fazer nada. Isso a levará a tomar suas próprias decisões para enfrentar a vida e assumir os resultados delas.
ü Criar opções diante das ações que não estão disponíveis
para a criança. Isso dá melhores resultados do que proibir e, além disso, estimula o desenvolvimento da criatividade dela e dos pais. Nunca se deve dizer “não”, mas sim buscar opções que satisfaçam a necessidade dela de agir.
- Substituir o “não” pelo “sim”. Nossa proposta consiste em criar um espaço, dentro ou fora de casa, chamado laboratório do sim, para que a criança descubra que existem leis. Há três fases nessa sequência pedagógica:
- Primeira fase: dizer à criança que ela pode: quebrar, bagunçar, gritar, riscar…
- Segunda fase: reparar. A criança aprende a recolher os cacos de vidro ou os brinquedos que deixou espalhados pelo chão, e faz isso de forma divertida, brincando.
- Terceira fase: manter. Para ela, já não é mais necessário o esforço de reparar; agora o que lhe interessa é manter. Já é possível ensiná-la a evitar que algo se quebre, se suje, fique bagunçado ou se estrague.
1.3 Um exemplo pedagógico
Suponhamos que estejamos à mesa com nosso filho ou nossa filha na hora do café da manhã e cheguemos a um acordo para que ele ou ela não brinque na mesa, pois há um lugar para cada coisa: um para dormir, outro para brincar e outro ainda para comer. A criança descumpre o acordo e o resultado é que derrama o chocolate sobre a mesa, e a xícara cai no chão e quebra. Em uma situação como essa, em vez de castigo, usaremos perguntas pedagógicas:
- Como você fez para derramar o chocolate? Assim, não o repreendemos com um: “Por que você derramou?” ou “Como você é desastrado!”, porque isso não é pedagógico. A criança pode nos explicar, por exemplo, que começou a brincar com o irmãozinho e não olhou onde colocou a mão. Não há culpados; simplesmente, ambos cometeram um erro e descumpriram um acordo.
- O que você aprendeu com esse episódio? Ao que ele poderia responder: “Aprendi que, quando brinco na mesa, descumpro os acordos que fiz com meus pais; derramei o chocolate, fiquei sem café da manhã, o chão está manchado e a xícara está quebrada”.
- O que você faria para que isso não se repita? “Da próxima vez, não vou brincar na mesa, porque não é o lugar apropriado; vou respeitar os acordos com meus pais e irei brincar depois do café da manhã”. Essas são as três perguntas pedagógicas, mas ainda não fizemos nada; falta o resto. Se pararmos por aqui, não teremos ensinado o que é necessário. O que vem a seguir é: “Vou te ensinar a lavar a toalha de mesa e como se faz o chocolate, e vamos comprar outra xícara. Eu anoto quanto custou a xícara, você me diz em quantas parcelas quer me pagar, e vamos descontando da sua mesada até você terminar de pagar”. (Pagar pelo que quebram é algo pedagógico para que aprendam a administrar o dinheiro; isso pode ser feito desde o início da adolescência.) Se não fizermos assim, a criança não aprende nada, apenas que foi repreendida ou que conversaram com ela por ter descumprido o acordo, mas não houve resultados; em compensação, fazendo dessa maneira, não há castigo nem agressão, mas sim um resultado assumido.
1.4 Acordos básicos
Vamos chegar a alguns acordos básicos com nossos filhos sobre vários aspectos fundamentais:
- Tempo. Fazer um cronograma para ver quanto tempo a criança dedica a cada coisa: brincadeiras, estudo e tarefas em casa ou fora, como ir comprar pão.
- Respeito. Pelos pais, irmãos, professores, pela natureza, por tudo.
- Administração ou organização de todos os aspectos de sua vida: higiene pessoal, roupas, quarto, tarefas… Esses acordos são construídos por meio do diálogo e da reflexão, e cada compromisso cumprido e respeitado gera um benefício que podemos chamar de direito adquirido. Por outro lado, o descumprimento de qualquer compromisso não gera o benefício: se não há compromisso, não há resultado.
A partir da adolescência, os filhos costumam protestar diante das exigências; por isso, é interessante “pactuar” com eles as responsabilidades que devem assumir e, quando não as cumprirem, é preciso lembrá-los do pacto.
Usamos a ferramenta da firmeza no resultado quando a criança, por exemplo, não se levanta na hora combinada, ou não respeita o pai, e em qualquer outro caso em que descumpra os compromissos. “A decisão de descumprir o compromisso é sua, mas o resultado que você obtém é seu, não dos outros”. Se ela não se levantou na hora combinada para ir à escola, é preciso explicar: “Amanhã você terá que assumir o que vai dizer ao professor; eu não te castiguei, foi você mesmo quem decidiu deixar de ganhar o benefício, e este é o resultado”. Dessa forma, evitamos que a criança desenvolva rancor, sentimento de culpa ou baixa autoestima. Não se trata de castigar, mas de usar a pedagogia do resultado.
Nunca negociaremos o resultado, pois isso seria como negociar com a Lei, e a Lei não se negocia, mas sempre se cumpre; o que se negocia, sim, é o acordo. Na negociação, precisamos ser flexíveis, mas, quanto ao resultado, precisamos ser firmes. Não se deve negociar nada que seja básico.
Por exemplo, jamais diremos a uma criança que ela ganhou algo para depois não lhe dar, porque isso é totalmente antipedagógico; ao fazer isso, fazemos com que ela perca toda a confiança e motivação; da mesma forma, nunca devemos dar a ela nada que não tenha sido ganho. O importante é que ela obtenha o que é justo.
1.5 A família como empresa social
O casal que forma um núcleo social ou familiar não apenas cria uma relação afetiva, mas também um processo social com objetivos comuns e o propósito de crescimento e aprimoramento mútuos, o que confere à família as características de uma empresa que, como tal, precisa aprender a lidar com certos princípios e estratégias para alcançar o sucesso.
Alguns dos princípios do sucesso empresarial aplicáveis à família são:
- Compromisso com a missão da organização (família). Gerar compromisso exige que ninguém se sinta obrigado a nada dentro de seu núcleo social; pelo contrário, cada indivíduo deve se sentir importante e levado em consideração nas decisões da organização. Dessa forma, cria-se o sentimento de pertencimento e surge o compromisso com o propósito comum de desenvolvimento social e econômico. Trata-se de que cada integrante da família siga na mesma direção, que todos se apoiem e colaborem.
- Excelente atendimento ao cliente interno e externo. A concorrência no mercado é muito acirrada e, por isso, as empresas, para não perderem seus clientes, se empenham em oferecer um atendimento excelente. Esse atendimento se sustenta no serviço cordial e oportuno prestado pelo funcionário — também chamado de cliente interno —, que, por sua vez, também precisa se sentir satisfeito para poder sustentar o serviço. Esse princípio traz excelentes resultados para manter a família unida. Nesse caso, o cliente interno são o parceiro ou a parceira e os filhos. Um cliente satisfeito nunca muda de empresa. Além disso, para que o resultado externo seja satisfatório, é preciso trabalhar o interno. Os clientes externos da família são os trabalhos dos quais os pais vivem, mas eles não conseguirão trabalhar com eficiência se sua família for disfuncional e cheia de conflitos, pois, nesse caso, terão pouco equilíbrio mental para serem produtivos em seus trabalhos externos.
- Ótima qualidade nos serviços. A qualidade dos produtos ou serviços é outra ferramenta poderosa para alcançar o sucesso de uma empresa, e o mesmo acontece na família: se cada tarefa for realizada com amor e excelência, o resultado será a satisfação de todo o grupo social e o sucesso familiar. Trata-se de que todos os integrantes da família desempenhem sua tarefa da melhor maneira possível, seja preparar o café da manhã ou arrumar a cama. E para que a família funcione com excelência, são necessários acordos e compromissos, assim como em uma empresa.
- Destacar as qualidades e os valores das pessoas da equipe. É uma prática que estimula as pessoas a trabalharem melhor, pois, ao se sentirem valorizadas, conseguem desenvolver muito mais seu potencial interno.
- Liderança harmoniosa. Algumas empresas fracassam por falta de liderança harmoniosa, pois confundem aconselhar com dirigir, mandar e impor, e acabam caindo na tirania. O verdadeiro líder é aquele que sabe aconselhar e comprometer harmoniosamente as pessoas com um objetivo de benefício mútuo; pela mesma razão, uma família precisa que os pais sejam verdadeiros líderes sociais e conselheiros amorosos. Uma coisa é o chefe e outra bem diferente é o líder; o chefe manda, impõe, é autoritário, enquanto o líder ensina, se compromete, sugere e afirma. Nas empresas bem-sucedidas há líderes e chefes; os dois são necessários. O líder se encarrega do compromisso, do processo de ensino e do bem-estar das pessoas, e o chefe, de que as normas sejam cumpridas. Nas famílias são necessários líderes, e esse papel cabe aos pais.
- Aprender com os erros. É reconhecer que ninguém jamais aprendeu nada sem antes se arriscar a tentar e a errar. Desse princípio nascem a criatividade e a possibilidade de encontrar novas opções para a educação harmoniosa dos filhos, bem como para melhorar a organização da família. Punir o erro em vez de aprender com ele significa limitar a capacidade de experimentar e de assumir a vida. Em todo processo humano podemos nos equivocar, passar por crises ou dificuldades, e aprender com elas será a ferramenta para não voltarmos a cometer os mesmos erros.
- Pensar grande. Mesmo que nossa empresa seja pequena, devemos pensar grande e traçar estratégias de uma grande companhia. Esse foi o segredo das pequenas empresas que conseguiram crescer com sucesso. Da mesma forma, na família, se for construído um núcleo social integrado, unido e sólido, é muito provável que, no futuro, as famílias que compõem a sociedade tenham um verdadeiro espírito comunitário e uma grande capacidade de serviço, promovendo assim, na coletividade, a paz, a concórdia e a união fraterna entre todos os seres humanos.
1.6 Liderança no grupo familiar
No processo de liderança, precisamos gerar confiança, compromisso e lealdade. Como consegui-lo?
- Para gerar confiança, é necessário que haja zero agressão e zero suscetibilidade; ou seja, optar pela convivência pacífica e por não se ofender com o que os outros fazem ou dizem. Isso significa optar pela felicidade. Decidimos não sofrer, e é isso que cria um clima de confiança no qual podemos falar, dialogar e chegar a acordos.
- O compromisso é gerado quando ninguém se sente obrigado a nada. Por isso, o castigo, a proibição ou a imposição não são ferramentas apropriadas para gerar compromisso, porque diante delas as pessoas se sentem obrigadas e, portanto, não comprometidas. Para que isso não aconteça, é útil o exercício do resultado por meio do acordo: «Não é uma obrigação fazer isso, é decisão sua fazer ou não, mas o resultado de fazer ou não você mesmo resolverá sozinho»; é isso que gera compromisso. O castigo, por outro lado, gera medo.
- Depois de um acordo e de um compromisso, surge a lealdade quando existem a valorização da empresa social e o respeito mútuo. Se algo não tem valor para alguém, essa pessoa não será leal a isso; e, para que tenha valor, é preciso ter assumido resultados. Se alguém assume os resultados por outra pessoa quando ela erra, para esta os acordos e os compromissos não terão nenhum valor. Por isso, se cometermos o erro de fazer por alguém o que essa pessoa pode fazer por si mesma, ou de assumir por ela as consequências de suas ações, ela nunca desenvolverá a virtude da lealdade, devido ao nosso erro pedagógico. É importante saber que ninguém pertence a ninguém, nem os filhos aos pais, nem os membros de um casal um ao outro, e que somente o amor pode unir as pessoas. Não se trata de “encarcerar” os outros, mas de nos unirmos a eles por meio de um compromisso de amor. A imposição nunca resulta em uma união sólida; ao contrário, dá vontade de fugir. Por isso, precisamos aprender a conviver e a compartilhar com amor, não como donos de ninguém, mas como irmãos. Uma família unida e comprometida com o amor é o pilar de uma nova sociedade.
Conseguir uma maior harmonia dentro da família é dar uma pequena contribuição para um mundo melhor; para isso, convém aplicar constantemente as sete ferramentas do amor.
| Ferramentas de amor | Renunciamos | Explicação |
|---|---|---|
| Aceitar | A mudar os outros, inclusive os próprios filhos | Trabalhamos em nós mesmos, não nos outros |
| Agir | A agredir em pensamento, palavra e/ou ação | Não reagimos, mas agimos com eficácia e serenidade |
| Adaptar-se | A fugir do lugar em que nos cabe cumprir nossa função | Nós nos adaptamos ao ambiente em que nos cabe atuar; não lutamos contra ele, nós o desfrutamos e damos o melhor de nós |
| Agradecer | A sofrer com as dificuldades que a vida nos apresente | Agradecemos o que aprendemos com cada dificuldade, porque é isso que nos fortalece |
| Assumir | A culpar nada nem ninguém O culpado não existe |
Assumimos nossas experiências e decisões com seus resultados |
| Respeitar | A criticar os outros, a julgá-los ou castigá-los por qualquer razão | Aceitamos os outros como são, sem tentar mudá-los |
| Valorizar | A reclamar de qualquer pessoa ou situação | Desfrutamos de tudo o que temos e de tudo o que fazemos, e nunca reclamamos |
Capítulo 2. O que significa educar?
2.1 Educar não é transmitir conhecimentos
A razão pela qual nossa civilização atual manifesta tantas patologias sociais deve ser buscada nos núcleos familiares, independentemente do nível socioeconômico e cultural. Com demasiada frequência, nas famílias se convive com altos níveis de agressão, desarmonia, autoritarismo e desvalorização pessoal, que causam ao indivíduo sérios traumas psicológicos e limitações mentais.
É fácil verificar que os indivíduos responsáveis pela corrupção, pela violência e pelos problemas sociais muitas vezes vêm de famílias desorganizadas e agressivas, com baixo nível de autoestima e de consciência. Outras vezes, não: pode haver corrupção política em pessoas que vêm de famílias socialmente estruturadas, embora de baixo nível de consciência. Nessas famílias, crianças, adolescentes, jovens e idosos são incapazes de ser felizes e de viver de maneira saudável e respeitosa com os direitos dos outros e com o meio ambiente.
Evidentemente, a solução para qualquer problema começa pela correção de sua causa; qualquer outra tentativa de solução será insuficiente para conter a crescente desarmonia social. Se a causa não for combatida, haverá cada vez mais indivíduos causadores de problemas psicossociais.
Portanto, o verdadeiro propósito da educação não é transmitir conhecimentos, mas contribuir para o desenvolvimento saudável das pessoas, que, por sua vez, possam formar uma sociedade saudável. Os conhecimentos são importantes, mas na verdade ocupam um segundo plano no processo educativo; um indivíduo com muitos conhecimentos, mas sem uma verdadeira formação humana nos princípios do amor, fará mau uso deles e não desenvolverá a capacidade de respeitar os outros.
Para começar a construir uma nova sociedade, com um alto nível de satisfação humana, são necessárias duas ações:
- Preparar os adultos para que possam assumir um verdadeiro processo de orientação harmônica com as crianças.
- Desenvolver processos de educação totalmente sustentados nos princípios do amor. Se, durante a infância, forem oferecidas as ferramentas adequadas para descobrir a vida, valorizá-la e amá-la, os adolescentes e jovens da sociedade do futuro terão a capacidade de aproveitar e respeitar a vida, bem como de construir excelentes relacionamentos, tanto com seus pais quanto com as demais pessoas, aproveitando as circunstâncias que lhes forem apresentadas em sua experiência de vida.
2.2 Etapas do desenvolvimento da personalidade
Por meio da educação, a mente da criança vai se enchendo de informações, e sua personalidade (sistema de crenças) vai se formando na interação diária com seus pais e professores. É imprescindível aproveitar os cinco primeiros anos de vida da criança para aplicar uma pedagogia excelente, de modo a ajudá-la a desenvolver uma personalidade flexível, adaptável e criativa. O objetivo é que as crianças desenvolvam amor pela vida, e não medo ou rejeição de viver, e também que aprendam a respeitar a si mesmas e aos demais.
Na infância ainda se conserva a disposição natural de aprender com a própria vida, mas ela vai se perdendo com a idade, e os adultos deveriam lembrar que a vida é nossa mestra e nós somos suas ferramentas. Os pais deveriam orientar seus filhos sem se tornarem um estorvo para eles; ser seus protetores, mas não seus guardiões ou carcereiros. Não há por que castigar a criança, nem descarregar sobre ela o peso da nossa ignorância; basta ser como a terra, que sustenta a vida para que ela cresça, e permitir que cada criança tome dela exatamente o que precisa para manifestar seus valores. Nossos meninos e meninas contam conosco.
Podemos considerar três fases metafóricas no desenvolvimento da personalidade:
- Gravação. A criança é inocente e vai gravando as informações que lhe são apresentadas até, aproximadamente, os doze anos. É como colocar o gravador na posição record.
- Verificação da gravação. Consiste em ouvir o que foi gravado e dura até os 18 anos, aproximadamente. É como colocar o gravador na posição play.
- Reprogramação da gravação. Se a gravação não nos parecer satisfatória, podemos apagar algumas partes e substituí-las por novas informações. Isso se chama reprogramação ou decodificação; fazemos isso na vida adulta como um trabalho voluntário, e ele pode durar a vida inteira. Durante a infância, temos a capacidade de ver o mundo como ele é, enquanto, já na vida adulta, o observamos a partir da contaminação de nossas crenças. Por isso, depois dos 18 anos é necessário empreender uma decodificação de conceitos inúteis ou errôneos por meio da incorporação de novas informações, experiências e resultados. Codificar não requer nenhum desenvolvimento, mas decodificar, sim. Por isso o exercício de limpeza começa depois dos 18 anos, na melhor das hipóteses, e frequentemente a partir dos 30, momento em que começamos a pensar que nossa vida não está funcionando e buscamos outras informações. Educar não consiste em forçar a criança a ser adulta; ao contrário, o adulto deveria tentar voltar a olhar com os olhos de uma criança para exercer melhor sua tarefa de educador. Voltar a sonhar, a fantasiar e a desenvolver toda a capacidade criativa que ainda habita em nós, mas que adormeceu pelo caminho. Vamos despertá-la novamente com o propósito de compreender melhor nossas crianças, sem perder a criança que carregamos dentro de nós. Durante o processo pedagógico, muitas vezes surgem conflitos porque insistimos em oferecer ao educando informações que não se encaixam na realidade que ele vive. Por exemplo, ensinamos a ele a diferença entre o bem e o mal, em vez de explicar que ambos os conceitos fazem parte da mesma realidade, e que é preciso ser flexível e compreender que, diante do mesmo fato, podem ser elaboradas explicações diferentes, baseadas na experiência de cada um. Cada um de nós usa as informações que tem na mente para interpretar o que vê do lado de fora, mas essa interpretação é, muitas vezes, o principal problema da comunicação humana. Diante da mesma realidade, cada um faz uma interpretação subjetiva diferente. Por exemplo, diante da conduta de alguém, pode-se dizer: “Isso que você está fazendo é ruim”; ou “Não sei se isso é bom”; ou ainda “Gostei muito do que você fez”; ou, pelo contrário, “Isso não me agradou nem um pouco”. Se nos relacionamos com o mundo a partir dessa perspectiva, ele se mostra bastante caótico. Na educação acontece o mesmo quando ensinamos uma verdade que não é verdade, mas sim a nossa interpretação subjetiva. É importante transmitir informações verdadeiras, não baseadas em crenças falsas, e fazê-lo, além disso, por meio da brincadeira. Tudo o que existe no Universo é perfeito e necessário: não há coisas boas ou ruins. Se dermos a uma criança com menos de cinco anos a opção de escolher entre sete figuras geométricas, ela escolherá uma sem mais nem menos, enquanto o adulto escolhe fazendo um raciocínio e com um motivo que pode ser a cor, a forma ou o número de faces da figura. A criança vê a vida de forma simples, flui, identifica-se com algo e não fica dando mil voltas nas coisas. Nós, adultos, porém, geralmente fazemos uma análise prévia. No exemplo anterior de escolher entre sete figuras geométricas, quando não temos nenhuma razão aparente para ficar com uma delas, é porque quem está escolhendo é a nossa criança interior; as razões são sempre dos adultos. Nenhuma das duas opções é boa nem ruim; simplesmente estamos verificando a mesma realidade a partir de lugares diferentes. Os cinco primeiros anos de vida nos marcam para sempre e condicionam o fato de desenvolvermos, quando adultos, limitações mentais e medos.
É claro que sempre podemos decidir fazer exercícios de limpeza de traumas e de reestruturação mental — o que chamamos de reprogramação mental — por meio, por exemplo, de terapia psicológica; mas nada disso é necessário se tivermos cinco primeiros anos de criação excelentes.
Aproveitemos os cinco primeiros anos de vida dos nossos filhos.
A ideia é dar à criança informações que a ajudem a desenvolver uma concepção da vida muito mais harmoniosa e flexível. No fundo, a educação não é para as crianças, mas, em primeiro lugar, para os adultos, que são os responsáveis por transmitir à criança algo valioso em vez de suas próprias limitações.
Tanto a criança quanto o adulto aprendem por meio da experiência; por isso, é necessário viver experiências concretas para obter as duas ferramentas que permitem desfrutar de uma vida extraordinária: sabedoria e treinamento.
2.3 Comunicação para a educação
É útil que os pais usem com seus filhos um diálogo não conclusivo e totalmente desconceitualizado, que consiste em não oferecer a eles as conclusões ou os conceitos adultos sobre a vida e suas situações.
Não se deve qualificar nenhuma coisa ou situação como feia ou bonita, ruim ou boa, prejudicial ou saudável, perigosa ou inócua, etc. Diante das perguntas ou ações da criança, em vez de dar respostas conclusivas, é melhor utilizar um diálogo reflexivo, como exemplificado no quadro da página seguinte.
| Comunicação agressiva | Comunicação adequada |
|---|---|
| Cuidado, que você vai quebrar!! | O que você acha que vai acontecer se esse objeto cair ou levar uma pancada? |
| Cuidado, que você vai cair!! | Como você faria para não cair? Você já praticou outras vezes e não caiu? |
| Arrume seu quarto, que está horrível!! | Como você gostaria que fosse o seu quarto? O que você poderia fazer para conseguir isso? |
| Não faça isso!! | Conte-me por que você está fazendo isso. Como você se sente com esse resultado? O que você teria que fazer para obter outro resultado? Que resultado você espera alcançar? Como você acha que poderia consegui-lo? Experimente e veja o que acontece! |
Em vez de utilizar uma comunicação agressiva, utilizemos uma comunicação amorosa, mais adequada para que a criança aprenda a refletir e a tirar suas próprias conclusões.
Em um diálogo adequado, não precisaríamos usar qualificativos, porque eles nada mais são do que a expressão de nossas próprias limitações: horrível, feio, bonito, bagunçado… Por exemplo, dizer à nossa filha: “Que música horrível é essa que você está colocando?” não parece uma forma adequada de se expressar, porque pode ser horrível para nós, mas não para ela. Em vez disso, podemos dizer: “Gostaria de saber o motivo pelo qual você colocou a música no volume em que está agora”. Dessa forma, ajudamos a mente a refletir de outra maneira, sem qualificar a música e sem usar a expressão “por que”, que soa muito cortante e impede que a mente elabore respostas. Ao pedir apenas que ela nos conte o motivo, estamos utilizando a técnica do diálogo não conclusivo.
Em vez de dizer: “Cuidado, você vai quebrar!”, perguntaremos: “O que você acha que aconteceria se isso caísse ou batesse em alguma coisa?”. Com essa pergunta, verificamos se a criança sabe ou não o que pode acontecer, pois ela está começando a descobrir a vida e pode não saber o que é quebrar coisas se ainda não quebrou nada; assim, a expressão “Cuidado, você vai quebrar isso!” pode não ter significado para ela. Por isso, como uma forma de investimento pedagógico, é preciso ir a um lugar apropriado para quebrar coisas juntos, para que a criança descubra o que isso é e possa entender. Por exemplo, podemos brincar com a criança de quebrar algo que não serve mais. Perguntamos se ela sabe o que aconteceria se deixássemos aquela coisa cair no chão e, se ela não souber, perguntamos se quer saber; entregamos o objeto e pedimos que o solte e veja como ele se quebra. Então, podemos explicar que aquilo se quebra porque não resiste ao efeito da gravidade contra o chão. Dessa forma, não dizemos que é bom ou ruim, apenas que, se cair ou bater, vai quebrar.
Se a criança tem na mão um objeto frágil e já passou pela experiência de saber o que é quebrar, faremos a ela as seguintes perguntas: «¿Como você gosta do objeto que tem na mão? Como prefere, quebrado ou como está agora?». Como a criança responderá que prefere como está agora, perguntaremos: «E o que você faria para que não quebre?». Assim a ajudamos a elaborar respostas em vez de dar uma informação que ela aceitará de forma automática, sem elaborar nada. A técnica consiste em fazer a mente elaborar a resposta, e serve tanto para crianças quanto para adultos.
Não se trata de elogiar a criança quando ela quebra alguma coisa, mas sim de fazer com que aprenda a se relacionar com o ambiente ao seu redor. Quando damos um brinquedo caro para uma criança, supomos equivocadamente que ela vai brincar com ele como um adulto, mas não é assim. A primeira coisa que ela fará será colocá-lo no chão e “estripá-lo”, porque quer descobrir o que acontece quando o abre. É preciso passar por todas essas experiências com a criança; por isso, devemos permitir que ela quebre e suje os brinquedos, para que aprenda no que isso consiste e o que se obtém com isso.
A sabedoria dos educadores consiste em verificar se a criança possui as informações necessárias e, para isso, é preciso fazer perguntas.
Se dissermos à criança que o quarto dela está muito bagunçado, o que isso significa? Que não gostamos de como as coisas estão no quarto dela; pois podem estar muito bagunçadas de acordo com o nosso conceito de ordem, mas, se ela as encontra sempre que precisa, não estão desorganizadas, e sim organizadas de uma maneira diferente. Compreender isso é um exercício de flexibilidade mental.
2.4 Os direitos da criança
Para fazer terapia com uma criança rebelde, é importante ter clareza sobre o seguinte princípio do Universo: os direitos são conquistados, não existem por natureza. E isso é regulado pela Lei da Compensação.
Ao nascer, a criança tem cinco direitos básicos que os pais jamais devem negar:
- Uma alimentação adequada.
- Roupas para se cobrir.
- Um lugar para dormir.
- Uma educação.
- Sentir-se amada. Hoje em dia falta esse amor nas famílias; às vezes se dá tudo aos filhos, menos amor. Para não chegarmos ao castigo, usaremos a terapia, mas antes precisamos ter clareza sobre quais são os direitos deles. Por exemplo, o direito a uma alimentação saudável não inclui os doces ou guloseimas diversas anunciados na televisão. Um alimento é tudo o que pode nutrir o corpo para que ele se mantenha saudável, enquanto algo comestível é tudo o que alguém pode levar à boca, mesmo que não o nutra ou, até mesmo, o envenene.
De modo geral, a mensagem que transmitiremos à criança é:
Tudo o que você consegue é o resultado do que você mesmo conquista.
Para iniciar um novo relacionamento com nosso filho ou nossa filha, precisamos explicar a ele ou a ela que os direitos são conquistados e que vamos orientá-lo e ajudá-lo para que os conquiste e eles tragam satisfação à sua vida. Diremos: “Valorize o que você tem, pois, a partir de agora, tudo o que você conquistar será fruto do seu esforço e do seu trabalho pessoal”.
O importante é que ele não veja nada como castigo, mas sim como a consequência de seu comportamento. Não é que seu pai ou sua mãe o estejam castigando, mas sim que ele obteve esse resultado por si mesmo. Por isso, é preciso perguntar a ele: “Como você fez para obtê-lo?”.
Explicaremos à criança quais são os seus direitos como parte do processo pedagógico de ensiná-la a valorizar. Se, mesmo assim, ela quiser impor sua vontade acima de tudo, elaboraremos uma tabela para evitar a agressão e o castigo. Essa tabela não é necessária se não houver trauma nem rebeldia; nesse caso, bastam os acordos, as reflexões e as brincadeiras pedagógicas para que a criança aprenda a se comportar com harmonia.
Por meio da tabela, vamos chegar a acordos sobre a alimentação, os horários ou o tempo que ele dedicará a cada atividade; sobre o uso apropriado de lugares e objetos — evitando a possessividade —; sobre o respeito pelos outros e a socialização — relações com seus pais, irmãos, colegas de escola e professores —, e sobre seu comportamento fora de casa.
A primeira coluna inclui os compromissos ou acordos, e a segunda, os benefícios. Com essa tabela, faremos todas as terapias e evitaremos o uso do castigo, que só ocasiona traumas limitantes.
Na coluna de compromissos, escreveremos os acordos que estabelecemos com a criança, não pela criança, porque, nesse caso, estaríamos impondo-os a ela. Por exemplo, dizer: “Você tem que fazer o dever de casa, está de acordo?” não é nenhum acordo. Em vez disso, podemos perguntar: “A que horas você acha apropriado fazer o seu dever de casa?”. Dessa forma, começamos a construir acordos com ela: damos informações e refletimos até chegar a um compromisso da parte dela.
Para chegar a acordos, precisamos de flexibilidade e criatividade; para mantê-los, precisamos de firmeza.
Na coluna de benefícios, escreveremos tudo o que a criança nos pedir e que esteja acima dos cinco direitos básicos. Por exemplo: uma calça de determinada marca, assistir à televisão ou jogar no computador. Isso não é um presente nem um castigo. É importantíssimo que fique claro que nós não tiramos nem damos nada a ela, não a castigamos nem a premiamos, porque a vida não funciona dessa maneira; ela simplesmente obtém resultados ou não. E como ela faz para obtê-los? Cumprindo ou não seus compromissos; depende somente disso. Se não explicarmos isso a ela, ela nos culpará por seus resultados.
Também podemos explicar a ela que tem à sua disposição um lugar onde desafogar sua raiva e queimar adrenalina se ficar alterada. Podemos chamá-lo de “o quarto do desabafo”, e será um lugar onde ela poderá chorar ou gritar; quando se acalmar, poderemos voltar a usar o diálogo, os acordos e os compromissos. A firmeza não é agressiva, mas, se vier antes dos acordos, não é firmeza, e sim imposição.
O que nos sobra em agressão nos falta em firmeza.
Ao lado de cada um dos compromissos acordados com o menino ou a menina, colocaremos os benefícios e explicaremos que eles são o resultado do cumprimento dos seus compromissos, que essa é uma decisão dele ou dela e não nossa, que ele ou ela tem o direito de cumpri-los ou não, mas que não pode evitar o resultado decorrente de não cumpri-los, porque esse resultado é obtido por ele mesmo; ninguém lhe tira nem lhe dá nada.
Os benefícios dependem da economia da família; portanto, não serão oferecidas coisas que depois não possam ser compradas ou cumpridas. É importante que a pessoa aceite e compreenda que cada um precisa aprender a ser feliz com o que tem, e não infeliz por causa do que não tem.
No momento em que a criança não cumprir algum dos compromissos, iremos riscando os benefícios. Se ela eliminar todos, já sabe o que lhe resta: unicamente o indispensável; e se sentirá muito mal, porque quer muitas outras coisas. Evitar totalmente a necessidade do castigo faz aumentar a valorização do que se tem e facilita o aprendizado de assumir compromissos, respeitar e ganhar o próprio sustento. O problema das pessoas que, já adultas, pensam que têm direitos que na verdade não possuem é que elas se corrompem; ninguém jamais lhes ensinou que os direitos se conquistam, não se roubam.
É preciso explicar a ela como se ganha o sustento: primeiro, chorando e dormindo (quando bebê); depois, brincando e estudando; mais tarde, estudando e colaborando com os pais em casa; em seguida, pode ser que o ganhe trabalhando ou estudando; e o adulto o ganha com a função que realiza em sua vida.
Nunca devemos incluir o amor ou o carinho na tabela de benefícios. Jamais se deve dizer a uma criança: “Se você não cumprir isso, eu não te amo mais”, ou “Se você não fizer isso, eu não vou mais gostar de você”. Nunca devemos dizer a ela que a porta se fecha e não voltará a se abrir, porque o nosso amor precisa estar sempre ali para ela. Na verdade, o amor não pode ser perdido por causa de nenhum erro, pois é universal.
2.5 Recomendações pedagógicas
- Para aproveitar o potencial da mente infantil, deixemos de falar com a criança como se fala com uma criança, pois dessa forma desperdiçaríamos o seu potencial; falaremos com ela como com um adulto. A maior parte da programação cerebral e mental ocorre por meio da audição; por isso, é importante crescer em um ambiente rico em sons harmônicos e em linguagem.
- Quando a criança não estiver absorta em alguma coisa, podemos conversar com ela sobre o que está fazendo ou ler livros que não tenham nenhum conteúdo emocional negativo. As emoções que surgem no adulto que lê são captadas imediatamente pela criança por meio do seu instinto.
- Ensinar-lhe idiomas. A mente do adulto funciona 40 vezes mais devagar do que a da criança; por isso, podemos aprender com facilidade vários idiomas, sem muito esforço, nos primeiros anos de vida. O propósito dos primeiros cinco anos é se divertir, embora o resultado possa ser um desenvolvimento mental muito elevado.
- Atender às suas necessidades sem repreender por nada nem demonstrar qualquer tipo de expressão negativa que a criança possa codificar como perigo. É preciso nos relacionarmos de forma totalmente amorosa com nosso filho ou nossa filha e nos armarmos de paciência diante do choro, porque, no início, essa é a única forma que ela tem de se comunicar.
- Ajudá-lo a adquirir sabedoria, não apenas conhecimentos, pois às vezes estes se tornam restrições mentais que nos impedem de aproveitar a vida. Sábia é a pessoa capaz de ser feliz com o que tem e de aproveitar o que a vida lhe oferece. Possuímos conceitos, conhecimentos, costumes, tradições, nos resignamos diante do que não podemos mudar e acabamos rejeitando a vida. Precisamos de algo muito melhor para viver. Para alcançar isso, troquemos a ignorância pela sabedoria.
| Ignorância | Sabedoria |
|---|---|
| Conceitos e conhecimentos… | … por verdades |
| Costumes… | … por reconhecer o que corresponde a cada um |
| Tradições… | … por adaptação ao ambiente em que nos cabe viver |
| Resignação… | … por aceitação |
| Rejeição à vida… | … por amor à vida |
2.5.1 Uma cura para as birras
A criança pode fazer birra quando negamos algo que não consideramos apropriado para ela. Nesses casos, o instinto da criança e os sentimentos do adulto entram em batalha e, em geral, o menor ganha; e, quando isso acontece, ele aprende algo indesejável: que, com choro, manipulação e birras, pode conseguir qualquer coisa. A partir desse momento, isso se torna sua ferramenta de trabalho, mas só acontece porque os adultos permitem. Algumas crianças de dez anos continuam pedindo tudo por meio do choro. Por quê? Porque funciona para elas: toda vez que choram, recebem o que querem. Esse método pedagógico nunca dará resultados satisfatórios.
Para que isso não aconteça, na primeira birra da criança, ou no máximo na segunda, devemos tirar essa arma dela. Como fazer isso? Quando a criança começa a birra, o fundamental é mantermos a serenidade, porque, se a perdermos, ela já terá vencido. Se ficarmos alterados ou sentirmos pena, ela nos venceu. O que podemos fazer? Olhar para ela com carinho e, por exemplo, pegar um livro, nos sentarmos diante dela e começar a ler com toda a calma que conseguirmos. Apenas isso: manter a calma sem dizer nada. Se a criança perceber que a situação se tornou agradável sem que fosse preciso dar atenção à sua birra, comprovará que isso não voltará a funcionar.
A criança, portanto, precisa verificar que isso não nos afeta; caso contrário, a birra se tornará uma arma. Quando ela ficar sem fôlego e se acalmar, podemos fazer uma pergunta: “Você gostaria de repetir o show para mim? Achei muito bonito”. Sigamos a sequência dos Mestres, segundo a qual, depois dessa pergunta, é possível obter da criança duas reações:
- Primeiro, a repetição, porque a raiva dela aumenta. Então voltamos, nos sentamos de novo e continuamos lendo o livro.
- Depois da segunda birra, perguntaremos novamente: “Você gostaria de repetir?”, ao que ela responderá: “Nãooo”. Em seguida, faremos outra pergunta: “Você acha que essa é a melhor maneira de conseguir as coisas de que precisa?”. Quando ela verificar que não nos alteramos, vamos ajudá-la a fazer uma reflexão: “Olha, quando você quiser algo de mim, quero que saiba disto: meu coração e todo o meu amor estão sempre abertos para você, e tudo o que você precisa está disponível, mas essa não é a maneira adequada de pedir. Quando precisar de algo, vamos conversar, chegar a um acordo, e você receberá o que for necessário. Se algo não for necessário ou não puder ser conseguido, teremos que aceitar que isso faz parte da experiência de amadurecimento da mente”. Vamos dizer ao nosso filho ou à nossa filha algo muito claro, por meio de uma frase-chave:
“Com birra, você não vai conseguir nada de mim”. Assim, ele aprenderá que esse não é o caminho e, a partir desse momento, não voltará a pedir nada com birras nem choro. Se chorar, deixaremos que chore e, quando terminar, perguntaremos: “Você acha que a melhor maneira de conseguir algo é chorando, ou acha que há outra opção?”. A partir de então, ele não voltará a pedir as coisas chorando, mas falando, porque é para isso que serve a linguagem.
Pelo contrário, se a agressão funcionar, ele continuará usando-a. Só há uma forma de ele deixar de usá-la: que ela não funcione, e isso depende dos pais, que por isso precisam ser muito firmes.
2.5.2 Sugestões das crianças aos pais
- Meu choro é a forma que tenho de comunicar que tenho necessidades; não sofram por isso!
- Minhas birras servem para conseguir o que quero; não me deem o que peço assim, porque não conseguirei valorizar o que tenho.
- Minha curiosidade por tudo o que me rodeia é a minha forma de aprender; não me castiguem, porque permanecerei na ignorância.
- Deixem-me tentar praticar os ofícios dos adultos, porque, mesmo que eu não os faça bem, eles me ajudam a encontrar meu lugar no mundo dos grandes.
- Ajudem-me a viver cada etapa no meu próprio ritmo; não me obriguem a fazer o que ainda não é para mim, apenas me mostrem o caminho, que eu seguirei vocês.
- Deixem que minha admiração por vocês cresça a cada dia mais, e não murchem meus sentimentos com gritos e agressão.
- Não se ofendam com meus erros, porque só errando posso reconhecer minha inocência e aprender a ordem da vida.
- Não me deem coisas de que não preciso, mas deixem-me assumir o resultado das minhas ações e decisões.
- Preciso do amor de vocês para poder crescer, mas não deixem que o medo tome conta de mim ao me mostrarem os seus temores.
- Ensinem-me o valor da vida com o exemplo de serem felizes com o que ela lhes deu.
2.6 A adolescência harmoniosa
Como a verdade não pode ser ensinada diretamente, ela precisa ser deduzida do conhecimento e vivenciada na vida; essa é justamente uma das funções da personalidade.
A adolescência é uma fase maravilhosa na vida de todo ser humano, pois é a época em que a sexualidade entra em funcionamento e em que também desperta a personalidade, que procurará verificar o sistema de crenças adquirido até aquele momento.
Até os doze anos, a criança é como uma esponja que absorve informação, mas nesse momento muda de tecla: passa de “record” a “play” e começa a escutar a gravação. É então que começa a sua confusão, porque acontece que todas as gravações de sua mente não concordam com a realidade da vida: a informação que demos a ela não serve para se adaptar. Esse estado de confusão é a origem de todos os conflitos e só pode ser evitado por meio de uma excelente educação.
O adolescente sente a necessidade de experimentar a vida para poder conhecer a si mesmo, ou seja, descobrir que tipo de informação tem codificada em sua personalidade; e isso só é possível saber experimentando a vida por conta própria.
Na puberdade, a personalidade desperta e a pessoa começa a experimentar, pois antes ainda está se construindo com a informação que recebe. É uma etapa de confusão (devida em parte à revolução hormonal que ocorre na puberdade), porque muitas vezes tudo o que se aprendeu não se encaixa na vida; por isso dizemos que o adolescente está na etapa de conhecer a si mesmo. Na verdade, nem os adultos terminam nunca de se conhecer, mas na idade adulta já há uma maior adaptação ao mundo, enquanto o adolescente não só não se conhece, como também não se adaptou à sua realidade e não sabe se sustentar sozinho: depende dos pais.
O adolescente precisa de:
- Conhecer a si mesmo. Ou seja, conhecer o que há em sua personalidade, em seu sistema de crenças. Os resultados que obtiver lhe mostrarão a verdade ou a falsidade das crenças que ele maneja. Embora nós, como adultos, não tenhamos conseguido transcender todas as nossas limitações, podemos explicar ao adolescente a origem de seus conflitos e ajudá-lo a analisar seus resultados externos em quatro áreas: relacionamentos, saúde, abundância e adaptação ao ambiente. Mas, acima de tudo, podemos orientá-lo para que verifique, nessas áreas, quais resultados internos está obtendo. Se são de felicidade — se não sofre —, de paz — se não reage nem se altera — e de amor — se está disposto a servir e a dar o melhor de si mesmo —. Esses resultados lhe mostrarão se ele está se relacionando com os outros por meio de verdades ou não.
- Descobrir a verdade. À medida que trocar seus conceitos e crenças falsas por verdades, ele obterá melhores resultados, tanto internos quanto externos. Ao descobrir a verdade, sua compreensão aumentará, enquanto sua ignorância e seus conflitos diminuirão. É nisso que consiste o trabalho de desenvolvimento da consciência.
- Adaptar-se ao ambiente ou à vida, o que significa desenvolver a habilidade de aproveitar o ambiente sem sofrer nele, compreendendo que se trata de uma oportunidade de aprendizado. Seja qual for o ambiente em que nos caiba viver, a partir da adolescência todos temos a oportunidade de aprender a ser felizes por nós mesmos, sem que nada perturbe nossa paz interior, e também de aprender a amar o próximo como a nós mesmos; ou seja, respeitar os outros. Mais uma vez, esse é o trabalho de desenvolvimento da consciência.
- Assumir a vida, isto é, o resultado de suas decisões, sem culpar ninguém. No processo de amadurecimento mental, todos precisamos assumir nossos pensamentos, sentimentos e emoções, reconhecendo que os outros não são responsáveis por eles, mas apenas nós mesmos. Assumir a própria vida implica, além disso, começar a fazer mais, a servir melhor e a exigir menos. Às vezes, o adolescente pode estar acostumado, devido a uma educação mal orientada na infância, a pedir muito e fazer pouco; por isso, é preciso ensiná-lo a valorizar o que tem. Também nós, adultos, com algumas pequenas diferenças, continuamos na mesma situação e temos a necessidade de nos conhecer, descobrir a verdade, nos adaptar ao ambiente e assumir nossa vida. No entanto, já aprendemos a nos sustentar e acumulamos mais experiências, por isso talvez tenhamos desenvolvido um pouco mais nossa compreensão. Quando os pais, utilizando adequadamente as ferramentas do amor, permitem que os jovens experimentem a vida em todos os seus aspectos, a adolescência, em vez de ser uma fase difícil e traumática, torna-se uma oportunidade maravilhosa para fortalecer as relações entre pais e filhos. Nessa fase, é muito importante que os pais conquistem a confiança dos filhos, para garantir que possam lhes dar uma orientação adequada, sem que eles sintam a necessidade de experimentar a vida às escondidas. A melhor forma de orientação que os pais podem oferecer aos filhos adolescentes é fornecer-lhes toda a informação disponível, para fazer de cada experiência um evento mutuamente enriquecedor. Quando os jovens contam com a confiança dos pais, a informação adequada e a liberdade para experimentar a vida, não sentem necessidade de se esconder nem de “investigar” ao lado de pessoas desconhecidas ou em lugares inadequados para encontrar a informação de que precisam, muito menos de buscar ser aceitos em grupos de jovens desorientados e rebeldes. Outra ferramenta importante que os pais podem utilizar na educação dos filhos é permitir que assumam totalmente o resultado de suas decisões e de sua liberdade. Dessa forma, o adolescente não terá a quem culpar, nem contra quem se rebelar, e assim poderá encontrar a si mesmo e desfrutar de uma adolescência totalmente harmoniosa, mantendo excelentes relações com seus pais. Quando os filhos completam 18 anos, é muito importante, para estabilizar de maneira harmoniosa as relações familiares, que os pais encarem o relacionamento com eles a partir de uma atitude de amizade e irmandade, renunciando totalmente à autoridade e permitindo, assim, que os jovens amadureçam emocional e sentimentalmente e possam assumir suas vidas por conta própria, sem qualquer tipo de dependência.
Capítulo 3. Educar brincando
3.1 Fantasias e brincadeiras
A brincadeira é a melhor maneira de educar, mas, em muitos casos, não aprendemos a aproveitá-la. A ideia é que a brincadeira seja didática e, para isso, ela precisa ser recreativa e reflexiva.
Para educar a criança, dispomos de vários tipos de brincadeiras:
- De fantasia, para crianças de 0 a 4 anos.
- De verificação, para crianças de 4 ou 5 anos até os 7. Consistem na fórmula: “Já não acredito nisso, começo a verificar”. São a maneira de aprender a verdade da vida e a sabedoria.
- De descoberta, que começam por volta dos 7 anos.
- De opções, para despertar a criatividade tanto na criança quanto no adulto.
- Da vida, para crianças perto dos 12 anos. Nas brincadeiras de fantasia, as crianças veem coisas que nós não vemos, porque ainda não desenvolveram sua personalidade nem seu sistema de crenças. Na verdade, não se trata de fantasias, mas do chamado mundo invisível, embora ele seja invisível apenas aos olhos dos adultos, não aos dos menores. Nós, adultos, percebemos apenas as três dimensões físicas; já outros animais, como gatos, cães ou cavalos, percebem mais dimensões do que o ser humano; as crianças também, pois ainda não formaram uma crença sobre o mundo. Também podemos chamá-lo de mundo que esquecemos, pois quase ninguém se lembra de suas experiências de vida antes dos cinco anos. Portanto, quando uma criança nos conta experiências fantásticas, devemos acreditar nela, pois ela não costuma mentir e está nos falando de experiências válidas e reais para ela. A criança tem ao seu redor uma série de amigos invisíveis para nós, com os quais brinca; ela está continuamente aproveitando e desfrutando das fontes de informação do Universo. Nós, adultos, precisamos associar o que vivemos às nossas experiências anteriores. Se, por exemplo, gravarmos vários sons e depois os fizermos um adulto ouvir, ele pode identificar alguns se souber do que se trata, ou pode não saber o que está ouvindo e achar que é outra coisa. Por exemplo, se gravarmos o som de um cortador de grama e ele nunca tiver ouvido um, pode imaginar que está ouvindo algo conhecido, como uma furadeira elétrica; mas, se não acertar, não gostaria de ser chamado de mentiroso ou fantasioso, pois se sentiria invalidado ou incompreendido. Com a criança acontece o mesmo: se invalidarmos alguém durante a infância, quando for adulto essa pessoa terá baixa autoestima, timidez, medo de expor o que vê e dificuldades para se expressar.
3.2 Descobrir a vida com meninos e meninas
O que é mais importante: que a criança compreenda os pais e os professores, ou que estes a compreendam? É mais importante que os educadores compreendam seus educandos. O mais comum é tentar a primeira opção, ou seja, que as crianças pequenas compreendam os pais e os professores, e que se peça a elas que respeitem um ambiente que não conhecem. No entanto, deveria ser feito ao contrário: precisamos descer até o mundo da criança para que ela se familiarize conosco e, então, ir crescendo junto com ela, dando-lhe a mão, sem forçá-la. É isso que se pretende com as brincadeiras pedagógicas: brincar com ela e ajudá-la de forma harmoniosa a se adaptar a um mundo novo.
Como fazer para que os pequenos compreendam os pais e os professores e se adaptem ao mundo sem que isso provoque neles rejeição ou rebeldia? A ideia é não impor a eles nenhum comportamento, mas simplesmente permitir que descubram a importância de respeitar os outros. O próprio amor, quando tentamos impô-lo, deixa de ser amor e se transforma em algo que gera rejeição. Por meio da educação harmoniosa, não imporemos nada, mas procuraremos facilitar a compreensão.
Trata-se de aprender com nossos filhos e filhas, ou com os alunos, a descobrir a importância de respeitar e de escolher fazer uma coisa ou outra sem dizer “você tem que” ou “é a sua vez de fazer isso”. Se nos sentimos obrigados a fazer algo, não nos comprometemos com isso. Essa é uma das causas do fracasso de muitos adultos; por isso, não devemos transmitir às crianças essa sensação de obrigação.
Em vez de regras, agressões ou castigos, que não são eficazes, utilizaremos brincadeiras e outras ferramentas para obter melhores resultados e não causar traumas às crianças.
3.3 A verdade não pode ser ensinada
O que se ensina não é a verdade, mas conceitos e crenças. Mesmo a própria verdade que uma pessoa já descobriu e verificou, ao ser transmitida a outra, é recebida por ela como um conceito, não como uma verdade. Isso acontece porque, enquanto não verificarmos a informação que chega à nossa mente, ela não pode ser considerada uma verdade, mas simplesmente uma crença. Por isso, é necessário permitir a experiência e orientá-la com sabedoria e amor, para que os pequenos descubram a verdade por si mesmos.
A verdade é algo verificado em um resultado. Quando todas as pessoas seguem esse processo de verificação e chegam ao mesmo resultado, alcança-se a unanimidade; mas, quando apenas algumas pessoas a verificaram, quem não o fez não consegue compreender, porque ainda não descobriu a verdade por si mesmo. Por isso, somente quando tivermos verificado é que poderemos realmente chegar a um acordo. Por exemplo, se entregarmos a um grupo de pessoas uma caixa de papelão fechada que contém alguns objetos, elas só poderão verificar quais são quando abrirem a caixa; até lá, será impossível chegar a um acordo. Podemos dizer a elas o que há dentro, e elas podem acreditar ou não, mas, até que abram a caixa, não saberão se é verdade.
A verdade, portanto, é o resultado da experiência direta na vida, obtida ao colocarmos nossos conhecimentos à prova. Por isso, precisamos proporcionar às crianças experiências que as levem a compreender, e não tentar convencê-las de uma verdade que elas não verificaram; caso contrário, só conseguiremos provocar sua rejeição.
As experiências são inevitáveis e necessárias, mas é importante que se adaptem à capacidade das crianças de experimentar. Por isso são chamadas de jogos pedagógicos, porque são planejados para se adaptarem à idade das crianças.
3.4 O jogo das opções
Quem daria ao próprio filho, a quem ama, um veneno só porque ele gosta? Somente alguém a quem falte sabedoria. Se ensinarmos nossos filhos e filhas a se amarem, a se valorizarem e a reconhecerem o valor da saúde e do próprio corpo, mesmo que vejam que os outros estão se envenenando — com substâncias como o álcool ou o tabaco —, eles os respeitarão, mas não os imitarão.
Assim, quando uma criança nos pedir algo que não seja saudável, se a amamos, vamos oferecer a ela algum substituto que seja. Não diremos “não”, mas daremos a ela outras opções de ação.
Além disso, pode ser muito útil acompanhá-lo e ir explicando cada coisa que ele fizer. Por exemplo, se ele estiver engatinhando e se deparar com uma pequena inclinação, podemos dizer: “Neste momento, você está subindo uma pequena inclinação de aproximadamente cinco graus”. Não importa que a linguagem seja muito técnica. Se ele cair, descobrirá a lei da gravidade e, enquanto isso, explicaremos em nossa linguagem o que ele está descobrindo fisicamente. Para dar outro exemplo, podemos dizer: “Neste momento, você está pegando uma flor amarela e com muitas pétalas”. Dessa forma, ele irá codificando aos poucos a informação em sua mente. Embora a criança de três anos pense que o sol dorme à noite e acorda de dia, dentro de sua mentalidade mítica ela vai recebendo informações que mais tarde lhe serão úteis.
Quando ela se abstrair, é melhor não interrompê-la e procurar não dizer “não”, mas oferecer outras opções. Quando existe a necessidade de dizer “não” a uma criança que está, por exemplo, em um jardim? A resposta é: nunca. Dir-se-á “não” se ela estiver em uma sala repleta de porcelanas, porque não é um lugar para a criança, que deveria brincar em um jardim com flores. A única coisa que se deve observar é que ela não se aproxime de situações que excedam sua capacidade de lidar com elas. Por exemplo, se ela estiver se aproximando de uma lagoa com cinco metros de profundidade, simplesmente a pegaremos no colo e a colocaremos em outro lugar, sem dizer nada e sem falar do perigo; para não condicioná-la, ofereceremos outra opção.
É preciso levar em conta que, se, por causa de um método de orientação inadequado, a criança se rebelar e rejeitar o meio em que vive, perderá a oportunidade de encontrar sua missão na vida e, então, viverá apenas seu destino, mas sem força suficiente para enfrentá-lo e tirar dele o máximo proveito. Por isso, sua vida ficará cheia de medos, apegos, limitações e frustrações, que determinarão um baixo nível de energia e pouquíssimas possibilidades de superar a ignorância e transcender o sofrimento.
3.5 Jogos pedagógicos
Em um jogo recreativo, deixamos a criança se divertir sem explicar nada a ela, de modo que estaremos desenvolvendo com ela apenas seu aparelho psicomotor.
Para que um jogo pedagógico seja válido, ele precisa incitar a reflexão sobre os acertos e os erros, para aprender com ambos. Dessa forma, a verificação se torna um processo pedagógico e há de fato uma aprendizagem. Conseguir isso é a arte da pedagogia que tanto pais quanto professores precisam colocar em prática, e torna desnecessário o castigo.
A partir dos três anos, é possível começar com jogos pedagógicos que podem dar resultados extraordinários de caráter intelectual, sem que esse seja o seu propósito.
Por exemplo, levamos a menina ao jardim para que veja o nascer do sol e dizemos a ela: “Olha, é por ali que o sol nasce; essa esfera brilhante que você vê lá, chamamos de ‘sol’, e esse lado por onde ele nasce chamamos de ‘oriente’”. Podemos brincar de ensinar a ela os pontos cardeais, a direita e a esquerda, a frente e atrás; e de mostrar as cores procurando flores ou outros objetos de cada tonalidade. Os números podem ser ensinados procurando galhos ou flores com diferentes quantidades de folhas ou pétalas, ou pegando pedras e contando-as para ver quantas são. Assim, ela aprenderá enquanto brinca.
Pode-se comprar um quadro em que ela pinte e expresse sua criatividade, ou reservar uma parede do quarto dela para pintar, que chamaremos de “a parede do sim”.
Para ensinar geometria a eles, é possível comprar peças de diferentes formas geométricas, pintá-las de todas as cores e brincar de esconde-esconde com as crianças. Diremos a elas, por exemplo: “Vamos procurar a esfera azul; quem a encontrar primeiro poderá participar de outro jogo”. É preciso criar opções para que não compitam entre si e aprendam que cada um obtém seu próprio resultado no jogo.
Não convém usar as palavras ganhar ou perder, porque incentivam a competição e produzem discriminações; simplesmente, um resultado leva a outro jogo. Por exemplo: “Quando você encontrar a esfera azul, vamos procurar o cubo verde; quando encontrar o cubo verde, vamos procurar a pirâmide amarela”, e assim por diante, em uma sequência de jogos, independentemente de quantos cada um encontre.
Para aprender os números ou os pontos cardeais, há um jogo de que as crianças adoram: o das pistas que levam ao tesouro. O tesouro pode ser uma flor ou qualquer coisinha que lhes pareça atraente. As pistas podem ser: “Vamos dar três passos para o oeste, depois meia-volta à direita e cinco passos para o norte”.
Outro jogo consiste em pintar o alfabeto completo em peças coloridas, nas quais escreveremos os números, e escondê-las: as crianças são descobridoras e investigadoras natas, adoram procurar.
No jogo A oficina das invenções, aproveitaremos objetos velhos, como uma bolsa, para fazer, por exemplo, com que uma menina possa ter uma réplica da bolsa da mãe. Cada jogo pedagógico é válido para a criança se refletirmos com ela sobre o que aprendeu e descobriu, tanto quando acertou quanto quando errou.
Com crianças de quatro ou cinco anos, em vez de sentá-las na carteira e pedir que escrevam as letras, podemos brincar de escondê-las. É preciso voltar a pensar como crianças e criar, por exemplo, a caverna mágica onde está oculto o grande tesouro da sabedoria, que deve ser procurado seguindo algumas pistas.
Além disso, para que a criança possa descobrir a vida, é muito recomendável criar um espaço para ela, o espaço do sim. E, a partir dos quatro anos, podemos ir permitindo que ela entre no espaço do adulto e aprenda aos poucos a respeitá-lo por meio de acordos.
3.5.1 O jogo da aprendizagem
É o jogo da descoberta da vida. Trata-se de fazer com que as crianças tirem suas próprias conclusões e reconheçam a maneira de aprender o que ainda não sabem. Consiste em que, primeiro, a criança “eduque” seus pais e, depois, estes a orientem e apoiem sua autoaprendizagem na descoberta da verdade.
As técnicas do jogo da autoaprendizagem são simples: trata-se de não ensinar conceitos nem limitar a capacidade da criança de assumir a própria vida, permitindo-lhe, em vez disso, encontrar as verdades da existência na natureza e em suas próprias experiências. Para conseguir isso, é necessário:
- Não impor comportamentos.
- Não proibir suas ações naturais.
- Não castigar o erro.
- Não invalidar nem criticar sua espontaneidade.
- Permitir que ele brinque e descubra, por meio da brincadeira, os resultados da Lei Universal, deixando que ele os assuma ou, o que dá no mesmo, suspendendo o afã protetor e a reação emocional diante dos resultados que ele obtém por conta própria. É necessária a não reação, ou seja, a serenidade total dos pais ou educadores e a firmeza para não interferir no processo da criança diante da necessidade de assumir seu próprio resultado.
3.5.2 Jogos de autodescoberta
Nos jogos de fantasia, trabalham-se o amor e a missão, a doçura da vida, enquanto nos níveis seguintes se trabalha o assumir a vida por meio do confronto com o destino. É essa última parte, a do destino, que talvez traga alguma dorzinha, em acidentes como cortar um dedo ou se machucar; e resultados indesejáveis quando a criança descumprir algum dos acordos. Por meio desses jogos, procura-se ajudá-la a desenvolver a “disciplina” e a assumir um compromisso de convivência pacífica, respeitando os outros.
- Encontre o botão
Formamos vários grupos de crianças. O grupo 1 procurará um botão dourado, o grupo 2 um botão branco, o grupo 3 um verde, o grupo 4 um roxo, o grupo 5 um preto e o grupo 6 um vermelho. Cada grupo terá um minuto para esconder um botão na área da sala que vamos delimitar para isso. Não é permitido esconder o botão em nenhum objeto de uso pessoal, ou seja, em carteiras, roupas, bolsas ou bolsos de ninguém, mas apenas em locais de uso comum.
Primeiro, os demais grupos saem da sala enquanto os membros do grupo 1 escondem seu botão, e assim por diante. Quando todos os grupos tiverem escondido seus botões, os seis grupos entrarão simultaneamente para procurar o botão que corresponde a cada um. O jogo termina quando os seis botões estiverem sobre a mesa; nós simplesmente anotaremos quando isso ocorrer e assim o explicaremos aos participantes.
O importante é usar a criatividade, pois se trata de um jogo para a descoberta de processos de relacionamento humano. Não é preciso dar mais dicas.
No final do jogo, vamos refletir sobre o que aconteceu e qual foi o resultado que obtivemos. Por exemplo, podemos dizer o seguinte:
“O resultado foi que levamos 15 minutos para colocar todos os botões em cima da mesa. Vocês acham que esse resultado poderia ser melhorado? Como fizeram para obtê-lo? Vocês fizeram várias suposições: presumiram que isso fosse uma competição, mas eu não disse isso; e que cada grupo não poderia dizer aos outros onde estavam os botões que eles mesmos haviam escondido; acharam que não podiam conversar; acreditaram também que precisavam chegar a um resultado por conta própria, sem contar com a ajuda de outra pessoa ou grupo; e ainda que haveria um vencedor. No entanto, todas essas suposições estavam na cabeça de vocês, porque a única coisa que eu disse foi que o jogo terminaria quando os seis botões aparecessem; assim, ele poderia ter acabado em um minuto. Poderíamos ter nos dirigido a outro grupo e perguntado onde estava o nosso botão, em troca de dizer a eles onde estava o deles.”
Muitas vezes pensamos que algo não pode ser feito porque nossa mente está programada com essa informação. Esse é o efeito que a educação que recebemos tem sobre nós, que bloqueou nossa criatividade. Disseram-nos: “Você tem que respeitar as regras e a ordem, tem que ser disciplinado e aprender a obedecer”. E, dessa forma, conseguiram adormecer nossa criatividade, que agora precisamos despertar novamente.
O que aprendemos com o jogo anterior?
- Que é importante trabalhar em equipe; e, neste jogo, a equipe somos todos nós.
- Que é importante negociar. Se não aprendermos isso, obteremos resultados pouco eficientes.
- Que é necessário ter uma boa comunicação.
- Que supor é um vício. O que podemos fazer para que isso não volte a acontecer?
- Não supor nada.
- Pensar que somos todos uma equipe, que precisamos negociar, nos comunicar, estabelecer acordos e cooperar. Dessa forma, teríamos obtido um resultado melhor.
- Aceitar que precisamos fazer coisas diferentes.
A parte fundamental do jogo, o que mais contribui, é a reflexão sobre o que aconteceu e como foi. O jogo em si é como a experiência, mas, se não houver um aproveitamento dela, ela se perde.
Quando uma criança cai e se machuca, não devemos dizer “coitadinha” nem começar a chorar junto com ela, pois isso não a ajuda em nada. Simplesmente, depois de tratar o ferimento, podemos sentar e refletir com ela: “Como você fez para cair? Como você está se sentindo? O que você aprendeu?”. E da mesma forma agiremos com os acertos.
Temos muita preguiça de dialogar, nos comunicar e refletir, porque, quando éramos pequenos, nos chamavam de “não”: “Não interrompa os adultos, não se meta nas nossas conversas, não toque nisso, vá para o seu quarto…”. Assim, nos tornamos pouco comunicativos e, já adultos, nem sequer nos ocorre nos comunicarmos, nem mesmo em um jogo. Esse bloqueio mental nós o vamos transmitindo às crianças sem perceber; por isso, é preciso despertar novamente a criatividade e a comunicação.
- O jogo do sinal Estas são as instruções: “O jogo consiste em sentarmos em círculo, de mãos dadas, e, quando eu der o sinal com a mão direita para a pessoa ao meu lado, ela deverá passar o sinal para a próxima pessoa, sem falar, apenas com o gesto de apertar levemente a mão. O jogo termina quando o sinal voltar até mim pela minha mão esquerda”. Ao terminar o jogo, faremos a seguinte reflexão: “Se não nos preocuparmos com mais ninguém, quanto tempo levamos para passar um sinal da mão esquerda para a mão direita? Um nanossegundo. Vamos testar esse método para ver se melhora a eficiência do grupo e se conseguimos reduzir o tempo”. Também podemos fazer outras propostas para melhorar, como, por exemplo, fazer isso com os olhos fechados. O que se pode aprender com esse jogo? Descobrir que o resultado de um grupo é equivalente ao resultado individual; ou seja, quando cada um de nós dá o melhor de si e não se preocupa com o que os outros fazem, obtêm-se os melhores resultados. Assim, o objetivo deste jogo é descobrir ferramentas que tornem nossa vida muito mais eficiente e produtiva.
ü O jogo da bola
Vamos começar com uma pergunta: “Em quanto tempo conseguimos fazer com que essa bola dê uma volta completa pelo grupo sem que ninguém deixe de tocá-la?”.
Vamos continuar com uma reflexão. Por exemplo: “Obtivemos um resultado de 23 segundos. Que propostas há para melhorar esse resultado?”. Pode-se propor que alguém vá para o centro e que todos vão ao mesmo tempo tocar na bola. Por meio desse jogo, verificamos que é necessário estarmos coordenados para obter melhores resultados; e que nos coordenar significa fazer propostas e chegar a acordos.
E vamos encerrar com uma proposta: “Proponho que combinemos que, para fazer cada proposta, peçamos a palavra. Para falar, levantaremos a mão, e os demais ouvirão essa pessoa sem interrompê-la. O que vocês acham?”.
Esses jogos são voltados para crianças com mais de cinco anos, pois envolvem o desenvolvimento de certas habilidades, como a de chegar a acordos, refletir, usar a criatividade ou cooperar, bem como a capacidade de autodisciplina, de assumir compromissos perante um grupo, de respeitar a vez de falar e de valorizar cada proposta: ou seja, a capacidade de assumir que é possível experimentar sem invalidar.
A ideia é que tanto crianças quanto adultos aprendamos a nos comprometer com a vida, assumamos o compromisso de respeitar os outros para uma convivência pacífica e de cumprir com o que nos cabe fazer, e não fazer o que não nos cabe.
O que aprendemos com o jogo anterior? A não invalidar, a ouvir, a construir acordos, a cooperar, a negociar com criatividade, a assumir compromissos, a aceitar os outros e os resultados, a estar presentes para aproveitar o que está acontecendo em nossas vidas, bem como o sentimento de pertencer a um grupo, de nos sentirmos parte de um todo, não excluídos.
Precisamos deixar nossa mente voar para pensar como as crianças pensam. Para a criança, a palavra “impossível” não existe. É melhor riscar essa palavra do nosso dicionário e substituí-la por: “Ainda não sei fazer isso”, “Ainda preciso de mais treino” ou “Não tenho essa informação, mas vou tentar obtê-la”.
As crenças limitantes se instalam em nossa mente quando afirmamos: “Não consigo; é impossível; não sou capaz; isso não é para mim; isso é absurdo”. Se aceitarmos interiormente a resposta “isso não pode ser feito”, nossa criatividade fica bloqueada. Na verdade, deixamos de ser crianças quando começamos a pensar que não era possível: que não se podia voar, que não se podia sonhar, que não se podia fantasiar, ou que tínhamos a obrigação de fazer algo. Não deixamos a infância quando nosso corpo cresce, mas quando nossa mente fica bloqueada; por isso, podemos voltar a ser meninos ou meninas com um corpo grande e uma mente livre, se assim decidirmos.
Para ampliar nossa consciência, precisamos recuperar a capacidade de sonhar, de imaginar, de visualizar, de projetar nossa mente e nosso pensamento para qualquer lugar do Universo, a fim de sintonizar com as informações que estão além dos cinco sentidos físicos, assim como fazíamos na infância. Para sermos excelentes educadores e pais, precisamos recuperar as habilidades que nos unem aos nossos educandos.
É comum, em nossa cultura, incentivar as atividades que desenvolvem preferencialmente o hemisfério cerebral esquerdo — o analítico e racional —, deixando o hemisfério direito em segundo plano. No entanto, seria preferível desenvolver os dois hemisférios de maneira equilibrada, e para isso é preciso fazer exercícios com ambas as mãos e pernas de forma equilibrada. Dessa forma, nossa capacidade de compreensão será superior: quando o analítico se combina com o perceptivo.
- O jogo dos Mestres Esse jogo consiste em aprender a refletir, pois é o método de ensino que os Mestres utilizam em lugar do castigo. Com quatro perguntas simples, é possível incitar a reflexão:
- Como você fez para obter esse resultado?
- Como você se sente em relação a ele?
- O que você aprendeu?
- Como você faria da próxima vez? Como o repetiria? Ou, se não, como faria para evitá-lo?
O professor tem o propósito de transmitir uma informação aos seus alunos, enquanto o Mestre pretende que o discípulo encontre a informação por si mesmo. Quando nos dão a informação, a mente entende; mas quando precisamos buscá-la, a mente compreende. Em geral, o jogo dos Mestres consiste em um diálogo não conclusivo, porque o discípulo precisa chegar a uma conclusão por si mesmo, de modo que necessita elaborar mentalmente a informação para compreender ou verificar.
Capítulo 4. Missão e destino, o doce e o amargo
Em seu desenvolvimento, os meninos e as meninas têm pela frente um grande desafio: encontram-se em um lugar novo para eles, com pessoas e costumes desconhecidos, e precisam cumprir uma missão de amor, aprendendo o necessário sobre o lugar e suas gentes para poderem se adaptar. Ao longo da vida, precisarão aceitar a situação que lhes couber viver e assumir o compromisso de cumprir sua missão e viver seu destino, pois, caso não consigam, sempre se sentirão presos e obrigados. Por isso, os adultos precisam ajudá-los a crescer e a encontrar sua missão, bem como apoiá-los para que consigam assumi-la. Devem ter cuidado para não anulá-los nem se confrontar com eles, como tantas vezes se faz.
O amor é a missão que trazemos para a vida — sua parte doce —, e por isso os educadores devem permitir que ele se desenvolva na infância. Para isso, precisam apoiar seus filhos e filhas, ou seus alunos, brincar com eles e ajudá-los a aprender a refletir, sem doutrinar.
Por sua vez, o destino nos leva a assumir e tem a ver com uma espécie de disciplina, por isso resulta um pouco amargo, ainda que se trate de uma disciplina não impositiva — pois nada imposto dá bom resultado. Como precisamos nos adaptar ao meio, temos que aprender a respeitar os demais, bem como as normas, os espaços e os diferentes costumes. Mas como ensinar meninos e meninas a assumir seu próprio comportamento respeitoso diante do meio? A única maneira é por meio de exercícios, exemplos e verificações.
A atitude de amar a vida ou rejeitá-la se desenvolve em grande parte nos primeiros cinco anos de vida, dependendo da informação recebida nessa etapa. São anos irrepetíveis que precisamos ajudá-los a aproveitar com sabedoria. Muitas vezes supomos que os conhecimentos e a instrução, assim como o cumprimento das normas e a aceitação das estruturas sociais, são tão importantes que precisam ser aprendidos desde o nascimento. No entanto, esquecemos que, ao longo de toda a vida, uma pessoa pode adquirir conhecimentos intelectuais, aprender um comportamento social ou a respeitar as normas, mas esses cinco anos serão fundamentais para desenvolver a atitude de amar a vida.
Depois dos cinco anos, a velocidade de aprendizagem da mente diminui muito. Durante a infância, a mente funciona 40 vezes mais rápido do que nos anos posteriores; portanto, se multiplicarmos esses cinco anos por 40, equivaleriam a 200 anos. Será realmente conveniente desperdiçá-los para ensinar, desde os dois anos, padrões de responsabilidade, disciplina e respeito às normas? Ao desperdiçar esse potencial, multiplica-se de forma impressionante o desenvolvimento de conflitos internos, por isso vale a pena repensar essa questão.
Diante disso, qual é a nossa proposta educativa? Respeitar esses primeiros cinco anos de vida, enchendo de amor nossos filhos e filhas, esquecendo os ritmos que o Ministério da Educação estabelece, pois uma criança que siga um método de jogos pedagógicos bem orientados, aos doze anos já poderíamos considerar que tem o ensino médio completo. Em geral, as crianças rejeitam o estudo porque o impomos e as tiramos de seu ambiente natural — que é o jogo. O adequado é utilizá-lo e desenvolver a pedagogia no ambiente da criança, para evitar as limitações mentais que implicam envolvê-la, desde tão cedo, em um ambiente adulto de disciplina.
Interessa-nos muito que as crianças aprendam a ser felizes, a aproveitar qualquer circunstância da vida, por mais diferente que seja, e que possam ver toda situação como uma oportunidade de aprendizado e não como um problema.
O que propomos é promover nas mentes infantis o cumprimento da experiência de vida obtendo o máximo proveito com o mínimo de sofrimento. Para isso, ajudará muito observar a criança e anotar quais situações parecem ser de destino — de dificuldade ou medo, ou momentos desagradáveis ou de apatia — e quais são as que mostram sua missão — nas quais evidencia facilidade, tranquilidade, entusiasmo ou prazer.
Identificar o que mostram as marcas da vida e do destino ajuda a compreender e aceitar a vida com maior facilidade. Além disso, contribui enormemente para melhorar a harmonia social, familiar e pessoal, já que nos permite entender melhor os outros e nos facilita a tarefa de ajudar as crianças a crescer e apoiar os adultos a superar as limitações que não lhes permitem expressar o amor que possuem de forma natural.
4.1 Guia de observação para pais e professores
Propomos fazer um quadro com duas colunas, nas quais anotaremos, de um lado, as situações de destino e, de outro, as situações correspondentes à missão.
- Situações reveladoras do destino: trata-se de situações que surgem constantemente da própria vida e que, aparentemente, não estão relacionadas às limitações culturais aprendidas. Por exemplo: sonhos de medo, coisas que a criança tenta evitar sem nenhuma razão lógica, situações que não suporta ou não aceita, dificuldades ou choro excessivo diante de alguma circunstância, ou ainda problemas físicos ou genéticos. Apoiar a assunção do destino durante a infância requer firmeza
- Situações reveladoras da missão: são aquelas em que a criança desfruta do que mais gosta de fazer, aquilo sobre o que fala com grande entusiasmo, seus sonhos agradáveis e repetitivos, o que faz com facilidade e no que se abstrai, esquecendo-se do tempo, ou certas coisas agradáveis que a vida lhe proporciona sem que as tenha buscado. Apoiar nossos filhos e filhas em sua missão requer flexibilidade. Existem algumas limitações e bloqueios aprendidos, associados ao destino, que se repetem durante a infância e que convém identificar:
- Dificuldade para assumir a vida: sempre culpa os outros por suas dificuldades; não se responsabiliza por nenhuma tarefa; não faz nada sem que mandem; mantém suas coisas em desordem; sempre diz “é preciso” em vez de fazer; se desculpa com: “Não fui eu; eu não sabia; não é a minha vez; ninguém me disse; estou ocupado”; dificilmente reconhece seus erros ou aceita outras ideias; manifesta preguiça e apatia; com frequência demonstra mutismo e tristeza; sente muito medo da crítica e de perder pessoas ou coisas.
- Dificuldade em se adaptar ao meio: rebeldia manifestada na maneira de se vestir ou pentear o cabelo, na música que ouve, na forma de se alimentar, no desrespeito aos horários ou no uso de linguagem e modos inadequados; rejeita continuamente as normas e a lei, contraria e discute com frequência; critica e reclama constantemente das circunstâncias, do meio e das pessoas; torna-se facilmente fanático; manifesta diferentes formas de agressão e se enfurece com facilidade; em certas situações, demonstra timidez e medo de se expor e de prejudicar sua própria imagem; mostra-se autoritário e dominante e é possessivo, não empresta nem compartilha suas coisas; tem medo do escuro, de alguns animais e de certas situações; tende à autodestruição e à depressão; demonstra sentimentos de insegurança e inferioridade; é propenso a vícios ou ao jogo como forma de fugir da vida e de suas responsabilidades; manifesta introversão ou mutismo. Essas e muitas outras limitações podem ser observadas em crianças, adolescentes e adultos e, em sua maioria, têm origem em um método inadequado utilizado em sua educação. A maioria das situações de destino pode ser superada se a pessoa for orientada adequadamente e receber as informações precisas. No entanto, a dificuldade para consegui-lo geralmente aumenta em proporção à idade do indivíduo. Em muitos casos, as limitações aprendidas respondem favoravelmente à terapia do amor. É importante saber ouvir a criança com serenidade, sem nos assustarmos com o que ela diz, mesmo que nos pareçam fantasias. Trata-se de ir preenchendo as duas colunas com o objetivo de ajudar nosso filho ou nossa filha, quando chegar à adolescência, a se equilibrar nas doze qualidades.
4.2 Alcançar o equilíbrio
O ideal na vida de um ser humano consiste em alcançar um equilíbrio entre o destino e a missão, pois desenvolver a missão proporciona a energia e a força necessárias para enfrentar com sucesso o destino. O sofrimento que experimentamos diante das dificuldades da vida tem origem nas limitações aprendidas, que também fazem parte do nosso destino; é justamente superar essas limitações que nos permite renascer e nos conectar com nossa criança interior e nossa consciência, superando assim o sofrimento.
O equilíbrio consiste, portanto, em aproveitar o destino e valorizar a missão.
Ao aproveitar o destino, entramos no jogo da vida e desenvolvemos:
- A capacidade de aceitação de tudo o que acontece no Universo.
- A capacidade de valorização de tudo o que temos — um corpo, faculdades, bens materiais… —.
- A capacidade de estabelecer relações satisfatórias com todos os seres do Universo.
- A capacidade de sermos felizes por nós mesmos, sem depender de nada nem de ninguém. Ao valorizar a missão, conseguimos:
- Paz interior, pois a energia interna aumenta.
- Entusiasmo para enfrentar o destino.
- Capacidade de servir aos outros — que é mais uma das ferramentas do sucesso —.
- Sabedoria para aproveitar o que se tem. Precisamos jogar o jogo da vida para alcançar esse equilíbrio. As doze qualidades do equilíbrio são totalmente opostas e complementares, mas também necessárias dentro de um bom processo educativo.
| 1. Calar quando se deve calar | ... como falar quando se deve falar |
| 2. Capacidade de obedecer | ... como capacidade de dirigir |
| 3. Capacidade de ser humilde | ... como capacidade de valorizar a si mesmo |
| 4. Ser prudente | ... como ter capacidade de decisão |
| 5. A aceitação | ... como o discernimento |
| 6. Capacidade de ter cautela | ... como capacidade de ter coragem |
| 7. Estar disposto a não possuir nada | ... como dispor de tudo |
| 8. Capacidade de desapego | ... como capacidade de fidelidade |
| 9. Não ter medo da morte | ... como apreciar a vida |
| 10. Saber passar despercebido | ... como saber chamar a atenção |
| 11. Ser permeável a novas informações | ... como ser impenetrável ao que prejudica |
| 12. Ter compreensão da vida | ... como ter firmeza para o seu cumprimento |
Para citar apenas um exemplo, na área do controle de qualidade existe a paralisia por análise. Ou seja, um excesso de controle e de cautela nos leva à imobilidade. Mas também uma coragem exacerbada pode nos levar a situações que não sejamos capazes de administrar. Por isso, é necessário um equilíbrio entre as duas.
Por outro lado, alcançar o equilíbrio também passa por eliminar de nossa mente os conceitos de “bem” e “mal”, já que as coisas não são boas ou más, apenas situações diferentes entre si. Essa concepção é uma restrição mental que faz parte do destino, algo a ser superado.
Para transcender nossas limitações, é útil conhecer o efeito espelho, que consiste em que o defeito que vemos no outro nos mostra exatamente nossa limitação para aceitar algo diferente do que acreditamos. Essa limitação nos mostra a rigidez mental do nosso ego e nos revela nosso destino.
4.3 O destino: o que ainda nos falta aprender
Qual é o nosso ponto mais fraco? Há um ditado que diz: “Dedo machucado bate em tudo”, e é assim que podemos identificá-lo, pois ele se manifesta em diferentes situações. Nossos pontos fracos fazem parte do destino e precisamos trabalhá-los; trata-se do que chamamos de “inaceitável”.
Para facilitar a busca do nosso destino, vamos responder às seguintes perguntas — que valem tanto para crianças quanto para adolescentes e adultos.
- Meu pior sonho. Trata-se daquele sonho repetitivo que é muito desagradável. Esse tipo de sonho reflete nossos medos mais profundos e está associado a traumas. O trauma pode ocorrer no ventre materno desde o próprio instante da concepção e ficar gravado no inconsciente. Os que ocorrem ali têm muito a ver com a rejeição dos pais.
- O que menos gosto em mim. Por exemplo, a própria altura, ser muito gordo ou muito magro, ter o nariz torto ou ser tímido demais, já que podem ser características da nossa aparência física ou da nossa personalidade. Esses complexos refletem a incapacidade de aceitar a perfeição que somos: não temos por que rejeitar nada do que somos; isso não significa que não possamos melhorar, mas não porque o rejeitemos. Se nos sentimos mal conosco, é porque não nos aceitamos.
- O que mais me custa aprender. O que nos resulta muito difícil reflete aquilo que rejeitamos devido a uma limitação mental.
- O que menos gosto de fazer. É como a afirmação: “Eu lavo a louça, mas não passo roupa”. Reflete nossa limitação mental para compreender que não há ofícios melhores nem piores, mas apenas diferentes.
- O lugar de que menos gosto. Reflete a incapacidade de respeitar um lugar diferente, porque o estamos julgando.
- O pior negócio que já fiz. Esta pergunta é para adultos. A resposta nos serve para descobrir nossa ignorância e incapacidade de respeitar o destino dos outros. Quando fracassamos, significa que estamos indo contra a ordem do Universo e realizando atividades que não fazem parte de nossa função ou que não nos correspondem. Além disso, dessa forma fica evidente nossa falta de habilidade para servir melhor.
- Meu relacionamento mais difícil. Com um professor, com nosso parceiro… Nessa dificuldade se refletem nossas limitações mentais. Muitas vezes se pensa que o destino não pode ser mudado, mas o destino
tem dois componentes:
- O que pode ser mudado. Por exemplo, a forma de aprender o que nos falta aprender, fazendo-o em outro momento ou lugar. Também podemos modificar nossa decisão diante das experiências de aprendizagem.
- O que não pode ser mudado. É o que precisamos aprender, e faz parte das Leis do Universo, que são imutáveis. Todos temos duas opções diante das quais devemos decidir: desfrutar e ver o que podemos aprender, ou sofrer.
4.4 A missão: o que já sabemos
Como a missão é formada pela informação que já sabemos, e o destino pelo que nos falta aprender, à medida que aprendemos nosso destino vai diminuindo e nossa missão vai aumentando.
As perguntas a seguir nos ajudarão a encontrar nossa missão:
- O que você encontra de mais agradável nos seus sonhos?
- O que você mais gosta em você?
- O que você aprende com mais facilidade?
- O que você mais gosta de fazer?
- Que lugar você prefere para estar?
- Quais foram seus melhores negócios ou situações?
- Quais são seus relacionamentos mais agradáveis? Faz parte da nossa missão tudo o que já sabemos fazer e, portanto, gostamos e desfrutamos; ou seja, obtemos bons resultados em termos de satisfação pessoal. No entanto, o jogo da vida nos coloca diante do que precisamos aprender, não do que já sabemos fazer. O jogo consiste justamente em que aquilo que mais nos dá medo é o que precisamos vivenciar para aprender; o que não aceitamos é exatamente o que precisamos enfrentar. Essa é a Lei da Evolução do Universo. Quando o destino e a missão coincidem, o sucesso é extraordinário, pois tudo flui de maneira impressionante.
4.5 Como enfrentar o destino
Em primeiro lugar, trocando o “quero” pelo “preciso”. É fundamental orientar nossos filhos e filhas, ajudando-os a enfrentar suas limitações e não fugir delas, para que possam aprender. Se eles não estão dispostos a fazer as tarefas, isso quer dizer que elas fazem parte do destino deles; por isso, devemos apoiá-los para que aprendam a desfrutá-las e não as rejeitem.
Eliminando o “quero tudo o que não tenho”. Enquanto desejarmos o que não temos e não valorizarmos o que já possuímos, seremos sempre infelizes. A felicidade se alcança transmutando o destino em missão. Por isso, dizem os Mestres: «Todos os seres humanos têm o necessário para serem felizes, mas muito poucos sabem ser felizes com o que têm, porque não dão valor a isso».
Praticando a comunicação amorosa. O animal que há em nós se manifesta no instinto de sobrevivência, que nos empurra a fugir ou lutar. Portanto, devemos abandoná-lo, pois ele não serve para estabelecer relacionamentos nem para educar. Devemos abandonar tanto a agressão física quanto a verbal, e até mesmo a mental, que é mais sutil, mas faz mal a nós mesmos.
Procurando que o de fora não afete o de dentro (independência espiritual). Afinal, nossa paz, nossa felicidade e nossa capacidade de serviço dependem apenas de nós mesmos. Quando uma criança faz uma “birra” e fica com raiva porque não consegue algo, a situação externa está afetando sua paz interior. Ela terá que aprender que, quando não consegue algo, é porque não precisa disso e não tem por que perder sua paz e sua serenidade por isso.
Para trabalhar a aceitação do destino por parte da criança, podemos recorrer às reflexões, dando-lhe informações sobre a importância de aprender algo com cada situação difícil. Para isso, é útil a tabela de compromissos e benefícios que fizemos anteriormente.
4.6 Para que serve a missão?
A missão é o oposto do destino; é tudo aquilo que nos encanta, aquilo a que chamamos vocação, o que nos enche de alegria e entusiasmo. É algo que podemos ensinar e oferecer aos outros.
A missão serve para três coisas:
- Para administrar nossa energia interna. Ao fazer coisas de que gostamos, nossa energia cresce muito.
- Para expressar e desenvolver nosso amor. Ao ensinar o que sabemos, estamos expressando nosso amor aos outros. Mostremos às crianças o melhor que sabemos fazer, aquilo de que mais gostamos.
- Para apoiar e ensinar os outros com o que já sabemos.
4.7 Jogo de verificação: os elixires da vida
Para este jogo, vamos formar grupos de várias pessoas. Cada grupo tem em mãos três copos: o copo número 1 está vazio, o número 2 contém um elixir doce e o número 3, um amargo. O objetivo do jogo é encher o copo número 1 — aquele que daremos para a criança beber — e deixar os copos 2 e 3 vazios. As pessoas do grupo terão que chegar a um acordo para decidir qual é a melhor maneira de encher o copo número 1.
Existem muitas maneiras de misturar os elixires e, embora o resultado pareça ser o mesmo, a experiência será totalmente diferente. Pensemos em qual seria a experiência adequada para uma criança inocente que vai entrar em contato com esses elixires “adultos”. É inevitável dar os dois a ela, mas é preciso decidir como, em que proporção, em que ordem e por qual motivo. Qual seria o resultado para a criança em cada caso?
Ao colocar este jogo em prática, poderemos observar que todos os grupos terão dificuldade para chegar a um acordo e precisarão refletir bastante, embora todos queiram o melhor para as crianças. E é que querer o melhor não basta; é preciso saber o que é o melhor, ou seja, precisamos ter informação suficiente, eficiente e oportuna.
Temos três opções para encher o copo número 1:
- Servir primeiro o elixir amargo e depois o doce.
- Dar para provar primeiro o doce e depois o amargo.
- Despejar uma mistura dos dois. Se escolhermos a opção a, a criança experimentará primeiro o sabor amargo; assim, metaforicamente, verá a vida como algo amargo em que às vezes há momentos de doçura. Ela não poderá verificar como é o sabor do doce puro. Se escolhermos a opção b, a criança não experimentará o sabor do amargo puro, mas sim o do doce. Se escolhermos a opção c, a criança não poderá conhecer a experiência do doce total, nem a do amargo total. Qual opção seria a mais poderosa para amar a vida? A opção b, para que ela verifique primeiro o sabor doce da vida e depois perceba que a vida também nos oferece uma oportunidade de aprender o que não se sabe por meio do destino amargo. Se oferecermos primeiro o doce, a criança desenvolverá amor pela vida.
Graças a esse amor, quando tiver que passar por experiências difíceis, de aprendizado, ela poderá pensar: «A vida continua sendo maravilhosa, apesar das dificuldades». Se fizermos o contrário, ela poderá rejeitar a vida, apesar dos momentos agradáveis, como acontece com muitos adultos.
Neste exemplo, evidentemente, o doce do amor não se refere a nada comestível, pois comer doces pode causar acidose, enfraquecer o sistema imunológico e esgotar as reservas de cálcio do organismo, além de provocar cáries nos dentes… tudo isso lhes causará dor.
O copo vazio representa a personalidade inocente da criança. Os dois elixires da vida são a missão — o doce — e o destino — o amargo. Esses dois elixires se instalarão, simultaneamente, na mente infantil ao longo de cinco anos; disso se encarregarão os adultos. O destino e a missão se fixam em nossa mente por meio do sistema de crenças, simbolizado pelo ato de encher o copo. Mas o sistema de crenças tem duas possibilidades: pode ser muito flexível ou muito rígido.
O que menos serve para manter e melhorar nossos relacionamentos com os outros é ter razão, pois isso não nos deixa ser flexíveis.
Pessoas com flexibilidade mental costumam estabelecer bons relacionamentos e criar negócios prósperos; elas se adaptam ao mundo e sofrem pouco. Já as pessoas com rigidez mental sofrem muito diante da vida, que, para elas, é cheia de conflitos. Quem alcança o sucesso na vida, em qualquer área — saúde, relacionamentos ou economia —, é porque foi capaz de se tornar flexível.
4.8 Medo de viver ou amor à vida
O medo e a insegurança interior que muitas pessoas sentem diante da vida têm origem no desconhecimento de suas próprias capacidades para ter sucesso. Outros medos relacionados a situações específicas são causados por traumas psicológicos decorrentes de métodos pedagógicos inadequados.
De modo geral, o medo é um dos grandes limitadores da satisfação pessoal e do sucesso na vida. Por isso, é muito importante que os pais aprendam a orientar seus filhos de maneira adequada, para evitar que desenvolvam inseguranças e, além disso, para que lhes permitam reconhecer suas próprias capacidades e aproveitar a vida.
O adolescente ainda não sabe quem é, nem que tipo de informação existe em sua mente, nem quais são suas capacidades e, naturalmente, sente-se inseguro e precisa descobrir sua identidade e experimentar suas próprias capacidades diante da vida.
O autoconhecimento, a capacidade de assumir a vida e os valores para desfrutá-la são anulados por maus métodos pedagógicos, ou seja, pelo uso das armas da ignorância: proibição, imposição, agressão e interferência. Paradoxalmente, os pais que tentam poupar os filhos das dificuldades utilizam, sem saber, um método que leva diretamente ao sofrimento, à rebeldia, à rejeição da vida e a todos os conflitos que surgem nas relações entre pais e filhos.
O medo de viver surge quando oferecemos ao nosso filho ou à nossa filha o elixir amargo, ou seja, quando proibimos, impomos, agredimos, limitamos e superprotegemos. Dessa forma, as crianças se enchem de rancores e de medos. O que devemos fazer é deixar que todas as pessoas se desenvolvam, sem superprotegê-las nem agredi-las, simplesmente crescendo com elas e apoiando-as.
Quando o adolescente é impedido de descobrir a si mesmo por meio da experimentação da vida, ou não recebe orientação adequada nesse processo, ele pode se rebelar, aumentando assim o risco de confusão e de cair em vícios ou atitudes negativas. Isso acontece quando não conta com o apoio dos pais nem com informação suficiente para enfrentar a vida com sucesso.
À medida que o adolescente vai experimentando a vida, se contar com liberdade, apoio e firmeza suficientes por parte dos pais, aos poucos ganhará confiança e descobrirá suas capacidades. Assim, acabará tomando gosto pela tarefa de viver e desenvolverá o amor pela existência, por si mesmo e pelos outros, que é o melhor antídoto contra os vícios.
A pessoa que ama a vida respeita seu corpo, pois sabe que ele é um veículo perfeito para aproveitar sua existência, para servir aos outros e para fazer sua consciência evoluir; portanto, jamais fará voluntariamente nada que possa prejudicar sua saúde, nem nutrirá pensamentos de rejeição à vida. Dessa forma, poderá vivê-la de maneira plena e totalmente satisfatória.
Seremos capazes de amar a vida quando enxergarmos os problemas como oportunidades de aprendizado.
Uma infância harmoniosa, apoiada pelos pais com carinho suficiente, exemplos de amor, informações adequadas, acordos claros e firmeza amorosa, fará com que a criança passe, aos poucos, a confiar em sua capacidade de gerir a própria vida e a conduzirá a uma adolescência harmoniosa.
O jovem encontrará em seus pais a compreensão, o amor, o apoio e as informações de que precisa para o desenvolvimento de sua experiência de vida; assim, não precisará buscar informações ou aceitação em outros lugares ou junto a pessoas desconhecidas. Por sua vez, os pais encontrarão em seus filhos a aceitação, a valorização, a admiração e o respeito que brotam de sua compreensão amorosa; assim, a relação entre pais e filhos se torna uma experiência maravilhosa para toda a família.
De um núcleo familiar saudável surgem indivíduos saudáveis, capazes de formar uma sociedade harmoniosa. Quando, em um núcleo familiar baseado nos princípios do amor, os filhos completam 18 anos, as relações familiares assumem o caráter de irmandade, ou seja, de total igualdade.
Capítulo 5. Os grandes erros
Ter ideias falsas em nossa mente nos leva a cometer grandes erros. É preciso distinguir as associações corretas das equivocadas. O quadro apresentado na página seguinte pode ajudar.
| Associações equivocadas | Associações acertadas |
|---|---|
| Competir: lutar contra os outros para ganhar | Participar: dar o melhor de si e valorizar o resultado |
| Ganhar: derrotar os competidores | Valorizar: apreciar o resultado obtido em uma atividade |
| Perder: ser derrotado pelos competidores | Avaliar: aprender a reconhecer o valor de todo resultado |
| Meta: resultado que se quer obter, custe o que custar | Propósito: fazer o melhor possível e aceitar o resultado obtido |
| Obrigação: comportamento que os outros impõem | Compromisso: comportamento decidido por si mesmo |
| Normas: decretos que os outros são obrigados a respeitar | Acordos: compromissos que se está disposto a respeitar |
| Pobreza: não ter o necessário para viver | Humildade: capacidade de ser feliz com o que se tem |
| Posses: acreditar que se é dono de algo ou de alguém | Riqueza: saber que sempre é possível ser feliz com o que se tem |
| Problema: situação de sofrimento que não se pode resolver | Oportunidade: para desenvolver capacidade de gestão e compreensão |
| Perigo: situações que representam um risco para todos | Situações que exigem habilidade para serem gerenciadas |
| Realidade: o que acontece no plano de três dimensões. | Realidade: o que acontece em qualquer plano dimensional |
| Sinceridade: dizer claramente o que se sente pelos outros | Valores: expressar somente as virtudes dos outros |
| Associações equivocadas | Associações acertadas |
|---|---|
| Dizer a verdade: narrar um acontecimento | Dizer a verdade: dar informação de amor |
| Amor: o mais belo dos sentimentos | Amor: compreender que tudo tem um propósito perfeito |
| Ser bobo: não oferecer resistência à agressão dos outros | Ser manso: decidir conviver pacificamente com os outros |
| Egoísmo: pensar em si mesmo em vez de pensar nos outros | Valorização: pensar em si mesmo proporciona os recursos para servir |
| Força: capacidade de impor as próprias ideias aos outros. | Poder: capacidade de obter resultados satisfatórios. |
| Defesa: sistema de segurança para dissuadir o inimigo. | Segurança: capacidade de respeito e convivência pacífica. |
| Princípios: ideias associadas a fazer o bem | Leis: conhecer, obedecer e respeitar a ordem do Universo |
| O bem: tudo aquilo com o que se concorda | Ação: necessária para reconhecer a existência da Lei |
| O mal: tudo aquilo com o que não se concorda | Ação: necessária para reconhecer a existência da Lei |
| Mestre: ser que ensina a fazer o bem e a evitar o mal | Mestre: ser que ensina a fluir com a ordem do Universo |
| Deus: senhor todo-poderoso que premia ou castiga | Deus: origem de tudo o que existe e acontece no Universo |
| Drama: situação avaliada dolorosamente como injustiça | Acontecimento: evento neutro que permite avaliar a compreensão |
| Tragédia: fatos físicos que geram muito sofrimento | Evento: fatos físicos sujeitos à interpretação humana |
Precisamos redefinir claramente os termos que utilizamos para nos referirmos aos diferentes aspectos da existência. Dessa forma, será mais fácil reprogramar nossa mente com novas informações que nos libertem das limitações decorrentes da cultura e instaladas em nosso cérebro por meio de uma linguagem associada ao medo, à culpa, ao castigo e ao prêmio.
Quando nossa linguagem estiver totalmente associada aos princípios do amor, da felicidade, da harmonia, da paz e do respeito, e quando conseguirmos estabelecer um processo contínuo de relacionamentos e aprendizados harmoniosos e valorizarmos com amor cada experiência que vivemos, poderemos reprogramar a mente e ver a vida como uma oportunidade de aprender a amar e a ser felizes por nós mesmos.
Utilizar uma nova linguagem permite reprogramar a mente de acordo com a ordem perfeita do Universo.
As falsas associações mentais são como as correntes que limitam o prisioneiro e o mantêm preso às suas penas e sofrimentos, restringindo sua capacidade de pensar harmoniosamente e de reprogramar sua mente com as informações da verdade. Por isso, ao substituir as associações falsas por outras verdadeiras, alcança-se um estado de liberdade mental. Ou seja, ao romper as associações falsas, destroem-se as correntes da prisão mental.
Ao renunciarmos total e definitivamente a todas as formas de culpa, a agressão, a vingança e o castigo desaparecem automaticamente. Dessa forma, deixamos de ser um perigo para os outros. Só então poderemos viver em uma civilização cuja base fundamental seja constituída pela liberdade, pelo respeito e pela convivência harmoniosa.
Nessa nova civilização, a pessoa terá as seguintes características: será alguém que mantém, em qualquer circunstância, um comportamento cada vez mais livre, pois é capaz de ser feliz por si mesma; será respeitosa, pois aceita todas as pessoas como são, sem tentar mudá-las; estará sempre disposta a fazer o que for necessário, independentemente de qualquer situação relacionada ao seu interior; será sábia, pois é especialista em viver feliz; também prestativa, pois sempre oferece as melhores informações — suficientes, eficientes e oportunas — e dedica a máxima qualidade ao que faz.
Quando uma pessoa decide não sofrer nem lutar e, ao contrário, se dedicar à convivência pacífica; quando decide respeitar os outros e servi-los, ela se torna um ser de amor com alto nível de consciência.
5.1 Falsas dicotomias
5.1.1 Verdade x falsidade
Em geral, nossas definições das coisas estão muito distantes da realidade da vida, mas é essa a informação que estamos transmitindo aos nossos filhos ao educá-los. O que acreditamos ser verdade não passa de limitações subjetivas.
A verdade ou a falsidade de uma crença pode ser reconhecida pelo resultado que obtemos ao agir com base nela: quando agimos seguindo crenças falsas, obtemos resultados bem mais insatisfatórios do que se agíssemos com mais sabedoria.
Quando uma pessoa está tomada pela angústia, pelo medo, pelo sofrimento e pela não aceitação da vida, a essa sensação de depressão corresponde um resultado externo de conflitos com as outras pessoas, luta contra a vida e desacordo com o entorno. A pessoa se sente ameaçada e tomada pelo medo, e tem muita dificuldade para levar a vida. Que conceitos ela mantém em seu interior? Verdades ou crenças? Sem dúvida, crenças falsas, pois a falsidade está associada ao que não funciona nem por dentro nem por fora. Se, ao contrário, a pessoa for capaz de encontrar a paz que habita em seu interior, aprendendo a valorizar as verdades, ela terá harmonia e será capaz de ser feliz por si mesma, independentemente do entorno. Assim, externamente, ela terá como resultado bons relacionamentos com os outros, com o mundo e com o entorno, e não se sentirá assustada, mas verá a vida como uma bela oportunidade de aprendizado.
Verdade é tudo o que pode funcionar de maneira correta, harmoniosa e perfeita. Se isso não acontece, é porque está construído sobre conceitos falsos. Todos os nossos problemas humanos têm origem em concepções falsas da vida.
A verdade precisa ter sido verificada e produzir sempre o mesmo resultado com os mesmos elementos. No entanto, pode acontecer que uma pessoa possua uma verdade e outra possua uma verdade diferente. Isso ocorre porque cada um dispõe de uma parte da verdade, uma porção insuficiente dela. Para entender isso de maneira simples, podemos imaginar o mapa da Espanha e transformá-lo em um quebra-cabeça de mil peças. A cada pessoa daremos uma peça, que será diferente das demais. Todas representam uma verdade do mapa, embora, por si só, cada peça seja insuficiente para compreender a estrutura do país. É isso que acontece com o Universo: nos sucessivos desenvolvimentos da consciência, vamos acumulando verdades parciais, ainda insuficientes para compreender a totalidade da estrutura do Universo.
Por outro lado, uma crença é aquilo que foi aprendido por meio da personalidade, mas que ainda não foi verificado.
5.1.2 Feio x bonito
Não existe nada feio nem bonito, existem apenas formas diferentes. O feio e o bonito estão na mente e nos olhos de quem observa e interpreta essa realidade. Para que uma pessoa consiga enxergar amor em tudo o que acontece, ela precisa limpar seus conceitos limitantes.
Por exemplo, se virmos nossa filha brincando com uma borboleta azul, como em nossa mente existe o conceito de que isso é muito bonito e muito fofo, transmitimos a ela aceitação e ternura, que ela associará à borboleta. Mas se a virmos brincando com uma barata, vamos gritar com ela, fazer um gesto de nojo e ainda lhe dar uma palmada. A menina, então, associará a barata à repulsa, o que se liga diretamente ao instinto. Em sua mente, ficará gravado que as baratas são nojentas, feias e perigosas, enquanto as borboletas são lindas e belas. Nenhuma das duas coisas é verdadeira, mas foi isso que transmitimos a ela por causa de nossos próprios traumas e crenças falsas.
A ideia é aprender a controlar nossas reações internas para não transmitir nossas limitações mentais. Se a virmos com a barata, podemos perguntar: “Como você se sente com esse bichinho?”.
Como estamos trabalhando com informações de sabedoria, diremos coisas muito concretas às crianças, como, por exemplo, que todos os seres vivos cumprem uma função importante no Universo, sem exceção. Temos funções diferentes, e a maneira de nos relacionarmos com cada um também pode ser diferente; por exemplo, com uma cobra ou com um cachorro, mas isso não significa nem que a cobra seja perigosa nem que o cachorro seja seguro, apenas existem maneiras distintas de nos relacionarmos com eles.
É muito difícil educar uma criança sem limitações se, como pai, mãe, professor ou professora, estivermos repletos delas. Devemos tentar limpar nossas limitações ou, pelo menos, não transmiti-las, se aspiramos a educar os pequenos.
5.1.3 Perigoso x seguro
Não existem coisas perigosas nem seguras, mas apenas situações necessárias. O fogo é perigoso? Não é, mas se colocarmos o dedo nele, nos queimamos. É apenas uma realidade; a dicotomia perigoso/seguro é um conceito que existe em nossa mente.
Uma pessoa com sabedoria e devidamente treinada não corre perigo em lugar algum, enquanto um inexperiente corre perigo em qualquer lugar. Portanto, o que é realmente perigoso? A ignorância. Por outro lado, o que pode nos dar segurança? A sabedoria, o treinamento, a habilidade de enfrentar a vida. Todo o resto são conceitos limitantes.
Para proteger nossos filhos e filhas, em vez de ensiná-los, nós os proibimos: em vez de mostrar a eles como lidar com o fogo, com os animais, com o ambiente, com a cidade, com tudo o que existe, nós os limitamos: “Não saia porque é perigoso, não entre na cozinha porque você pode se queimar, não faça isso porque você vai cair, não vá lá porque você vai sofrer um acidente, não suba no terraço porque, se você cair, vai morrer…”. Assim, o que estamos transmitindo a eles? Uma quantidade gigantesca de limitações.
A proibição também é um erro na educação, porque a criança vai tentar fazer às escondidas tudo o que é proibido. Existe uma piada sobre a proibição: uma criança chega à escola e o professor pergunta: “Como você se chama?”, e a criança responde: “Até ontem eu achava que me chamava ‘não’, mas agora sei que me chamo Alberto”.
A proposta é que ajudemos nossos filhos a aprender a ter segurança em si mesmos. Se não adquirirmos essa segurança, a vida será um desastre, pois tudo nos parecerá perigoso; mas, se a adquirirmos, não haverá nada de perigoso para nós, pois saberemos nos relacionar com os outros a partir da nossa própria segurança.
Para que a criança ganhe segurança em si mesma, é bom dizer a ela que é preciso treinar e que também é necessário aprender ou saber mais sobre a vida, mas que esta é uma oportunidade maravilhosa para desfrutar. Não digamos a ela que a vida é perigosa, porque não é. A criança vai codificar sua mente com a informação que os adultos lhe transmitirem, e isso pode ser feito de forma positiva ou negativa, dependendo da mensagem que lhe for enviada.
Se houver algo que não tenhamos verificado, o melhor é dizer isso claramente à criança: “É nisso que eu acredito, mas não é a verdade; então, vamos experimentar para ver o que acontece e quais resultados obtemos”. Dessa forma, mostraremos nossa flexibilidade mental.
5.1.4 Castigo e mentira vs. assumir resultados
O castigo não é eficaz para ensinar. Ele só inculca a mentira e a evasão, e a ser astuto para evitá-lo; mas com ele não se aprendem o compromisso, a responsabilidade, o respeito nem a atitude de assumir a própria vida. Em vez do castigo, pode-se utilizar uma ferramenta mais útil, que consiste em ensinar a assumir os resultados, as consequências dos atos. Se, por exemplo, um filho cometer um erro e acabar na delegacia, os pais poderão ir visitá-lo e dar a ele apoio e carinho, mas não tirá-lo da cadeia.
A mentira não é o oposto da verdade; o oposto da verdade é a ignorância. A mentira é simplesmente uma forma de defesa diante da agressão. Se castigarmos a criança, para evitar ser castigada novamente, ela dirá mentiras. E fará o mesmo se a proibirmos ou lhe impusermos as coisas: para se defender dessas formas de agressão, ela aprenderá, como parte do instinto de adaptação, a mentir, mas não estará desenvolvendo sua compreensão, e sim apenas uma habilidade que pode se tornar negativa e levá-la a não assumir o resultado de suas decisões, o que lhe causará muitos conflitos.
Os seres humanos tentam se adaptar ao meio e, se este for agressivo, buscarão uma forma de se defender dele por meio da mentira. Se alguém já está “instalado” na mentira, precisa fazer terapia. Existem adultos que são mentirosos profissionais; tudo o que dizem são mentiras, pois se acostumaram a fazer disso a sua ferramenta de trabalho.
5.2 Os erros mais comuns na relação com os filhos
Normalmente, nós, pais, cometemos muitos erros no processo de educação e na relação com os filhos, e isso se deve à falta de uma informação adequada sobre o verdadeiro sentido da educação, bem como à carência de ferramentas de amor. E isso acontece porque, até agora, não existiram verdadeiras escolas para pais. Além disso, raramente recebemos exemplos de amor que possam ser aplicados ao processo de educação e orientação dos filhos.
O amor não está associado ao sofrimento; se há sofrimento, não há amor. Pelo contrário, ele implica paz interior e harmonia, nos faz desejar a felicidade de alguém, com ou sem a nossa presença, e saber que cada um vive as experiências que lhe cabem, sem sofrer por isso, mas apoiando a pessoa.
Os erros mais comuns na relação com os filhos são estes quatro:
- Proibição. Assim como o controle constante que os pais exercem e tentam manter sobre os filhos. Ela não é apenas uma das causas da rebeldia, mas também limita o desenvolvimento da criatividade e do amor pela vida, além de produzir no adolescente frustração e incapacidade de assumir por si mesmo a experiência da vida. Quando proibimos algo a alguém, é porque não queremos nos sentir mal com o que essa pessoa faz, e isso é egoísmo. Além disso, é a proibição que abre o “apetite” pelo proibido.
- Imposição. A imposição é a segunda causa da rebeldia, além de ser um dos maiores fatores que limitam o desenvolvimento do respeito e da atitude de amor para com os outros. Ela produz rejeição à vida e incapacidade de valorizar o que se tem. Quando impomos algo a alguém, é porque não aceitamos o comportamento dessa pessoa, e isso implica egoísmo. Tudo o que tentarmos impor gerará rebeldia, rejeição, frustração, bloqueios e escudos que depois serão difíceis de desmontar.
- Agressão. Trata-se de um dos maiores erros nos relacionamentos. O efeito da agressão sobre as pessoas é devastador, pois destrói os sentimentos positivos e abre caminho para a crueldade e a violência, produzindo todo tipo de traumas psicológicos e limitações mentais para o desenvolvimento da paz, da felicidade e dos relacionamentos de amor. Outro efeito da agressão é o impulso de autodestruição, que não apenas implica rejeição à vida, mas também faz com que meninos e meninas desenvolvam, como consequência, um desejo inconsciente de se vingar dos pais e da sociedade. O adolescente produzirá sofrimento, rejeição e todo tipo de incômodo nos outros, que o verão mergulhado nos vícios, na delinquência, na mendicância e até mesmo no suicídio, que confronta muitas pessoas e fere profundamente os sentimentos. Agredimos alguém porque essa pessoa não se comporta como queremos, e esse é outro aspecto típico do egoísmo. Toda agressão causa traumas, ressentimentos e rancores que depois se somatizam e geram conflitos de convivência.
- Interferência. Quando os pais não sabem praticamente nada sobre o destino e a missão de seus filhos, tentam, inconscientemente, interferir nesse propósito perfeito, procurando orientá-los para metas, funções, atividades ou profissões que não correspondem ao seu desenho pedagógico — que seria aquilo que a criança vem ao mundo para aprender e ensinar. A interferência dos pais ou de qualquer outra pessoa produz no adolescente confusão, frustração, apatia e limitação de suas possibilidades de sucesso na vida. A interferência tem a ver com a proteção excessiva, com não permitir que cada um viva suas experiências; é a ajuda mal entendida. Não queremos que alguém viva uma experiência que possa lhe causar um problema, porque não queremos sofrer com isso. Isso também é egoísmo. Toda interferência faz com que as pessoas sejam incapazes de sobreviver por conta própria, transforma-as em inúteis que não assumem suas vidas e constituem um fardo para os outros e um sério problema para a sociedade. Interferimos, em resumo, quando fazemos pelo outro o que ele pode fazer por si mesmo, sem deixá-lo desenvolver suas habilidades para isso. Fazemos com que ele perca a experiência de aprendizado, impedindo que se fortaleça; assim, ele se tornará alguém fraco e incapaz. Seria como colocar um animalzinho em uma gaiola e depois soltá-lo na natureza: ele não sobreviveria nem cinco minutos.
Chamamos esses erros de armas da ignorância ou do egoísmo; logicamente, o uso de armas sempre gera guerras, violência e destruição. Renunciemos, portanto, às armas do egoísmo para pensar em viver em paz, e substituamos por elas as sete ferramentas do amor.
5.3 Três ferramentas para não cometer erros pedagógicos
- A primeira ferramenta é a firmeza: não permitir que a agressão ou a ameaça surtam efeito; se permitirmos, a criança se tornará manipuladora e recorrerá à ameaça, aos gritos e às agressões, porque sabe que isso funciona. Se isso não tivesse dado resultado, ela teria deixado de fazê-lo. Diante de uma birra, a terapia é não reagir, mas sentar-nos confortavelmente para observar a criança com zero agressão. Explicaremos a ela que não vai conseguir nada com hostilidade, chantagem, ameaça ou birra, e que o que quiser obter pode pedir por meio do diálogo, do compromisso e do respeito. É preciso acompanhar a criança durante a birra com um sorriso, porque, se formos embora, ela se sentirá abandonada. Trata-se de que veja que a amamos, mas que não nos alteramos, e que esperamos até que se acalme. Se nosso filho ou filha adolescente ameaçar sair de casa, podemos dizer: “Maravilhoso, a porta para sair e para voltar está aberta. Eu não estou expulsando você nem vou fechar a porta quando você quiser voltar. Se quiser viver a experiência de ir embora, pode fazê-lo; não vou sofrer por isso. Mas, se decidir ficar, então vamos chegar a um acordo; você decide”. Essa ferramenta se chama firmeza, não castigo, e, se no fim cedermos, botaremos a perder toda a pedagogia.
- A segunda ferramenta é a ajuda. Não se trata de fazer algo por ele, porque, nesse caso, ele nunca aprenderá a desenvolver suas faculdades, mas sim de fazer por outra pessoa algo que ela não consegue fazer por si mesma. Nesse caso, sim, convém ajudar.
- A terceira ferramenta é o respeito aos resultados. Nunca devemos assumir o resultado da decisão de outra pessoa, seja criança ou adulto, e é melhor utilizar a ferramenta pedagógica que substitui o castigo: o acordo, que não se faz por imposição, mas por compromisso.
Capítulo 6. Terapias de amor
As terapias de amor são necessárias quando a criança ou o adolescente estiveram submetidos à ignorância dos adultos, quando o peso dos grandes erros de seus pais recaiu sobre eles e eles foram atacados com as armas do egoísmo e da ignorância.
No momento em que o adolescente, ou qualquer outra pessoa, começa a manifestar confusão mental, conflito interior, comportamentos inadequados e rebeldia, e suas relações com os demais e com a vida se deterioram ou se tornam caóticas, é evidente que ele precisa de terapia de amor. Enquanto essas situações não tiverem se apresentado, não falaremos de terapia, mas simplesmente de educação.
A terapia de amor baseia-se no uso de ferramentas adequadas que facilitem a mudança interior e a libertação mental das limitações aprendidas pelo indivíduo por meio de uma educação traumática.
As principais ferramentas que podem ser utilizadas em uma terapia de amor são seis:
- Informação nova. Como o problema do adolescente se origina na forma como a informação está codificada em seu arquivo ou sistema de crenças, a primeira parte da terapia consiste em dar a ele novas informações que possam substituir as antigas. Se os pais não as têm, é necessário buscá-las em outras pessoas que realmente dominem a informação sobre o amor. Entre as primeiras informações que o adolescente deve receber, é de primordial importância que ele saiba e comprove que seus pais decidiram realizar uma mudança positiva em seu comportamento em relação a ele. É necessário informá-lo claramente de que os erros cometidos foram involuntários, mas que agora se dispõe de outra informação sobre o amor, que será utilizada para melhorar o relacionamento com ele. A nova informação sobre o amor permitirá que ele reconheça a forma adequada de aproveitar a vida. Trata-se de que ele compreenda o seguinte: “Existem formas melhores de obter resultados. Não é preciso protestar, nem ser rebelde, nem brigar, porque há outras formas que aprendi, e estou disposto a utilizá-las para que nosso relacionamento seja mais satisfatório”.
- Diálogo não conclusivo. É muito importante que o diálogo e a comunicação estejam sempre disponíveis no relacionamento com os adolescentes. A técnica do diálogo não conclusivo é uma forma de comunicação que oferece a resposta no final, com o propósito de que o adolescente possa tirar suas próprias conclusões. Essa técnica contribui poderosamente para que a pessoa assuma suas próprias responsabilidades sem culpar os outros por suas decisões. Além disso, facilita a mudança da estrutura mental limitante. Exemplos de diálogo não conclusivo com adolescentes rebeldes: Diálogo número 1:
- Eu gostaria de saber a razão pela qual…
- Quão importante é para você que os outros respeitem seus gostos?
- Quão importante é para você respeitar os gostos dos outros?
- O que você precisa para ser totalmente livre?
- O que você precisa fazer para que ninguém lhe imponha nada?
- O que impede você de ficar sozinho ou de morar em outro lugar? Diálogo número 2:
- Você acha que tem mais direitos do que os outros?
- Você acha que tem o direito de impor seus gostos aos outros?
- O que você precisa fazer para conviver em paz com os outros?
- Como você conseguiria fazer tudo o que quer sem chegar a acordos com os outros?
- Como você faria para ser independente?
- Como você conseguiria o dinheiro de que precisa para ser independente?
- Acordos autoassumidos. Os acordos são a forma adequada de definir as relações entre pais e filhos; nós os chamamos de autoassumidos porque não podem ser impostos por outra pessoa, mas devem ser aceitos por cada uma das pessoas envolvidas no acordo. Os acordos geram satisfação nas relações e substituem totalmente a imposição.
- Liberdade de experiência. “Ninguém pode ensinar a outra pessoa qual é o sabor de uma maçã sem permitir que ela a prove”. Essa frase nos mostra claramente a necessidade da experiência direta para compreender a vida. Quando os pais não concedem aos adolescentes liberdade de experiência, atrasam o amadurecimento emocional, sentimental e mental de seus filhos, transformando-os em pessoas incapazes de assumir compromissos. É claro que a liberdade precisa vir acompanhada da informação adequada, para facilitar a experiência e evitar o perigo da ignorância.
- Compromissos valorizados. A capacidade de assumir e respeitar compromissos é um claro indicador da maturidade mental de uma pessoa. Para facilitar o desenvolvimento da capacidade de compromisso nos adolescentes, é importante que os pais estabeleçam valores, representados em benefícios adquiridos. Assim, trata-se de que tudo o que eles recebam represente o resultado do cumprimento das funções e dos comportamentos acordados; e, por outro lado, de que, quando não receberem algo ou o perderem, tenham claro que isso não é responsabilidade dos pais, mas a consequência de suas próprias ações. Exemplo com adultos: se somos donos de uma padaria, assumimos um compromisso com os clientes. Eles sabem que às sete da manhã temos pão quentinho e, por isso, virão comprá-lo. Mas, se de repente, um dia, decidirmos não abrir a padaria, não estaremos cumprindo o compromisso com eles. Qual é o resultado disso? Acontece alguma coisa ou não acontece nada? O resultado é que perderemos a clientela. Reclamemos ou não, esse é o resultado de não mantermos nosso compromisso, e funciona da mesma maneira com adolescentes e crianças.
- Firmeza amorosa. A firmeza é uma ferramenta de amor que substitui totalmente as armas destrutivas da ignorância. Consiste em manter uma serenidade total e não ceder diante das tentativas de manipulação do adolescente que descumpriu um acordo ou um compromisso previamente estabelecido. Para sermos firmes, é necessário:
- Saber estabelecer acordos, gerando compromissos.
- Deixar os sentimentos de lado, utilizando em seu lugar a compreensão de amor como ferramenta de terapia. Se o diálogo não conclusivo não der resultado para chegar a um acordo, adotaremos uma “decisão unilateral”, informando disso a outra pessoa.
Por exemplo, no caso do adolescente rebelde, podemos dizer a ele que tem duas opções: chegar a acordos de convivência com os pais e cumprir certos compromissos, ou sair de casa. Não devemos cometer o erro de dizer: “Se você sair de casa, não volte mais”, mas sim: “Se você decidir sair de casa, pode fazê-lo; a porta está aberta tanto para sair quanto para voltar”.
6.1 O exemplo do adolescente que não quer estudar
Quando um adolescente, menino ou menina, se rebela e diz que não quer continuar estudando, podemos dizer a ele: “Sua função, por meio da qual você ganha o sustento neste momento, é o estudo, mas há outras funções, então você pode escolher outra. Se decidir não estudar, diga-me qual função quer assumir; vou dar a você várias opções para que escolha:
- Vou demitir a empregada e você fica responsável por passar, lavar, cozinhar…
- Você pode pedir esmola na rua.
- Você pode procurar um emprego.
Você não precisa me responder agora, pense alguns dias e depois me responda». Isso é o que se chama de terapia de amor; não há por que brigar. Dessa forma eles amadurecem e o problema acaba. É fundamental não se deixar ameaçar nem chantagear, nem tampouco fechar a porta para ninguém. A terapia é simples: firmeza e amor. Nunca digamos: «Não vou mais gostar de você, nunca mais volte para casa; se fizer isso, você não me vê mais». O melhor é deixar as opções abertas para ele e que ele decida.
Se aplicarmos o método da resistência, o conflito aumentará — porque prejudicamos os relacionamentos e complicamos o destino. É absurdo não aceitar que os outros não mudem, que não sejam como queremos; que nosso filho ou nossa filha fique sem estudos, ou não estude o que pretendemos. O método da resistência não funciona. Vamos soltar!, pois todo mundo tem pela frente uma função e um destino, e não temos por que interferir nisso. Os pais não são donos dos filhos; eles não lhes pertencem. Precisamos apoiar nossos filhos, mas não sofrer, pois quando sofremos ficamos totalmente manipuláveis, ao passo que, quando deixamos de sofrer, recuperamos o controle de nós mesmos.
Conclusões
- O verdadeiro propósito da educação não é transmitir conhecimentos, mas ajudar a desenvolver indivíduos saudáveis.
- Para criar uma nova sociedade, com alto nível de satisfação, precisamos preparar os adultos para que assumam um processo de orientação harmoniosa com os meninos e meninas, e para que desenvolvam processos de educação sustentados nos princípios do amor.
- Reconhecer o erro não implica culpar a si mesmo nem a outra pessoa.
- Aprender com os erros constitui a pedagogia do amor.
- Punir os erros constitui a pedagogia do horror.
- É preciso tomar decisões, mesmo que nos enganemos; permanecer indeciso bloqueia, enquanto decidir-se libera os bloqueios e permite que a energia flua.
- É imprescindível aceitar os filhos como são e reorientá-los com amor.
- Se aspiramos a educar com sabedoria, é necessário nos livrarmos de nossas próprias limitações mentais ou, pelo menos, não as transmitirmos às crianças.
- Apoiar o destino de nossos educandos exige firmeza.
- Apoiar a missão deles exige flexibilidade.
- Que a prudência não anule nossa decisão, mas que esta não se torne imprudente.
- Uma das funções da personalidade é experimentar a vida.
- É preciso utilizar as ferramentas pedagógicas: confiança, respeito, aceitação, assumir, valorizar, agir com serenidade, dar apoio, compreensão, firmeza e flexibilidade.
- É preciso abandonar as armas: castigo, proibição, agressão, imposição e interferência.
- O exemplo é sempre o melhor mestre.
- Poderemos amar a vida quando enxergarmos os problemas como oportunidades de aprendizado.
- Ao renunciarmos a qualquer forma de culpa ou castigo, deixamos de ser perigosos.
- Com informação, amor e firmeza, conseguimos fazer milagres na pedagogia. Não é preciso acreditar em nada do que foi exposto acima, mas sim praticar e verificar se essas informações funcionam e trazem resultados satisfatórios na vida. Com essas informações, temos três alternativas de ação:
- Guardá-la em nossa biblioteca.
- Levá-la conosco e ensiná-la a todo mundo.
- Fazer da informação parte de nós mesmos, de modo que se transforme em nossa maneira de agir. Somente nesse último caso obteremos resultados satisfatórios.
Exercícios de treinamento
Para praticar as técnicas pedagógicas na família você pode fazer o seguinte:
- Não castigar, porque não há culpados. Existem o erro e o aprendizado.
- Diante de um erro, utilizar o diálogo não conclusivo ou reflexivo e as perguntas:
- Como você fez para chegar a essa situação?
- Como você se sente com o resultado obtido?
- O que você aprendeu com ela?
- O que você faria para não cometer esse erro novamente?
- Tomar decisões e incentivar seus filhos a tomarem as próprias.
- Incentivar cada membro da família a assumir seus próprios resultados.
Exercício para ajudar a crescer
É importante observar a criança para descobrir o que ela vem aprender e ensinar a este mundo. Para isso, será útil fazer um quadro para cada menino ou menina, com duas colunas. Em uma delas, você anotará as situações de destino — as difíceis, as que a criança tenta evitar ou diante das quais sente medo —; e na outra, as situações de missão — as que a criança faz com facilidade, de que gosta, os sonhos que tem para o futuro… —. (É possível encontrar uma explicação completa desse exercício no Capítulo 4 deste tema).
Reprogramação mental
Cada pessoa faz o melhor que sabe, mesmo que se equivoque, e, se for assim, isso também é perfeito para que ela possa aprender
Na medida em que você tiver uma definição clara do significado de certas palavras ou termos filosóficos, estará programando sua mente com os princípios de harmonia, equilíbrio e amor. Pois, por um lado, o que pensamos fica gravado em nossa mente e mantém sua estrutura; e o que dizemos tem ainda mais força, porque, para falar, primeiro pensamos e depois expressamos, de modo que a expressão oral reprograma a mente de forma poderosa. Por fim, o que fazemos também exige pensar previamente. Portanto, o pensamento, a palavra e a ação estão constantemente reprogramando nossa estrutura mental; de modo que, se sempre nos comportarmos da mesma maneira, essa estrutura permanecerá estática, não se desenvolverá; mas, se decidirmos implementar mudanças em nosso comportamento, estaremos mudando também nosso pensamento e a forma como nos comunicamos. Imediatamente, a estrutura mental começará a se modificar em direção a uma sabedoria cada vez maior. Por essa razão, para pensar com sabedoria, você precisa redefinir previamente as características dos termos que utiliza.
Se você sempre fizer a mesma coisa com a mesma atitude, sempre obterá os mesmos resultados. Mude a informação, mude a atitude, e os resultados mudarão.
Em cada um desses temas, procuramos trazer clareza para que todos aprendamos a lidar com informações de sabedoria. Mas o verdadeiro trabalho é pessoal, único e indelegável, e é ele que produzirá o sucesso nos resultados por meio da prática constante sobre nós mesmos. Isso nos libertará do sofrimento e nos fará completamente amorosos com todos os demais seres, permitindo-nos educar para a felicidade.
