Contexto. Qual é o propósito da experiência humana?
Antes de abordarmos o próximo tema, convém nos situarmos em um contexto que propõe uma nova maneira de encarar a vida, um novo paradigma; ele nos permite ser mais felizes e compreender o ser humano. Não é necessário concordar com tudo o que será exposto a seguir, nem acreditar em nada, pois não estamos falando de crenças; basta verificar, na própria vida, os resultados de aplicar estas informações, para comprovar se são válidos para você.
Se esses resultados internos forem de felicidade, paz e harmonia, então saberemos que esta informação é verdadeira; se as vivências externas no que diz respeito a relacionamentos, saúde, recursos e adaptação ao meio melhorarem, então verificaremos que esta informação é sabedoria.
O propósito da experiência humana é evoluir, desenvolver nossa consciência para nos preencher de sabedoria e amor. Todos os seres humanos, sem exceção, viemos ao mundo para trabalhar em nosso desenvolvimento espiritual, compartilhando e participando de experiências com outros seres humanos. A vida é um formidável processo pedagógico do Universo; o planeta Terra é uma “escola espiritual” e cada experiência vivida pode ser comparada a um curso acadêmico.
O desenvolvimento espiritual é um trabalho interno, absolutamente individual e pessoal. Ninguém pode fazê-lo por outra pessoa, mas também não pode ser feito “sem o outro”; ou seja, precisamos da interação e da experiência com outras pessoas para poder elaborar nosso próprio desenvolvimento — para conhecermos a nós mesmos. Às vezes, em vez de assumirmos nosso próprio desenvolvimento, pretendemos interferir no dos outros; nesses casos, em vez de aprender com os outros, queremos mudá-los. O que se consegue com isso é distorcer o processo pedagógico, ou tentar distorcê-lo, e com isso complicamos nossa própria vida.
Somente compreendendo isso é possível ser eficiente ao se perguntar: o que a vida quer nos ensinar em cada situação?, já que toda situação é um aprendizado. Trata-se, em suma, de aprender a transmutar a ignorância em sabedoria.
Quando percebemos que o sofrimento está desaparecendo, que a paz interior se torna invulnerável e que a própria capacidade de criar, fazer, amar e servir se expressa sem qualquer condição ou restrição, isso significa que alcançamos a sabedoria.
Para estabelecer as bases de uma nova civilização que proporcione um maior nível de satisfação a todas as pessoas, é necessário começar por nos harmonizarmos a nós mesmos. Para isso, é indispensável estudar as Leis Universais e aplicar os princípios que conduzem à sabedoria. É preciso levar em conta que somente por meio da prática constante e do abandono das teorias e conceitos que se revelarem equivocados é que chegaremos realmente à sabedoria. Assim será possível desenvolver a paz e a harmonia diretamente na prática, com o ensinamento da vida diária, pois a vida é a melhor escola e a natureza, a melhor mestra.
Para alcançar a eficiência, basta deixar de se opor à ordem perfeita do Universo; a ineficiência mental é necessária para descobrir, por meio da saturação, que existem as Leis do Universo. Quando já sofremos o suficiente, estamos preparados para compreender as Leis. Para cessar o enfrentamento externo, primeiro precisa cessar o interno; e, para isso, é necessário ter aceitado que tudo o que existe e tudo o que acontece é perfeito e necessário, porque tem um propósito de amor.
O estudo e a compreensão do porquê das coisas que existem e acontecem podem nos conduzir ao reconhecimento das Leis, que, por sua vez, permitem criar um futuro melhor para a Humanidade.
Existem sete Leis do Universo que regem a totalidade de seus processos de criação, administração e evolução. Dessas sete, quatro são fundamentais, pois controlam o desenvolvimento e a evolução da consciência da espécie humana em qualquer lugar do Universo. Essas quatro Leis formam o triângulo inferior delas, enquanto a Lei da Evolução é a superior, a que rege o triângulo inferior — também chamado de triângulo do inferno, por ser a parte mais baixa das Leis Universais —.
Estaremos dentro da Lei quando amarmos, desfrutarmos e valorizarmos o que temos. Tudo o que está dentro da Lei funciona e flui por si só.
Tudo o que traz sofrimento, angústia, dor e doença ocorre porque vamos contra as Leis, e é por meio disso que passamos a reconhecê-las. Os resultados que obtemos quando saímos das Leis nos permitem reconhecer sua existência. É necessário cometer erros para poder descobrir a Lei. Os erros não são o problema; o problema é não aprender com eles.
A Lei foi concebida para que nós mesmos façamos uma mudança, e não para que tentemos mudar os outros.
Como se pode ver nos quadros a seguir, a experiência humana é regida por quatro Leis específicas.
| LEI | POSTULADOS | EFEITOS DA VIOLAÇÃO DA LEI |
|---|---|---|
| NATUREZA |
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Mal-estares físicos: desnutrição, doenças, vícios, degeneração, miséria, fome, deficiências físicas e mentais, malformações físicas, desequilíbrio ecológico, erosão, pragas, redução da longevidade… |
| LEI | POSTULADOS | EFEITOS DA VIOLAÇÃO DA LEI |
|---|---|---|
| HARMONIA |
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Mal-estares psicológicos e problemas de relacionamento: desconfiança, medo, distanciamento, isolamento, individualismo, solidão, tristeza, depressão, brigas, timidez, falta de comunicação, desunião, fronteiras, traumas, complexos… |
| LEI | POSTULADOS | EFEITOS DA VIOLAÇÃO DA LEI |
|---|---|---|
| CORRESPONDÊNCIA |
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Mal-estares no âmbito da vida individual: bloqueios, insatisfação, dificuldade para ter sucesso no que se faz, disputas desgastantes contra as circunstâncias da vida, incapacidade de assumir a própria vida, medos, angústias, frustrações constantes... |
| LEI | POSTULADOS | EFEITOS DA VIOLAÇÃO DA LEI |
|---|---|---|
| EVOLUÇÃO |
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Mal-estares sociais: rebeldia, anarquia ou autodestruição, quando se limitam as experiências a serem vividas; guerras, greves, violência, revoluções, criminalidade, ódio, conflitos, quando se impõem os conceitos humanos. |
Nos quadros anteriores vemos, à direita, os efeitos de violar a Lei. No tema sobre as Leis do Universo encontraremos também uma explicação sobre os benefícios de não violar a Lei.
É importante não confundir as Leis Universais com as leis humanas nem com as normas; as primeiras são imutáveis e irrevogáveis, originam-se na sabedoria do Absoluto ou da Divindade e, por isso, são absolutas; não podem ser modificadas nem negociadas, e sua desobediência implica um resultado negativo — no sentido de desagradável — e também um positivo — no sentido do aprendizado que isso traz. Por isso se diz que, na verdade, nós, seres humanos, não construímos leis, mas ditamos normas; nós as chamamos de leis humanas, mas são normas, porque são revogáveis, transitórias e úteis para um momento dado.
Viemos ao planeta Terra para desenvolver as três virtudes internas: Felicidade, Paz interior e Amor ou Serviço aos demais. Esse desenvolvimento traz excelentes resultados nos quatro âmbitos: Relacionamentos, Recursos, Saúde e Adaptação ao meio:
A ideia é utilizar essas virtudes para nos relacionarmos com o externo. Aprender a ser felizes, a ter paz e a amar é o verdadeiro propósito que nos trouxe, a nós, seres humanos, ao mundo físico da matéria.
| VIRTUDES | CARACTERÍSTICAS | CIÊNCIA EM QUE SE ESTUDA | REPRESENTA OU SE DESENVOLVE EM |
|---|---|---|---|
| Felicidade | 0% de sofrimento 100% de compreensão 100% de autovalorização |
Aceitação | A função |
| Paz | 0% de conflitos 0% de reatividade 0% de confrontos 100% de respeito |
Assumindo a vida com sabedoria | O destino |
| Amor | 100% de capacidade de serviço 0% de resistência, 0% de medo 100% de adaptação 100% de compromisso |
Incondicionalidade | A missão |
A felicidade, a paz e o amor são princípios da essência divina; não têm polaridade, mas são imutáveis.
Aprender a ser felizes:
- Para aprender a ser feliz, basta enfrentar tudo aquilo que você acredita que lhe tira a felicidade.
- Para ser feliz, não é preciso nada externo, apenas compreensão e uma determinada atitude mental.
- A não aceitação é a única causa do sofrimento; é preciso deixar de se opor à realidade.
- É fundamental deixar de trabalhar nos outros e fazê-lo única e exclusivamente em si mesmo, modificando dentro de si aquilo que incomoda (o ego) para que deixe de incomodar.
- Se há sofrimento, deve-se fazer uma única pergunta: o que é que eu não estou aceitando? Aí estará a resposta.
- Todas as pessoas, sem exceção, têm o necessário para serem felizes; no entanto, pouquíssimas sabem ser felizes com o que têm. Aprender a ter paz:
- Nenhuma coisa ou pessoa proporciona paz.
- A paz interior é o resultado do próprio desenvolvimento espiritual, não um dom.
- O manejo da paz requer vários elementos: informações claras e precisas para compreender que a vida é um processo de amor e que o mal não existe, a habilidade de administrar a própria energia vital e treinamento.
- Se perdemos a paz, precisamos nos perguntar: “A que estou resistindo?; o que quero mudar?; a quem estou culpando?”. Aprender a amar o próximo como a si mesmo:
- Para isso, basta participar ou conviver com pessoas cujos comportamentos sejam muito diferentes dos nossos, a fim de aprender a amá-las e respeitá-las exatamente como são.
- O amor não pode ser ofendido; é invulnerável, imutável, universal e neutro.
- O amor pressupõe uma compreensão total do Universo; é uma forma de ser e não precisa de um “objeto” no qual se projetar.
- O amor não é uma força, mas uma ferramenta.
- O amor não é um sentimento.
- Amar é sempre dar o melhor de si.
- Se houver desmotivação, o melhor é pensar por que estou permitindo que essa situação específica limite minha capacidade de servir, que, na verdade, não deve depender dos eventos externos. Ao desenvolver as três virtudes internas, obtêm-se excelentes resultados externos nos quatro âmbitos:
- Nos relacionamentos.
- Nos recursos.
- Na saúde.
- Na adaptação ao meio. Na experiência de vida de qualquer ser humano, estão presentes cinco elementos: o propósito, o destino, a missão, a função e a intenção.
1. O propósito
Existe um propósito de Amor que nos trouxe ao mundo da matéria; é o objetivo perfeito de aprendermos duas coisas:
a) Ser feliz por si mesmo, ou seja, não depender de nada nem de ninguém para desfrutar de paz interior e felicidade.
b) Amar o próximo como a si mesmo, ou seja, respeitar os direitos de todos os seres do Universo.
E como se aprende isso? Aqui é possível ver a perfeição do desenho pedagógico do Absoluto. Para realizar o exercício de aprender a ser feliz por si mesmo, é preciso viver em um lugar, com determinadas pessoas e em circunstâncias nas quais tudo o que aconteça ao redor seja mais ou menos agressivo. Dessa forma, perceberemos que nosso problema não se deve ao que ocorre ao redor, mas à maneira como nos relacionamos com isso, e à rejeição e à resistência que colocamos em ação.
Quanto à segunda parte, amar o próximo como a si mesmo significa respeitá-lo tal como ele é, não tentar mudá-lo, não oferecer resistência aos outros. É necessário viver em um lugar onde as pessoas ao nosso redor pensem de maneira diferente, tenham costumes variados e acreditem em coisas distintas. Dessa forma, aprenderemos a amá-las como são, sem julgá-las nem condená-las. É assim que se cumpre o propósito de Amor; essa é a verdadeira razão pela qual nós, seres humanos, estamos no planeta Terra.
Há mais de 2.000 anos, o Mestre Jesus nos ensinou isso quando disse: “Ame seus inimigos”; que não são nossos inimigos, mas sim pessoas que pensam de maneira diferente.
Ser feliz significa experimentar zero sofrimento diante do que acontece; e amar significa oferecer zero resistência aos outros. A sabedoria é igual ao amor, não ao sentimento. Quem tem amor se importa muito com os outros, mas não sofre; já a pessoa que não possui sabedoria, mas tem bondade, se importa muito com os outros, mas sofre enormemente. Aquele que não se importa, o indolente, o indiferente, esse não possui sabedoria nem bondade.
2. O destino
É isso que viemos aprender do mundo da matéria — aprender a manejar as sete ferramentas de Amor para ter uma paz invulnerável —; é uma grande oportunidade para aprender o que nos falta.
Todos nós trazemos ao mundo um destino inevitável e extremamente valioso. A cultura nos ensina a tentar fugir do destino, em vez de nos mostrar como aproveitá-lo. A chave para aproveitar o destino é: “Você tem a capacidade de desfrutar de qualquer coisa que fizer, porque essa capacidade está em você”. No entanto, se alguém disser ao filho: “Você tem que fazer sempre o que gosta”, isso vai gerar nele um enorme bloqueio.
O destino é um desenho pedagógico cujo propósito é permitir que os seres humanos verifiquem e descubram uma informação que rege o Universo e sua ordem perfeita. Portanto, é a melhor oportunidade para transcender todas as limitações humanas. Em vez de reclamarmos das dificuldades que a vida apresenta, devemos aproveitá-las como uma grande oportunidade para transcendê-las; assim, elas desaparecerão para sempre. Se não aprendermos com as dificuldades, longe de desaparecerem, elas se complicarão, permanecerão e se tornarão permanentes.
3. A missão
Consiste naquilo que podemos ensinar no mundo da matéria. É preciso desfrutar intensamente da missão, seja ela parte da própria função ou não.
A missão permite recuperar uma grande quantidade de energia vital investida no exercício de aprender a ser feliz. Missão é aquilo que já foi compreendido, aquilo que já se sabe; portanto, pode ser empregada para servir aos outros e, ao mesmo tempo, desfrutar intensamente.
Tanto a missão quanto o destino estão representados na personalidade: este último por meio do sistema de crenças, e aquela por meio da compreensão. À medida que transmutarmos nossa ignorância em compreensão e sabedoria, teremos cada vez mais missão e, portanto, mais satisfação.
4. A função
É o que cada um faz para ganhar o seu sustento; consiste em colocar todo o entusiasmo, alegria e amor possíveis no que se faz, ainda que isso não faça parte da missão.
Sabemos que todos os seres vivos têm uma função dentro da ordem do Universo. É preciso sabedoria para assumi-la com alegria, com entusiasmo, com total capacidade de ação e serviço. A função não consiste em “ganhar a vida”; a vida não se “ganha”, porque é um dom divino. O que se ganha é o sustento dessa entidade biológica, desse corpo.
Assim, temos o sustento garantido como resultado da função. Quem é feliz e desfruta do que faz sempre terá abundância de recursos.
5. A intenção
É o que queremos para nós mesmos ou para os outros. A intenção deve ser orientada de forma a não interferir nos destinos dos outros nem tentar fugir do próprio destino.
A intenção é o elemento mais complexo para os seres humanos atuais, porque o sentimento, a ideia de bondade e as demais ideias que a cultura nos transmitiu erroneamente nos levam constantemente a tentar interferir no destino dos demais. Se aceitássemos que o destino é algo extraordinário e não “ruim”, que é a melhor oportunidade de que dispomos para que se cumpra aquilo que viemos fazer no mundo, deixaríamos de tentar mudar o destino dos outros.
Quando um filho quer se emancipar e os pais se opõem, como agiremos para não interferir? Sempre queremos que as coisas funcionem do nosso jeito. Nesse caso, os pais consideram que não é o momento adequado porque o filho não tem um trabalho estável, por exemplo, e não querem que ele saia de casa. Os “quero” são a causa do sofrimento. O “quero” também é chamado de egoísmo inconsciente, porque queremos que os outros sejam felizes fazendo o que nós queremos que façam.
O que seria sábio e amoroso nesse caso? Dizer ao filho: “Para nós, o mais importante é que você seja feliz e encontre o seu caminho; portanto, respeitamos a sua decisão. Saiba que, se quiser voltar, a porta estará sempre aberta”.
Em suma, a sabedoria implica ter clareza quanto ao propósito, aproveitar o destino, desfrutar da missão, assumir a função e manejar a intenção de não interferir no destino alheio, e exige que tudo isso seja praticado em pensamento, palavra e ação.
Capítulo 1. O que são a abundância e a incondicionalidade?
1.1. A abundância
Por natureza, todos temos acesso à abundância, mas as limitações do ego geralmente não permitem que essa característica se torne realidade. Tais limitações representam uma falta de compromisso sustentada na falsa ideia de que ele restringe a independência ou a liberdade da pessoa. Isso leva, por sua vez, a nos isolarmos, a não compartilharmos e, dessa forma, a anularmos a possibilidade de gerar o movimento da riqueza universal por meio de nossas ações.
A abundância é o estado natural do Universo. É tão natural quanto o fato de o sol estar sempre “lá em cima”; às vezes não conseguimos vê-lo, porque há nuvens que o cobrem, mas assim que elas se afastam ele reaparece; ele sempre esteve lá.
Eckhart Tolle explica, em uma frase de seu livro El Poder del Ahora, o grande erro que cometemos ao confundir a abundância com a posse de bens materiais: “Assim que obtemos os bens materiais, percebemos que o vazio ainda está lá, que não tem fundo”.
Por sua vez, Mabel Katz, em seu livro El camino más fácil, conta a seguinte história enriquecedora:
“Uma mulher saiu de casa e viu três anciãos de barbas longas sentados em frente ao seu jardim. Como não os conhecia, disse-lhes: ‘Acho que não os conheço, mas talvez estejam com fome. Por favor, entrem na minha casa e comam alguma coisa’. Eles perguntaram: ‘O homem da casa está?’. ‘Não’, respondeu ela, ‘não está’. ‘Então não podemos entrar’, disseram eles. Ao entardecer, quando o marido chegou, a mulher contou o que havia acontecido e ele disse: ‘Diga a eles que cheguei e convide-os a entrar!’. A mulher saiu de novo para convidar os homens a entrar em sua casa. ‘Não podemos entrar os três juntos’, explicaram os anciãos. ‘Por quê?’, quis saber ela. Nesse momento, um dos homens apontou para os outros dois e disse: ‘Ele se chama Riqueza e ele, Sucesso. Meu nome é Amor. Entre e decida com seu marido qual de nós três vocês desejam convidar’. A mulher voltou para dentro de casa e repetiu a história ao marido. O homem ficou feliz. ‘Que bom! Já que é assim, vamos convidar a Riqueza. Deixemos que ela entre e encha nosso lar de abundância’. A esposa não concordou: ‘Querido, por que não convidamos o Sucesso?’. A filha do casal, que estava ouvindo a conversa do outro lado da casa, chegou correndo com uma ideia: ‘Não seria melhor convidar o Amor? Assim nosso lar estaria cheio de amor’. ‘Vamos ouvir nossa filha’, disse o marido à esposa. ‘Vá e convide o Amor para ser nosso hóspede’. A esposa saiu e perguntou aos anciãos: ‘Qual de vocês é o Amor? Queremos que ele seja nosso convidado’. O Amor se levantou e começou a caminhar em direção à casa. Os outros dois anciãos se levantaram e o seguiram. Surpresa, a mulher lhes disse: ‘Eu convidei somente o Amor, por que vocês também estão vindo?’. Os anciãos responderam em uníssono: ‘Se você tivesse convidado a Riqueza ou o Sucesso, os outros dois teriam ficado do lado de fora. Mas você convidou o Amor e, aonde quer que o Amor vá, nós vamos com ele’”.
A abundância e a prosperidade têm a ver com a nossa consciência. Quando sabemos quem somos, já temos tudo de que precisamos. Nesse momento, somos ricos. Ao abrirmos nosso coração e confiarmos, damos permissão para que tudo se manifeste em nossas vidas.
Onde há amor, há riqueza e sucesso.
O amor também pode ser definido como a capacidade de manter excelentes relacionamentos que beneficiem todas as partes. Para quem sabe amar e ser feliz, tudo o mais lhe será dado por acréscimo. Por outro lado, quem impõe condições ao seu amor e à expressão de seus valores não consegue abrir as portas da abundância.
A abundância não consiste em uma quantidade específica, mas na relação entre os recursos que se utilizam e as necessidades que se devem suprir. Estar em abundância implica estar em harmonia, em equilíbrio. Quanto à prosperidade, trata-se de uma curva de ampliação do serviço que aumenta os recursos. Por fim, a escassez ocorre quando há mais gastos do que receitas, não importa o volume de recursos que se administre.
Ter a capacidade de desfrutar sem limites de tudo o que está à nossa disposição no Universo é a maior riqueza que existe. É “rico” quem desfruta de sua função e não precisa conquistar nada, pois o simples fato de se deleitar com o que faz o torna correspondente aos recursos e aos elementos da abundância.
Quem é feliz e desfruta de tudo o que faz sempre terá abundância de recursos.
Ou seja, a quem desfruta do que faz corresponde receber tudo em abundância. Mas a quem entra em conflito para ganhar a vida corresponde sofrer com o pouco que recebe.
A abundância está garantida para quem é capaz de desfrutar de qualquer ofício.
Enquanto não desfrutarmos do que fazemos, não estaremos olhando a vida com amor, mas sofrendo com ela; portanto, nos encontraremos cheios de limitações e não de paz.
Como é possível se conectar com a abundância? Utilizando os valores da sabedoria, que são:
- A confiança, ou seja, ser confiável em todos os sentidos.
- O compromisso com tudo o que se faz.
- A lealdade aos próprios compromissos.
- A disposição permanente para servir.
- O respeito aos direitos de todos os seres.
- A abertura para aprender.
- A valorização de tudo o que se tem, existe e acontece. Qualquer aspecto relacionado ao processo de desenvolvimento espiritual é abundante, próspero, satisfatório e gera felicidade em todas as áreas. As ideias que nos transmitiram de que a espiritualidade é pobreza, miséria ou humildade mal compreendida são crenças falsas; jamais algo tão belo quanto o desenvolvimento do espírito poderá corresponder a algo miserável. Se uma pessoa tem uma concepção mental — que lhe ensinaram — segundo a qual a espiritualidade implica viver de forma miserável, então ela viverá dessa maneira, acreditando que isso é o correto. E isso acontecerá até que a pessoa se sature dessa situação. Mas tal concepção é equivocada, pois não há nada mais abundante e maravilhoso do que o Universo inteiro. Se essa concepção mental resulta em uma vida de pouca satisfação, bastará mudá-la, porque essa é a origem do que acontece na vida. Ao compreender que as próprias situações e os resultados que cada um obtém procedem de sua concepção mental, imediatamente se dispõe de uma ferramenta poderosa: deixar de culpar os outros ou a vida pelo que acontece conosco.
1.2 A incondicionalidade
A incondicionalidade é a capacidade de estar sempre disposto a servir a qualquer pessoa, com alegria e entusiasmo, em qualquer circunstância.
Os valores que constituem a incondicionalidade estão presentes em todos os seres humanos, sem exceção, mas poucas pessoas sabem como utilizá-los. A incondicionalidade é uma qualidade absoluta, que implica oferecer e compartilhar os melhores valores que a pessoa possui, sem restrições e sem qualquer condição.
A virtude da incondicionalidade se expressa por meio do princípio universal da semeadura e da colheita: não cabe ao semeador decidir onde sua semente cairá. Ou seja, se uma pessoa pensa primeiro em quem merece receber uma demonstração de amor, ela já está impondo uma condição restritiva aos seus valores internos. Por isso, manifesta-se imediatamente sua limitação mental para oferecer e compartilhar seu potencial de riqueza interior. Assim, a pessoa limitará profundamente sua capacidade de receber e fechará as portas para o fluxo da abundância do Universo. Isso ocorre porque quem limita seu potencial interior não está comprometido com seus valores, não os reconheceu e não pode se beneficiar deles e, em suma, não é confiável nem tem capacidade de servir.
Para a incondicionalidade, são fundamentais o entusiasmo, a alegria e a vontade de fazer coisas. Essas são qualidades que estão dentro de nós. Em nosso interior residem:
O sentimento. É uma ferramenta muito poderosa de autoconhecimento e ação. Mas, para que a ação seja positiva, é necessário direcionar o sentimento, assim como o pensamento, de forma voluntária. É preciso usá-lo para sentir prazer, satisfação, admiração, carinho… O manejo do sentimento é uma verdadeira arte; se não for feito com sabedoria, ele se volta contra a própria pessoa.
O desejo, ou seja, a vontade de fazer algo. Está associado ao entusiasmo. Se não houver vontade, se a pessoa cair na apatia, na depressão ou em qualquer estado que diminua o entusiasmo, também não será possível aplicar a incondicionalidade. Trata-se de um trabalho interno e profundo, pois a vontade não está fora, mas dentro de nós. São desejos de colocar em prática nossos próprios valores, independentemente do que aconteça lá fora.
Saber que somos capazes. Saber, não acreditar; essa distinção é importante. “Somos capazes” porque os valores e a capacidade residem em nós desde a origem. É fundamental saber que é possível respeitar todos os seres vivos, ser 100% confiável, servir incondicionalmente, ser especialista em qualquer coisa que se proponha a praticar e ter a capacidade de se comprometer profundamente… A falta de compromisso é um dos aspectos do fracasso. E se a pessoa acreditar que não tem, que não vale, que não é capaz, estará fadada ao fracasso.
Os valores e as virtudes são características inatas, permanentes e constantes, e passam por um processo de desenvolvimento; já as limitações — que também chamamos de “freios” — são características culturais, aprendidas. Isso significa que essas limitações e restrições são temporárias: não nascem conosco, não provêm da linha de criação de nossa essência, mas são adquiridas ao longo do caminho com o propósito de desenvolver uma virtude extraordinária, a virtude da pureza, da invulnerabilidade. Adquirimos limitações com o objetivo de aprender a nos desapegar delas para nos tornarmos invulneráveis. No entanto, mesmo sendo temporárias, quando se manifestam, elas anulam a expressão dos valores que já residem em nós. Esse é o problema a ser resolvido para termos acesso a uma vida verdadeiramente satisfatória em todos os sentidos. E é isso que estamos aprendendo.
A única maneira de alcançar a virtude da incondicionalidade, portanto, é que cada um se desapegue das limitações que o impedem de expressar suas virtudes.
As limitações também estão associadas ao sentimento e ao desejo, a ter vontade; mas não ao saber, e sim ao crer, porque a sabedoria não tem polaridade, mas é essência de amor. Uma situação negativa pode ser gerada por uma crença falsa.
Existem diferentes tipos de limitações, de acordo com aquilo a que estão associadas:
Ao sentimento: consistem em sentir rejeição, desagrado, decepção, ódio, rancor, culpa, ressentimento, ciúme etc. Esse tipo de sentimento bloqueia totalmente a expressão do valor. Por que sentimos essas coisas tão lamentáveis? Fazemos isso por causa do sistema de crenças que a cultura nos transmitiu erroneamente. Portanto, a menos que a pessoa trabalhe na limpeza de sua mente, a incondicionalidade não é possível. Precisamos fazer “alquimia”, ou seja, direcionar o pensamento voluntariamente a partir da compreensão que se conecta com sentimentos de amor. Do jeito que a pessoa pensa, assim conectará seus estados internos.
Para ter um pensamento de amor, é preciso dispor previamente de informações de compreensão suficientes; assim, teremos uma ferramenta por meio da qual direcionar esse pensamento. De acordo com a Lei da Compensação, precisamos oferecer coisas supremamente positivas e amorosas, para que o que volte para nós seja igualmente satisfatório.
Ao desejo: quando se tem vontade de criticar, agredir, oprimir, julgar os outros, reclamar constantemente, mudar os demais… Isso anula totalmente as possibilidades de sucesso na vida, pois bloqueia a expressão dos próprios valores. Em outras palavras, uma pessoa que deseja fazer essas coisas está impondo condições absolutamente restritivas ao uso de suas virtudes. A isso o Mestre Jesus chamou de tentações do pensamento.
Ao crer (e não ao saber): a pessoa que acredita que não vale, que não pode, que ao se comprometer com algo perde a liberdade; aquela que acredita que os outros não merecem o que ela faz por eles, que alguém tem que pagar pelo que aconteceu…; quem acredita em tudo isso está expressando uma quantidade gigantesca de limitações e tem totalmente bloqueada a possibilidade de acessar uma vida satisfatória.
Precisamos realizar um trabalho interno para reverter esse processo que a cultura nos incutiu; é nisso que consiste nosso desenvolvimento espiritual. E as três ferramentas ou elementos que permitem despertar o princípio da incondicionalidade — ou seja, a expressão de nossos valores originários sem condição e sem qualquer restrição — são:
Compreensão da ordem do Universo: compreender que o mal não existe, que a única coisa que existe no Universo é um processo orientado pelo Amor para a evolução e o desenvolvimento espiritual. Com base nisso, tudo o que ocorre ao nosso redor ou o que vivenciamos pessoalmente é perfeito e necessário, pois tem um valor importante para cada um de nós, para o nosso aprendizado.
Assim, a primeira “ferramenta” baseia-se em possuir a informação sobre a verdade do Universo. Essa informação, por sua vez, nos leva a compreender que o mal não existe; nem mesmo o bem existe — são polaridades cuja interação dá origem a uma compreensão. Então, o que existe, se não há bem nem mal? Existe algo muito belo: o propósito do Amor, que tem origem no próprio centro da criação do Universo.
O propósito do Amor nos leva a desfrutar das experiências necessárias para alcançar a compreensão da própria ordem do Universo e descobrir a verdade por meio da observação dos resultados obtidos.
Com essa informação de sabedoria, já temos a base para direcionar o pensamento para tudo o que acontece ao nosso redor.
O pensamento de amor conecta os sentimentos e estes, por sua vez, conectam a capacidade e o desejo de agir com o sentimento positivo originado do amor. Dessa forma, é possível começar a expressar os próprios valores de maneira incondicional e, devido à Lei da Compensação, tudo o que o Universo reservou para cada um começa a retornar.
Vamos banir o “não” e pensar: “Eu tenho valor, eu sou capaz. Nunca perderei a liberdade, pois ela depende de uma decisão interna, não tem nada a ver com o que acontece lá fora. Os outros sempre merecem o melhor de mim, e não tenho por que oferecer nada que não seja isso. Que os outros recebam e valorizem isso ou não, não tem nada a ver comigo; é problema deles. Não tenho por que impor uma condição aos meus valores só porque os outros têm uma restrição mental. Não é uma questão que eu deva resolver; meu dever é expressar meus valores sem condição nem restrição. Os outros decidirão o que fazer com isso; isso já não depende de mim”.
Em toda situação, há uma oportunidade de aprendizado para cada pessoa. Tudo o que ocorre no mundo físico tridimensional — ou seja, o que acontece ao nosso redor, as experiências que vivemos — tem origem em um mundo não físico situado dentro de nós, que é o mundo espiritual. Se acreditarmos no contrário, cometemos o erro de tentar modificar o que acontece lá fora para encontrar uma satisfação que não encontraremos. É isso que temos feito há milhares de anos, sem obter resultado.
Nossa proposta é totalmente diferente: trata-se de esquecer o que acontece lá fora e começar a trabalhar com o que acontece dentro de nós. Isso é algo que deveria estar sob nosso total controle pessoal; é o que podemos dirigir e conduzir, se aprendermos a fazê-lo. Já o que acontece lá fora está totalmente fora do nosso controle; não podemos dirigi-lo, comandá-lo nem organizá-lo, porque não depende de nós mesmos, mas de outras pessoas.
Apresentamos a seguir alguns exemplos das condições e limitações que costumamos impor à vida:
“Com toda essa insegurança, como vou conseguir ficar em paz?”. Isso é uma restrição, é impor uma condição à paz interior.
“Mas como posso confiar nos outros? Se existe um alto nível de
corrupção, nunca se sabe quando alguém pode te assaltar”. Essa é uma condição para a confiança.
“Não consigo servir com mais eficiência porque me pagam muito pouco; com
esses salários tão baixos, como é que a gente consegue trabalhar com entusiasmo?”. Trata-se de uma condição imposta aos próprios valores.
“As outras pessoas não merecem o que faço ou o que dou”. Isso implica impor uma condição ao nosso serviço.
E assim por diante. Inconscientemente, vamos impondo uma série de restrições e bloqueios ao uso dos próprios valores. Isso tem a ver com a própria limitação mental. É claro que a consequência é muito fácil de deduzir: o que pode retornar a uma pessoa que oferece tão pouco à vida? Quase nada. E, naturalmente, a Lei de Causa e Efeito entra em ação: se alguém está repleto de limitações, que além disso expressa, essas mesmas limitações retornam a ele.
O que propomos é nos livrarmos de todas as limitações e restrições. Não nos interessa o que acontece lá fora, nem o que os outros fazem, nem seu nível evolutivo, nem os processos pelos quais estão passando, nem seu destino, porque nada disso depende de nós. Em contrapartida, interessa-nos apenas uma coisa que realmente depende de nós: oferecer a cada ser, pessoa ou circunstância com a qual nos relacionamos 100% do que há de melhor em nosso interior.
Uma das grandes condições restritivas que impomos aos nossos valores são os objetivos, as metas. Quando estabelecemos metas e objetivos em nossa vida, desviamos nosso fluxo energético, pois não sabemos se conseguiremos ou não alcançá-las, nem se tais objetivos nos correspondem. Essa circunstância gera ansiedade, o que, por sua vez, diminui nossa capacidade de ação. É claro que isso é uma restrição. Não devemos impor restrições à vida; podemos, sim, ter propósitos.
Não se deve impor condições ao Universo só porque cometemos um erro. Basta se abrir para receber o que vier, o que a vida tiver preparado para nós; mas sem condições, nem em relação a quem se destina o nosso serviço, nem quanto receberemos em troca. Basta dar o melhor de si e nunca se fechar para receber. Ou seja, nunca se deve pensar: “A vida está me dando muito”. Também não se deve pensar que a vida concede muito pouco; a cada um ela dá o que corresponde à sua capacidade de serviço. Se essa capacidade se ampliar, chegarão muito mais recursos. Esse é o segredo, e chama-se incondicionalidade. E vale para tudo: relacionamentos, negócios, saúde, qualquer coisa.
O sucesso não consiste em acumular muitas coisas, mas em ser felizes com as que temos.
1.3. O serviço
O primeiro aspecto do serviço diz respeito ao compartilhamento de informações. O serviço consiste em fornecer informações a quem precisa delas para melhorar sua vida; assim, trata-se de um ato profundo de amor.
A segunda parte do serviço implica que, em qualquer atividade que uma pessoa realize, ela dedique todo o seu entusiasmo, energia e capacidade de ser especialista no que faz, a fim de desempenhar seu trabalho da melhor maneira possível, sem se preocupar nem um pouco com para quem o está fazendo nem com quanto receberá por isso.
As ações no âmbito da matéria são regidas pela Lei da Compensação, também chamada pelos Mestres de direitos. Os direitos não existem por natureza, mas são gerados por meio da capacidade de servir.
Jesus disse: “Buscai o reino de Deus dentro de vós, e o restante vos será dado por acréscimo”. Ou seja, primeiro é preciso estar disposto a dar, para depois poder receber.
A cultura nos convenceu de que é preciso dar sem receber nada em troca, e isso é um erro, pois que capacidade de servir pode desenvolver uma pessoa que não recebe nada? Muito pouca, quase nenhuma, nula, porque o Universo funciona de outra maneira.
Uma pessoa “abundante” é aquela que aprendeu a dar e a receber, em equilíbrio.
Capítulo 2. A confiança
Confiança = Zero agressão
Uma pessoa confiável, ou seja, digna de confiança, possui um dos valores internos mais valiosos que existem, pois a confiança é capaz de abrir o coração das outras pessoas e dar acesso às portas universais da abundância e da prosperidade. Isso, por sua vez, permite alcançar sucesso e satisfação em todas as áreas da vida.
A confiança consiste em fluir com a Lei da Compensação, do dar e do receber.
Não há porta que a confiança não consiga abrir.
Em geral, uma pessoa confiável desenvolveu, no mínimo, cinco qualidades:
- A de deixar a vida fluir, sem oferecer resistência a nada nem a ninguém. Se a pessoa não abrir mão de tudo o que produz sofrimento, estará oferecendo resistência.
- Estar no ponto certo, ou seja, comportar-se sempre com os outros de maneira natural, sem que se perceba que se está em um nível superior de compreensão. Precisamos nos “nivelar” com os outros para sermos aceitáveis e confiáveis; essa é uma técnica de maestria.
- A capacidade de servir sem sofrer. Se a pessoa sofrer por causa disso, não será confiável. É indispensável servir aos outros com todo o amor e entusiasmo de que se for capaz, se surgir a oportunidade, mas sem sofrer.
- A de nunca se ofender com as atitudes dos outros. Se uma pessoa se ofende e, além disso, expressa isso, os outros deixarão de confiar nela, pois ela se tornará alguém que agride, critica, julga… e isso não gera confiança, mas sim isolamento e distanciamento.
- A de respeitar totalmente os direitos dos outros, sem criticar, julgar nem punir. Por outro lado, a confiança apresenta três aspectos ou vertentes fundamentais:
Confiança em si mesmo ou autovalorização. A pessoa mais importante do Universo para cada um de nós é a própria pessoa. Para poder oferecer valores, primeiro é preciso possuí-los. Jamais devemos acreditar que pensar em si mesmo seja egoísmo; se as pessoas não se valorizam, não serão capazes de fazer mais nada.
Se uma pessoa não confia em si mesma, até que ponto será confiável para os outros? Precisamos começar a nos aceitar sem condições nem restrições. A pessoa que não é capaz de ser feliz por si mesma é um perigo para os outros.
Qualquer um de nós pode dizer que é uma criação perfeita de Deus e que possui a capacidade de ser feliz por si mesmo, e isso é autoestima, amor-próprio; mas se alguém afirma que é melhor do que os outros, supõe que eles têm menos valor, e essa ideia vem do ego. Uma pessoa só precisa da aceitação dos outros quando não se aceita a si mesma.
Ser digno da confiança dos outros. Para isso, é necessário utilizar as sete ferramentas do Amor, que são, ao mesmo tempo, sete renúncias ao ego e sete novos valores que devem ser instalados na mente:
- Agir: implica proceder com total eficácia e serenidade diante de qualquer circunstância que se apresente, dando o melhor de si nas tarefas que lhe cabem. Significa também renunciar a agredir os outros em pensamento, palavra e ação. E ser absolutamente firme e leal aos acordos e compromissos que tenham sido estabelecidos livremente. Em resumo, “fazer” é a chave para “ter”.
- Adaptar-se: implica acomodar-se sem reservas ao lugar onde cabe a cada um desempenhar suas funções, a fim de alcançar nele uma vida repleta de satisfações. Da mesma forma, adaptar-se é renunciar a fugir dos lugares e das situações em que cabe viver. Acreditar que a felicidade está em outro lugar que não seja dentro de si mesmo é uma falsa ilusão.
- Agradecer: quer dizer dar graças por tudo o que se tem, bem como pelas situações difíceis e dolorosas pelas quais já passamos, pois são oportunidades que a vida nos oferece para aprender e contribuir para o nosso desenvolvimento espiritual. Implica, portanto, renunciar a sofrer diante das dificuldades, compreendendo, ao contrário, que elas têm um profundo propósito de Amor; assim será possível reconhecer a Lei e libertar-se das limitações, das dependências e do sofrimento.
- Assumir: ou seja, aceitar o resultado das próprias decisões e da experiência de vida. É preciso assumir que os próprios pensamentos, sentimentos e emoções são gerados por você mesmo, e não pelo que acontece ao seu redor, muito menos pelo que os outros pensam, dizem, fazem ou deixam de fazer. É necessário deixar de culpar os outros pelo que acontece ou deixa de acontecer com você. O culpado não existe.
- Respeitar: implica considerar todas as pessoas em suas ideias, costumes, crenças e comportamentos, bem como em seu direito de tomar suas próprias decisões. Do mesmo modo, trata-se de renunciar a criticar, desqualificar, julgar, condenar e punir qualquer pessoa por qualquer motivo, porque cada um faz o melhor que pode com o melhor que sabe, e você não é quem para julgá-lo. Informações de sabedoria só serão dadas a quem as pedir expressamente ou a quem aceitar a oferta sutil, por respeito.
- Valorizar: assim como desfrutar intensamente de tudo o que se tem e de tudo o que se faz. Ao reconhecer que sempre temos tudo o que é necessário e ao valorizar isso, desenvolveremos a capacidade de desfrutar de novas experiências e relacionamentos. Também significa deixar de reclamar do que temos e do que nos acontece, porque a queixa nos empobrece. Por outro lado, a prosperidade é o resultado da valorização; quem não valoriza o que tem está a caminho de perder o que precisa.
- Aceitar: admitir que o propósito do Absoluto é perfeito e que tudo o que acontece é perfeito e necessário. Renunciar a tentar mudar os outros e, em vez disso, trabalhar em si mesmo. Desistir de tentar modificar a ordem perfeita do Universo e seus processos necessários e, sobretudo, de tentar interferir nas experiências de vida das outras pessoas. É conveniente repetir para si mesmo: “A partir de hoje só penso o melhor, digo o que é adequado e faço o que é necessário!”. Recomenda-se a programação mental e a prática diária até que isso se torne automático.
Conquistar a confiança dos outros, mostrando os próprios valores.
Para conseguir isso, não basta ser confiável; também é necessário que os outros saibam disso e possam verificar; desse modo, será possível estabelecer uma interação de amor e serviço que seja efetiva.
Para saber se os outros confiam em você, será imprescindível observar os resultados dos relacionamentos. Que resultados podem nos mostrar que somos confiáveis para os outros? A resposta é: aqueles em que as outras pessoas se abrem totalmente para você, sem nenhuma restrição; assim elas mostram que você é digno de confiança para elas, que reconhecem a sua capacidade de respeito.
Para ter sucesso na vida, é muito importante tirar da nossa mente os inimigos da confiança. Vamos ver quais são e como reconhecê-los.
| Inimigos da confiança | Como reconhecê-los Uma pessoa não é confiável para os outros quando… |
|---|---|
| Temperamento | … age a partir da mente reativa, sendo irascível, tímido, lento, apressado e desleixado. |
| Gênio forte | … demonstra rigidez mental e, a qualquer momento, pode fugir, agredir ou interpretar uma situação de forma equivocada. |
| Preocupações | … fica angustiado e sofre pelos outros sem realizar nenhuma ação positiva. |
| Possessividade | … sente-se desamparado sem o apoio e a companhia dos outros. |
| Protecionismo | … limita as experiências dos outros porque tem medo de que algo aconteça com eles. |
| Sentimentalismo | … sente muita pena e se emociona diante de qualquer dificuldade dos outros. |
| Suscetibilidade | … se ofende com muita facilidade com o que os outros dizem, fazem ou deixam de fazer. |
| Agressividade | … reage de forma agressiva diante do que não aceita ou não gosta nos outros. |
Vamos conhecer a seguir, de modo um pouco mais detalhado, cada um desses “inimigos”:
O temperamento é um comportamento de origem genética, instintiva, traumática e inconsciente. Vamos modificar nosso temperamento para sermos ativos, serenos e pacíficos.
O caráter forte é um comportamento de origem racional, aprendido e consciente. Tanto o temperamento quanto o caráter podem ser modificados voluntariamente a partir da compreensão. Vamos modificar nosso caráter para sermos abertos, justos e firmes.
Quanto às preocupações, pode-se dizer que não é necessário tê-las, já que no Universo tudo tem solução e, se um erro foi cometido, sempre será possível aprender com ele. A pessoa que se angustia e se preocupa já não serve de apoio, guia, confidente ou orientação para os outros.
Quanto à possessividade, precisamos compreender que não somos donos de nada nem de ninguém, somos apenas administradores dos bens materiais que estão sob nossos cuidados e que compartilhamos com outras pessoas. Se alguém não confia em si mesmo, não se sentirá bem nem será capaz de compreender o valor da solidão nem dos relacionamentos; portanto, desejará reter os outros para se sentir seguro.
O protecionismo é um egoísmo profundo disfarçado de amor. Acontece quando a pessoa limita as experiências dos outros porque é ela quem tem medo de que algo lhes aconteça e, se acontecer, ela sofre. Como não quer sofrer, prefere sacrificar os outros antes que isso aconteça.
O sentimentalismo implica que a pessoa chore ou sofra por qualquer dificuldade dos outros. Então se cometem dois erros que a tornam não confiável: primeiro, os outros não lhe contam nada para não vê-la sofrer; e segundo, sempre que alguém quiser fugir de uma experiência que lhe corresponde, procurará essa pessoa para que ela resolva o problema. Isso gera duas consequências: em primeiro lugar, a pessoa não será confiável nem para os outros nem para o Universo; em segundo lugar, estará interferindo no destino dos outros. Os recursos dessa pessoa serão bloqueados, porque com eles ela está prejudicando as experiências alheias.
Os sentimentos não são confiáveis: se algo nos causa pena, é possível que atuemos por sentimentos e não por amor. Outra coisa é compreender que toda experiência é necessária e valiosa para quem a vive, e que, para que uma pessoa deixe de viver algo desagradável, ela precisa de uma informação nova; assim, se você dispõe dela e pode oferecê-la, agirá de maneira confiável e amorosa. Mas a pena é uma condição social restritiva do sentimento e fruto da incompreensão da ordem do Universo; por isso, o sentimento jamais é confiável.
A suscetibilidade faz com que os outros deixem de se relacionar com a pessoa porque ela se ofende.
Por último, a agressividade supõe que, se alguém reagir de maneira hostil ou com violência, os outros vão “manter distância”.
Se você não é confiável, fecha as portas da abundância; portanto, depois não há razão para reclamar de escassez.
Precisamos aprender e desfrutar de cada circunstância que a vida nos apresenta, sem nos preocuparmos nem sofrermos por nada nem por ninguém, já que cada um vive única e exclusivamente as circunstâncias que lhe correspondem, que ele mesmo gera e que são perfeitas para si.
Portanto, devemos renunciar a interferir nas experiências de aprendizado dos outros e nos dispor a ser felizes por nós mesmos. Com esses pensamentos, você pode reprogramar sua mente para deixar de se preocupar inutilmente. O que se precisa é realizar ações concretas de sabedoria diante da vida.
Toda a satisfação que pudermos obter será resultado de um trabalho consciente e voluntário sobre nós mesmos. Por isso, deixemos de pedir e aprendamos a fazer mais.
Capítulo 3. O compromisso
Compromisso = Zero obrigação
A confiança abre a porta da abundância, mas é o compromisso que faz fluir o que há “atrás da porta”. Para que isso aconteça, é necessário aprender o que significa o compromisso.
O compromisso é a capacidade de compartilhar os próprios valores sem restrição nem condição alguma.
O objetivo é completar a própria vida com os valores dos outros e adquirir direitos, mas, para que esse processo funcione, precisamos que nossos pensamentos, palavras e ações estejam dirigidos simultaneamente a um único propósito; caso contrário, não haverá possibilidades de sucesso em nenhum campo.
O compromisso é uma decisão interna, assumida por cada um; uma decisão livre com um resultado obrigatório, já que se colhe o que se planta; se a pessoa se sentiu obrigada a fazê-lo, já não há compromisso. A obrigação, na verdade, não existe; é apenas uma atitude que consiste em culpar os outros pelos resultados que você obtém. Enquanto se culpar os outros, seja pelo que for, não se estará assumindo. Não se pode obrigar ninguém a fazer nada.
A falta de compromisso limita o acesso à abundância, à prosperidade, à saúde e à felicidade da pessoa que a sofre. Em geral, além disso, ela se sustenta em um falso princípio de liberdade: o de acreditar que, ao assumir compromissos, se perderá liberdade de ação e independência.
É importante compreender que a liberdade existe somente no interior de cada pessoa, como a faculdade de tomar suas próprias decisões e assumir seus resultados. Não se pode falar de liberdade no campo das relações; fala-se de acordos, compromissos, convivência pacífica, respeito pelo outro, de compartilhar, de Lei da Compensação… O livre-arbítrio é a capacidade de cometer erros, embora o tenhamos confundido com a liberdade.
Por outro lado, a independência é a capacidade de ser invulnerável nos próprios sentimentos, independentemente do que qualquer outra pessoa faça ou diga. Os Mestres chamam de pessoas espiritualmente independentes aquelas cuja paz, felicidade e harmonia interior não dependem de nada diferente delas mesmas.
Quando os resultados de uma pessoa mostram escassez e solidão, é porque ela, livremente, decidiu não se comprometer com nada nem com ninguém; se, ao contrário, mostram abundância e relacionamentos de alto nível de satisfação, é porque ela, livremente, decidiu se comprometer com suas funções e relacionamentos, e ser totalmente confiável para os demais.
Aqueles que se comprometem com o que fazem têm sucesso.
Ninguém tem o direito de desfrutar do que não fez, nem de receber se não deu. No Universo não existem direitos, a menos que aconteça uma ação que os gere. Uma ação sem constância é uma ação sem compromisso. Tudo o que se recebe corresponde ao que se faz. O direito, portanto, é o resultado do compromisso com a ação.
Os direitos não existem; eles são adquiridos por meio da ação.
A Lei da Compensação é a encarregada de zelar para que os direitos se cumpram. Se isso não acontece, esgotamos a fonte da abundância. Por outro lado, se os direitos são exigidos sem terem sido gerados, ocasionam-se grandes conflitos, porque isso significa reclamar algo que não foi ganho e não corresponde. Por outro lado, jamais devemos nos negar a receber o que a vida ou as pessoas nos oferecem, porque, se alguém nos dá algo, ou isso chega até nós de alguma outra maneira, é porque já o tínhamos ganho, nos corresponde.
É importantíssimo, por outro lado, não restringir a própria capacidade de servir e não se negar a receber aquilo de que se necessita para poder servir mais. A isso chamamos abundância.
O compromisso impulsiona a pessoa em direção ao verdadeiro significado da constância; esta, por sua vez, gera a estabilidade necessária para dar tempo a que as sementes da prosperidade germinem e produzam a abundância. Assim, o compromisso permite que os direitos universais relacionados à prosperidade se ampliem:
«Quanto mais dou, mais recebo; quanto mais faço, mais preciso; quanto mais preciso, mais me chega;
porque quanto mais tenho, mais posso servir aos demais».
Em resumo: o compromisso gera estabilidade; a estabilidade, constância; a constância, ação, mas ação constante, não teimosa; a ação, enfim, dá direito a desfrutar da abundância do Universo.
Para adquirir o direito à abundância, utilizaremos três qualidades:
- O compromisso com os acordos.
- A estabilidade nos relacionamentos.
- A constância nas ações. Quem reclama do que tem não o valoriza, não tem compromisso com o que possui. Uma pessoa está comprometida com o que tem na medida em que jamais reclama disso, e está comprometida com o que faz na medida em que nunca se sente obrigada a coisa alguma, mas age a partir do centro de amor. Essas são duas ferramentas poderosíssimas para o sucesso. Os compromissos podem ser modificados; o importante é não rompê-los. É preciso sempre tomar gosto por aquilo que se faz: pelo chefe, pelos colegas, pelo lugar e pelo país em que se vive; se a pessoa não é capaz de fazer isso e não se compromete com isso, é muito difícil que tenha sucesso na vida. Por meio do exemplo a seguir, podemos ver como funcionam a Lei da Correspondência e o compromisso. Nele se observa a disposição de servir e outros aspectos que atraem a abundância; como todo exemplo, é limitado e não contempla outros aspectos, como a idoneidade de cada pessoa para um serviço: «Um pai com dois filhos adultos perguntou-lhes que negócio queriam abrir. Um deles (vamos chamá-lo de A) gostava muito de esporte e queria abrir uma academia; seu irmão (vamos chamá-lo de B) não sabia o que queria, de modo que, para imitar o irmão, também pediu ao pai que lhe abrisse uma academia. O pai montou duas academias em lugares diferentes da cidade, mas A prosperou e B foi à ruína e reclamou que seu local estava em pior lugar que o do irmão. Então trocaram de posição: A foi dirigir a academia que era de B, e vice-versa. Pouco tempo depois, B voltou a fracassar e A teve muito sucesso. B acabou como empregado do irmão, simplesmente obedecendo às ordens que ele lhe dava e ganhando um salário». O que está acontecendo? É evidente: A tinha total compromisso com sua atividade, enquanto B não; não era a função dele. Isso não é nem bom nem ruim, simplesmente aquele ofício não era para ele.
Capítulo 4. A lealdade
Lealdade = Não fugir dos compromissos
A lealdade é um estado espiritual de compreensão relacionado a um profundo compromisso de amor. Independentemente do tempo, da distância ou das dificuldades, a pessoa leal não deixa de cumprir os compromissos que, livremente e de comum acordo, estabeleceu com outras pessoas.
A lealdade só pode existir quando foram estabelecidos acordos claros.
Os acordos não são normas que alguém se sente obrigado a obedecer, ou que decide obedecer em determinado momento por considerá-las necessárias. É claro que as normas não geram compromisso, nem se pode aplicar a elas o princípio da lealdade. Isso é assim porque as normas são unilaterais, e a decisão de obedecê-las ou não também é.
Enquanto não pudermos lidar com acordos, seremos regidos pelas normas. Diante de uma delas, cada um pode decidir, de forma unilateral e individual:
- Obedecê-la a partir da sabedoria: se for o caso, adapta-se e a aceita, aprendendo o que a norma lhe ensina; ou seja, obedece a partir da compreensão.
- Desobedecê-la, o que é resultado da ignorância.
- Rebelar-se contra ela, enfrentando-a ou agredindo. Por outro lado, diante do acordo, podemos decidir:
- Respeitá-lo.
- Repensá-lo.
- Ceder. A lealdade surge dos acordos que nos comprometemos a respeitar. Eles são bilaterais e, portanto, implicam negociação. E, para poder negociar, é necessário ter flexibilidade mental e aprender a ceder. Ser leal significa que jamais se encerra um compromisso unilateralmente. É legítimo modificar um compromisso (repensá-lo), mas jamais rompê-lo de forma unilateral, porque então seria deslealdade. A pessoa leal tem um valor incalculável e possui uma das ferramentas mais poderosas para conseguir:
- Segurança em si mesma.
- Estabilidade no trabalho.
- Felicidade nos relacionamentos.
- Recursos suficientes para o desenvolvimento de suas funções.
- Satisfação em tudo o que faz. Não se deve confundir lealdade com fidelidade. Em nossa cultura, a fidelidade se restringe basicamente à sexualidade e aos acordos estabelecidos entre os casais; já a lealdade abrange a totalidade dos compromissos e acordos que o ser humano estabelece, inclusive os do âmbito sexual. Por isso, ao falarmos de lealdade, nos referimos ao princípio maravilhoso que rege todas as relações dos seres humanos. Também existe uma diferença substancial entre acordo e compromisso: o acordo é o que estabelece o parâmetro sobre o qual se aplica o compromisso, enquanto este é o que respalda o acordo. Ou seja, um acordo sem compromisso não tem validade. Por exemplo, o acordo é ir jantar hoje com uma pessoa às 21h, mas ir de fato é o compromisso; pode-se concordar e depois não ir ou chegar atrasado, e, nesse caso, havia acordo, mas não compromisso.
Capítulo 5. A capacidade de serviço
Estar disposto a servir = Zero resistência
Aprender a servir é toda uma técnica de sabedoria, uma verdadeira ferramenta de Amor que nos proporcionará um resultado extraordinário e satisfatório em todos os aspectos da nossa vida.
O serviço é a capacidade de dar sempre o melhor de si em pensamento, palavra e ação, e de se abrir para receber o que lhe corresponde.
Informação correta + Ação = Abundância
O serviço é um gerador de riqueza; duas características específicas o definem:
O serviço como informação requer sabedoria, é uma técnica pedagógica e é regido pela Lei do Compartilhar, que encadeia, por meio da informação, todos os níveis da criação. Compartilhar a informação que facilita compreender a ordem do Universo é um serviço de amor.
O Universo é informação em estado denso, em forma de matéria. A interação de energia e informação dá origem a tudo o que existe.
Fornecer informação é um serviço de amor, já que a informação apropriada e correspondente permite a cada indivíduo criar sua própria experiência de vida e desenvolver adequadamente sua função, aprendendo com ela o necessário para acessar níveis cada vez maiores de satisfação pessoal.
O propósito de toda experiência é adquirir informação para ser feliz por si mesmo e para amar.
Para sermos capazes de lidar com sabedoria com qualquer situação humana — de relacionamentos, saúde, economia ou localização —, precisamos contar com a informação apropriada. As três ferramentas necessárias para alcançar a sabedoria são: dar informação (conhecimentos), permitir a experiência, aplicando essa informação e até cometendo erros (experiências) e, por último, permitir que a pessoa verifique e assuma o resultado de sua experiência (resultados). Se não há bons resultados, é porque não sabemos servir com sabedoria, ou seja, criar algo satisfatório. É isso que precisamos aprender.
Para dar informação com sabedoria, é preciso levar em conta três princípios:
- Que essa informação seja verdadeira, ou seja, que tenhamos verificado a informação que pretendemos transmitir.
- Que alguém a tenha pedido ou aceitado nossa oferta, ou seja, que verifiquemos a disposição de quem vai recebê-la.
- Falar com a quantidade de informação que o outro consegue assimilar. O serviço como ação exige um treinamento para desenvolver a flexibilidade mental, e é regido pela Lei da Compensação. As leis do sucesso não respondem à inércia; portanto, para ter sucesso na vida é preciso decidir-se pela ação, encarando-a como uma missão de serviço.
Entendemos por sucesso a capacidade de ter tudo o que é necessário para ser feliz, bem como de ser feliz com o que se tem.
Portanto, é imprescindível colocar sempre, em tudo o que se fizer, a maior capacidade possível de trabalho, qualidade, entusiasmo, energia, gosto, eficiência e alegria.
A ação como missão exige dar sempre o melhor de si em qualquer circunstância.
Para poder servir, é necessário romper com as limitações aprendidas da cultura e da educação, que limitam o potencial de serviço que existe em cada ser humano. “Não gosto; não é a minha praia; não vou trabalhar por menos; não há um bom ambiente; não me motivam; não me valorizam; etc.” são expressões típicas de quem não reconheceu o verdadeiro significado do serviço e, por isso, está limitando suas capacidades de acessar a prosperidade, a abundância e novos níveis de satisfação pessoal.
A capacidade de adaptação permite aproveitar todo o potencial interior. A flexibilidade mental é a capacidade de modificar voluntariamente os conceitos aprendidos sobre certas atividades que a maioria das pessoas considera indignas ou toma como sinônimos de ignorância, degradação, humilhação, desonra ou servilismo. Mas, na verdade, a partir de uma concepção clara do serviço, todo trabalho dignifica.
Por outro lado, a rigidez mental é a incapacidade de aceitar algo diferente do que se acredita, dos próprios gostos ou dos próprios costumes. Ela conduz a uma situação de fracasso total. Uma de suas características é a dificuldade que provoca para se chegar a acordos.
Já sabemos cientificamente qual é a causa do sofrimento: aquilo que não somos capazes de aceitar. O sofrimento é rigidez mental, que, por sua vez, está associada a níveis de ignorância, característica que possui muita rigidez. Já o orgulho é extremamente rígido. Não aceitamos algo porque não o compreendemos, e não o compreendemos por falta de sabedoria; e, por sua vez, não temos sabedoria porque nossas crenças são falsas.
Para adquirir flexibilidade mental e criar o hábito de servir, propõe-se praticar constantemente, sempre que surgir a oportunidade, os seguintes jogos:
- “Eu primeiro”: consiste em pedir o primeiro turno para varrer, lavar, cozinhar ou realizar qualquer outra tarefa que, à primeira vista, possa não parecer atraente.
- “Vontade de servir”: consiste em deixar de reclamar de qualquer tarefa e, em vez disso, desfrutá-la.
- “Quem cede, ganha”: consiste em agradar a outra pessoa e abrir mão de ter razão. As duas Leis que regem as interações do serviço — em suas respectivas características de informação suficiente, eficiente e oportuna, e de ação — são a Lei do Compartilhar e a Lei da Compensação.
5.1 Lei do Compartilhar: rege a interação informação-serviço
A Lei do Compartilhar é a que une a matéria ao espírito. Existem dois interesses no serviço: o de dar e o de receber. O ponto de máxima eficiência é aquele em que há harmonia e equilíbrio. Se a energia investida não for recuperada, a fonte se esgota. Assim, para que o serviço, sempre dentro desse ponto de máxima eficiência, seja válido, não se deve impor restrições nem condições.
Se ampliarmos cada vez mais nossa capacidade de servir, receberemos muito mais; e, desse modo, também poderemos servir mais e teremos abundância. Aquele que nada faz e não serve para nada não precisa de nada. Agora vejamos pelo lado inverso: quem é o ser que mais pode precisar? Aquele que mais faz, que mais sabe e que mais serve. Nossas necessidades se ampliam por meio de nossa capacidade de servir.
5.2. Lei da Compensação: rege a interação material-ajuda
Ajudar consiste em fazer algo por outra pessoa que ela não consegue fazer por si mesma. Essa ajuda precisa ser compensada para que se possa continuar recebendo; caso contrário, a fonte se esgota.
Em outras palavras: se não há compensação, não é possível retroalimentar as fontes geradoras inesgotáveis da riqueza do Universo, porque o fluxo de energia é interrompido. Por isso, a sabedoria consiste em dar o melhor de si e se abrir para receber o que lhe corresponde em consequência. Não existe serviço “desinteressado”; o interesse não tem nada de errado, já que não há nada no Universo que não tenha um interesse. Pelo contrário, é saudável. O problema não está no interesse, mas nos direitos, pois às vezes se pretende exigir um direito sem tê-lo gerado previamente. O interesse, na verdade, é bem-estar e satisfação.
Quando uma pessoa presta um serviço, ela tem dois interesses principais:
- Que o serviço seja excelente para quem o recebe. No que diz respeito à informação, a melhor compensação que se pode receber por um serviço é que a pessoa que recebe a informação a considere útil e seja feliz.
- E, para poder continuar servindo, retroalimentar e compensar a fonte de energia. Se a pessoa que vai conseguir um trabalho ou prestar um serviço pensa no dinheiro que vai ganhar, ela perde o foco em sua capacidade de servir; pois, como já dissemos, o propósito do serviço é dar o melhor de si em qualquer situação em que surja a oportunidade de fazê-lo. A compensação é apenas o resultado do serviço, mas jamais se deve recusar receber esse resultado, seja ele qual for.
5.3. A solução para os quatro principais problemas humanos
Os quatro principais problemas humanos têm a ver com os relacionamentos, a saúde, os recursos e a adaptação. A informação adequada para solucioná-los é a que provém das sete ferramentas do Amor, que vimos no Capítulo 2, sobre a confiança. Isso é tudo o que uma pessoa com sabedoria precisa saber. As sete ferramentas transcendem os destinos humanos, mas, se a pessoa não as utiliza, elas não servem para nada.
Um problema de recursos apresentado por uma pessoa na Austrália e outro enfrentado por alguém na Colômbia, por exemplo, estão inseridos em situações totalmente diferentes, já que se trata de culturas e costumes distintos; mas o problema é o mesmo: tem a ver com recursos. As ferramentas para solucioná-lo, portanto, são idênticas.
5.4. Por que oferecemos resistência a tudo?
Se não resistirmos a nada, tudo poderá chegar até nós.
Se alguém deseja mudar qualquer coisa no mundo externo, isso significa que está oferecendo resistência, porque não aceita as coisas como são. Dentro de nós se encontra o ego, que é quem pretende essas mudanças, quem não está de acordo com o que acontece no Universo. A cultura nos ensinou que isso era normal.
O sofrimento é consequência da resistência, porque sofremos ao não aceitar as situações que acontecem ao nosso redor. Nosso conselho a esse respeito é o seguinte: se alguém faz algo desagradável, em vez de repreendê-lo, deveríamos agradecer; é o mesmo que oferecer a outra face. Enquanto houver resistência, o ego se fortalecerá cada vez mais, e os resultados serão progressivamente mais desastrosos.
Capítulo 6. O respeito, a valorização e a sabedoria
6.1 O respeito e a valorização
Outro dos valores-chave para se conectar com a abundância é o respeito. Respeitar significa aceitar os outros sem tentar mudá-los.
Se você se treinar no respeito, sua paz aumentará. O respeito se exercita com técnicas de maestria. Por exemplo, não se deve dar informação a quem não pode compreendê-la, porque isso o prejudicará; e é preciso respeitar as pessoas em suas ideias, costumes, crenças e comportamentos, assim como em seu direito de tomar decisões.
Respeitar é, portanto, renunciar a criticar, desqualificar, julgar, condenar e castigar qualquer pessoa por qualquer motivo, porque compreendemos que cada um faz o melhor que pode com o melhor que sabe, e não somos quem para julgá-lo. Devemos dar informação de sabedoria somente a quem a peça expressamente, ou a quem aceite nossa oferta sutil, por respeitosa que seja.
Valorizar = Desfrutar sem reclamar
Valorizemos e desfrutemos intensamente tudo o que temos e fazemos. Reconheçamos que sempre temos tudo o que é necessário e, ao valorizá-lo, desenvolveremos a capacidade de desfrutar de novos bens e relacionamentos.
Renunciemos a reclamar do que temos. A reclamação nos empobrece. A prosperidade é o resultado da valorização. Assim, quem não valoriza o que tem está a caminho de perder o que precisa.
6.2 A sabedoria
Quando ouvimos a palavra sabedoria, talvez imaginemos algo muito difícil de alcançar, algo que talvez só os anciãos Mestres de longas barbas brancas consigam depois de terem vivido muitas experiências. Mas a verdade é que a sabedoria é algo realmente simples, e pode ser resumida em saber aproveitar o que a vida proporciona para ser feliz e próspero.
Ora, a sabedoria requer da pessoa um nível mínimo de compreensão, assim como a habilidade de fluir com a ordem do Universo, aproveitando sabiamente o momento presente e os cinco elementos que compõem a experiência de vida de qualquer ser humano: o propósito, o destino, a missão, a função e a intenção.
Em definitivo, o ser humano usará a sabedoria para:
- Alcançar o propósito de Amor que o trouxe ao mundo.
- Aproveitar a oportunidade que há em seu destino.
- Desfrutar da missão que traz em sua consciência.
- Assumir a função que lhe cabe cumprir.
- Não interferir nos destinos dos demais. A sabedoria requer que se pratiquem, em pensamento, palavra e ação, três aspectos que veremos a seguir.
6.2.1 Pensar com sabedoria
É necessário “tirar” da mente a dualidade “bom/mau” e pensar simplesmente que:
- Tudo o que existe e acontece é necessário dentro da ordem perfeita do Universo.
- Toda pessoa sempre faz e diz o melhor que sabe, mesmo quando possa estar equivocada.
- Tudo o que acontece a cada um é necessário para a evolução de sua consciência, até que chegue a ser feliz, amoroso e invulnerável. Não existe nada negativo; o único negativo pode ser a mente que avalia uma situação que na realidade é neutra. Ao contrário, uma situação é positiva na medida em que é uma oportunidade de aprender. Toda pessoa enfrenta unicamente situações necessárias para seu desenvolvimento espiritual, ainda que às vezes sejam difíceis. Por essa razão, os Mestres não resolvem nossos problemas; se o fizessem, longe de nos fazer um favor, nos causariam um grande prejuízo.
6.2.2 Expressar-se com sabedoria
É preciso falar sempre de forma amorosa de toda pessoa ou ser vivo, assim como de todo acontecimento. Caso contrário, se não houver nada amoroso a dizer, o que se deve fazer é calar respeitosamente.
Aqui reside a sabedoria da comunicação, uma vez que tudo o que acontece tem um propósito de Amor e não há ser que não esteja cheio de virtudes, ainda que num dado momento não as utilize. Criticar ou julgar os comportamentos dos demais é próprio do ego, que não os aceita.
6.2.3 Agir com sabedoria
É necessário fazer sempre com amor e entusiasmo tudo aquilo que nos cabe fazer, e deixar que os demais façam o que lhes cabe. Também é preciso manter a calma e a paz interior diante das funções e experiências dos demais, dar-lhes a informação necessária e respeitá-los em silêncio quando virmos que agem com sua “melhor” ignorância.
Para saber se alcançamos a sabedoria, é preciso avaliar nossos próprios resultados internos — de felicidade, paz e amor —, assim como os resultados externos em relação a relacionamentos, saúde, recursos e adaptação ao meio.
6.2.4 Quem pode alcançar a sabedoria?
Toda pessoa que esteja disposta a aprender com seus erros e a avaliar seus resultados, e que se disponha a obter novos resultados mudando sua forma de se comportar e seus métodos, está no caminho da sabedoria. Também está se tiver vontade de realizar uma mudança interna. Ao contrário, se alguém pretende obrigar os demais a mudar, estará no caminho da ignorância.
Como já dissemos, todos podemos chegar à sabedoria. O primeiro princípio da sabedoria é reconhecer que podemos ser felizes com o que temos e onde estamos, e que não precisamos de mais. Os resultados são muito simples, são apenas de dois tipos: satisfatórios ou indesejáveis. Se o resultado é satisfatório, perfeito, continuaremos fazendo dessa maneira. Se não é, o que devemos mudar? Nunca as outras pessoas, mas o método, a ideia; é necessário fazer uma avaliação dos próprios comportamentos e se dispor a mudá-los; assim se alcança a sabedoria.
6.2.5 Como fazer para que a abundância e a sabedoria do Universo
fluam em nossa direção?
Se uma pessoa possui sabedoria, também terá abundância para realizar qualquer atividade. Para que a sabedoria chegue até nós, precisamos que nossa mente se torne muito feminina; chamamos de feminina nossa capacidade receptiva.
6.2.6 Como conferir à mente a característica feminina?
Em primeiro lugar, precisamos transcender o ego. Não se trata de utilizar termos tipicamente “masculinos”, como brigar com o ego ou dominá-lo, nem sequer vê-lo como um inimigo. Na realidade, nada é nosso “inimigo”, porque tudo é necessário no Universo; basta considerar o ego como algo de que não precisaremos mais. Ele foi nosso “amigo” porque era necessário para nos permitir descobrir a Lei e a sabedoria; mas já é hora de convidá-lo a partir, e para isso é preciso fazer um trabalho interno que nos leve ao nosso lado “feminino”, para dar à nossa mente a capacidade de abrigar, de se encher, de conter…
6.3 A Lei da Afinidade
Segundo essa Lei, o melhor sempre se associa ao melhor, e o pior ao pior. Por isso, as frases mais simples contêm a maior sabedoria.
A afinidade é gerada por nós, de acordo com o que decidimos, e pode ser de caráter positivo ou negativo.
Se pensarmos nas soluções, atrairemos as soluções; se pensarmos nos problemas, atrairemos os problemas.
Parecerá estranho, mas quanto mais problemas uma pessoa tem, mais feliz precisa ser para, desse modo, gerar afinidade com a felicidade; quando menos coisas tem, é quando mais próspera precisa se sentir; quanto mais dificuldades de saúde apresentar, maior será a necessidade de pensar que é uma criação perfeita de Deus. Se não for assim, não se gerará afinidade com o padrão genético original, que é perfeito.
| Princípios da sabedoria | Sempre é possível pensar… |
|---|---|
| Paz | … em algo que gere paz; assim surge afinidade com ela. |
| Saúde | … que o Absoluto nos criou com um padrão perfeito de saúde. |
| Alegria | … que existem muitos motivos de alegria na vida. |
| Respeito | … que todo ser vivo merece respeito. |
| Lealdade | … que os acordos exigem lealdade de nossa parte. |
| Serviço | … que os outros contam com o nosso serviço. |
| Harmonia | … que temos a capacidade de expressar harmonia. |
| Felicidade | … que dispomos do necessário para alcançar a felicidade. |
| Confiança | … que somos capazes de gerar total confiança. |
| Entusiasmo | … que tudo o que fazemos nos enche de entusiasmo. |
| Abundância | … que estamos em sintonia com a abundância. |
| Compromisso | … no valor da nossa própria capacidade de compromisso. |
| Prosperidade | … que desfrutamos da virtude da prosperidade. |
| Satisfação | … em eventos que provocam satisfação. |
Para criar em seu interior a condição feminina em cada um dos quatorze pontos anteriores, a pessoa só precisa pensar-expressar-agir com sabedoria em relação a cada um deles. O feminino é receptor e contenedor, por isso está associado à abundância; basta abrir-se totalmente para receber das fontes universais da abundância.
6.4 Algumas frases de sabedoria
Sejamos felizes com o que temos. Que a própria sabedoria nunca dependa do que não se tem, pois a pessoa ficaria obcecada em conseguir o que não precisa. A felicidade depende de nós mesmos, e o que temos sempre será suficiente para alcançá-la. Se não for assim, a mente, a afinidade, está incorreta, e a felicidade não será alcançada.
Amemos o próximo como a nós mesmos. É preciso desejar e dar sempre aos outros o mesmo que se espera receber. Recusemo-nos a alimentar qualquer desejo de vingança, rancor ou ressentimento contra quem quer que seja, por qualquer razão, por mais que essa pessoa tenha errado. Porque, se nos tornarmos afins a esse desejo, funcionaria a lei de talião, a “da mesma medida”, e seria gerada uma afinidade fatal. Não importa o que os outros façam, é preciso desejar-lhes sempre o melhor, para gerar afinidade com isso. E é preciso ter em mente que, ao falarmos em dar, não nos referimos apenas ao material, mas também ao aspecto espiritual, ao das virtudes e das qualidades.
Não desejemos aos outros o que não queremos para nós. Viver e deixar viver, soltar-se e soltar os outros, é o sábio princípio da liberdade nas relações. Não pretendamos reter ninguém, não nos sintamos retidos por ninguém; não desejemos obrigar os outros, não nos sintamos obrigados por eles; não imponhamos nada, para que ninguém nos imponha nada. Isso é suficiente para alcançar a libertação.
Capítulo 7. Estar disposto a aprender
No Universo, nada responde à inércia. Por essa razão, absolutamente tudo o que pretendemos receber dele, seja no plano material ou no espiritual, requer uma ação sabiamente dirigida.
Dirigir com sabedoria todas as nossas ações é apenas uma questão de permanecermos sempre dispostos a fazer as coisas com amor, seja o que for, onde for e a qualquer hora. Esse “fazer” abre as portas para a informação e para todos os recursos.
Toda intenção de fazer atrai a informação, os recursos e as condições para a ação.
A abundância e a prosperidade são o resultado de saber, fazer e servir. Já a pobreza e a miséria, que não são apenas materiais (pois a pobreza é um estado mental), são o resultado da inércia. Se cairmos na inércia, perdemos tudo.
Toda intenção de pedir anula a capacidade de criar, fazer e servir.
| Abundância e prosperidade “Fazer” requer informação, entusiasmo e ação |
|
|---|---|
| Informação | Recebe-se quando se está disposto a fazer |
| Entusiasmo | Obtém-se quando se dispõe da informação |
| Ação | É o resultado de unir a informação e o entusiasmo |
| Pobreza e miséria A falta de disposição para fazer bloqueia todos os recursos |
|
|---|---|
| Informação | Se não se está disposto a fazer, não se precisa de informação |
| Entusiasmo | Se não há informação, não é possível ter entusiasmo |
| Ação | Sem entusiasmo, não é possível agir |
Quando não se conhecem as Leis que regem o Universo, diante de certas situações associadas ao destino, é possível pensar que existe injustiça. E, se uma pessoa supõe que a injustiça existe, pensa que a melhor forma de “solucionar” os desequilíbrios socioeconômicos consiste em que “os que têm” deem aos “que não têm”. Então, trata-se de pedir que os que “fazem” deem aos que “não fazem”? Atitudes assim empobrecem todos nós.
A vida sempre nos dá o necessário para aprendermos a fazer e a servir.
É fundamental renunciar a pedir e aceitar a própria capacidade de fazer. Dessa forma, a pessoa entra em correspondência com a abundância e a prosperidade. Vejamos algumas reflexões sobre o fazer e o pedir:
- A única coisa válida para pedir é informação para fazer.
- Fazer é a chave mestra para acessar a informação.
- Pensar em fazer é o mesmo que pedir informação.
- Pedir informação sem ter pensado em fazer é inútil.
- Pedir informação para fazer o que se pensa é útil e necessário. Portanto, só é necessário pensar em fazer, e chegarão a informação e os recursos necessários para fazer o que foi pensado, desde que o que se pensou fazer esteja dentro da Lei da Correspondência. E como é possível verificar isso? Para tanto, é imprescindível observar que as coisas fluem, que a intenção, o pensamento, a palavra e as ações são de amor.
Se não for assim, quer dizer que essa não é a função daquela pessoa, que não é o que lhe corresponde fazer; essa é a forma que a vida tem de demonstrar isso. É preciso tentar no mínimo três vezes — o suficiente para que haja constância — e no máximo sete, porque mais do que isso seria teimosia.
Fica fora da Lei da Correspondência que os que têm deem aos que não têm, porque, desse modo, os primeiros perdem sua ferramenta de trabalho, e os segundos não conseguem reter essa ferramenta porque não sabem usá-la; assim, todos se tornam pobres.
Quando quem tem dá a quem não tem, os dois perdem o que têm. Quando quem sabe ensina a quem não sabe, os dois ganham sabedoria para ter mais.
Ensinar quem não sabe, portanto, gera riqueza. Existe no mundo um número imenso de colégios e universidades nos quais se transmitem conhecimentos; mas a educação é outra coisa. Educação é praticamente o mesmo que sabedoria: consiste em saber aproveitar o que a vida nos deu para sermos prósperos e felizes, aprendendo a servir. Isso não é ensinado em nenhum colégio nem universidade, e quase em nenhum lar.
A abundância só pode ser utilizada por quem sabe gerá-la.
Quem sabe é uma pessoa que consegue obter esses cinco resultados voluntariamente, e os obtém onde estiver e quando desejar:
- Paz interior e felicidade; ou seja, não sofre por nada.
- Boas relações com todos os seres, não somente com os humanos.
- Recursos suficientes para fazer o que faz; ou seja, abundância.
- Uma melhora na saúde ou um estado saudável permanente.
- A capacidade de aproveitar e ser feliz em qualquer lugar em que se encontre: facilidade de adaptação. Para deixar de ser pobre, é necessário aprender a gerar abundância e, para isso, por sua vez, é preciso aprender a fazer e servir melhor a cada dia. O primeiro propósito, portanto, é aprender, e o segundo é servir, ou seja, ensinar. Mas quem nada sabe, o que pode ensinar? E quem nada tem, o que pode dar? Para poder fazer algo positivo pelos outros, primeiro é preciso ter feito algo por si mesmo. Quem não sabe gerar abundância não sabe como utilizá-la e não consegue reter nada do que recebe. Enquanto houver pessoas que deem o que outra não ganhou por si mesma, enquanto tivermos o vício de pedir, a pobreza jamais desaparecerá. Podemos pedir informação, mas, se ela não for respaldada pelo fazer, como comentamos anteriormente, não é válida. As capacidades de criar, fazer e servir existem em nós desde o instante em que nascemos. Por que, então, não as usamos? É simples: porque nos ensinaram a pedir, e deixamos de usá-las. O ponto justo é extraordinário porque é o ponto de harmonia, de equilíbrio, é o ponto da Lei do Universo. A partir da perspectiva do ponto justo, façamos as seguintes perguntas:
- É justo pedir o que não ganhamos? Não.
- É justo receber o resultado do que fazemos? Sim.
- O que é o resultado justo? Tudo o que temos é exatamente o que nos corresponde, o que não significa que seja satisfatório. Se o “fazer” de uma pessoa é realizado a partir da ignorância, ela terá abundância de conflitos, problemas e dificuldades. Em contrapartida, se tem origem na sabedoria, a pessoa desfrutará de abundância de coisas satisfatórias; porque fazer sempre gera abundância, seja qual for o seu sinal. Quem sabe gerar abundância a cada dia disporá de mais recursos.
Como seria a vida de uma pessoa que renunciasse total e definitivamente a pedir qualquer coisa que ela mesma possa fazer? A resposta é: absolutamente produtiva, satisfatória e abundante.
Cada vez que nos deparamos com uma dificuldade humana, seja do tipo que for, a primeira coisa que nos ocorre é pensar: façamos uma coleta, uma prece coletiva, peçamos, protestemos, reclamemos… Mas poucas pessoas dizem: O que é preciso fazer? Porque não nos ensinaram a pensar nisso. Os que têm problemas se unem para fazer suas reivindicações ao governo, para protestar contra a injustiça e para fazer todo tipo de coisa que significa apenas pedir que alguém venha resolver seus problemas. Isso é assim porque realmente acreditamos que o problema é dos outros: dos que governam, das demais pessoas, do Absoluto… Mas essa não é a solução, porque, agindo dessa forma, não se assume o que nós mesmos precisamos fazer. Alguém percebe o quanto pode ser poderoso deixar de pedir? O estado normal do Universo é a abundância, até que intervém a ignorância do ser humano e rompe os processos que mantêm a energia fluindo.
Agir é fazer, seja o que for, com serenidade, de forma racional e não automática, com consciência, com um propósito de servir; de forma pedagógica, para ensinar algo, ou de forma eficiente, para realizar algo. Tais ações deixam de sê-lo e passam a ser reações se são realizadas em uma situação de alteração ou como um processo de disputa ou de não aceitação.
Deixar de agir, no entanto, implica uma total falta de sabedoria. Não se deve cair na inação, pois, dessa forma, perde-se completamente a ferramenta do serviço e acabam-se as possibilidades de sucesso.
Em suma, a sociedade atual não tem um problema de recursos, mas sim de atitude diante da vida e dos relacionamentos; isso impede o aproveitamento equilibrado e racional da enorme abundância de recursos humanos, técnicos e naturais de que dispomos.
A dificuldade de nos relacionarmos harmoniosamente limita, além disso, as possibilidades de utilizar a imensurável abundância dos recursos universais. A harmonia nas relações com todos os seres vivos e o desenvolvimento da capacidade incondicional de servir são uma verdadeira arte, uma ciência que é preciso estudar e praticar constantemente se aspiramos a uma vida com alto nível de satisfação.
Dentro das Leis do Universo, existem oito regras de ouro, ou princípios básicos, que dizem respeito à harmonia social. Nós as chamamos de regras de ouro do Mestre, e é conveniente tê-las sempre presentes em todo processo de formação humana e social. É preciso considerar que todas as pessoas, em alguma medida, são simultaneamente mestras e alunas, já que, ao longo da vida, estamos sempre aprendendo algo novo com as circunstâncias e com as relações com as outras pessoas, o que nos dá a oportunidade de ensinar aos demais o que vamos compreendendo sobre o funcionamento da vida.
Quando ensinamos com ignorância, interferimos e nos tornamos parte do destino do outro. Para podermos ensinar com sabedoria, devemos utilizar as regras de ouro da organização social, que se agrupam em dois aspectos básicos: as quatro regras que harmonizam o mundo interno — associadas à necessidade de aprender — e as quatro que harmonizam as relações com o mundo externo — associadas à necessidade de ensinar —.
Vejamos a seguir estas oito regras de ouro do Mestre:
- Levar a vida como ela vem. Consiste em estar disposto a desfrutar de cada circunstância que a vida apresenta, sem tentar mudá-la, vendo-a antes como uma oportunidade de aprendizado e aceitação da realidade, que permite trabalhar a mudança interna, manter a serenidade e criar correspondência com novas circunstâncias de nível de satisfação cada vez maior. Isso, por sua vez, facilita o uso da própria energia para harmonizar a condição mental pessoal. Levar a vida como ela vem significa aproveitar de maneira positiva e eficaz tudo o que ela oferece, sem se preocupar nem com o que ela não dá, nem com o que não se tem. Esse é o primeiro exercício para lidar com a energia vital internamente. O amor está associado apenas ao que podemos desfrutar, ao que nos traz paz, harmonia e melhoria; nada associado ao sofrimento, à angústia, à nostalgia, à dor ou a qualquer outra coisa que não seja harmonia. Pois essas últimas características estão associadas única e exclusivamente ao ego humano e não têm nada a ver com o amor. Há uma frase simples de amor para reconhecê-lo: desfrutar da companhia das pessoas é amor; sofrer quando elas não estão é egoísmo. O processo de angústia e sofrimento é apenas parte desse egoísmo. Para podermos seguir um processo de paz interior, precisamos estar dispostos a aceitar a vida como ela vem, a retirar os condicionamentos de suas circunstâncias. Lembremo-nos de uma frase dos Mestres: “A vida nunca funciona como você quer, sempre funciona como é, e, como é, é perfeita”. Essa compreensão e a disposição para desfrutar de cada acontecimento é o que pode nos conduzir a um estado de paz absoluta, o que representará um grande desenvolvimento da consciência.
- Aceitar as pessoas como elas são. Tentar mudar as pessoas é perder inutilmente tempo e energia interna. Isso ocorre porque a missão do amor consiste apenas em ensinar, dar informações de sabedoria e ser um ponto de referência e orientação para os outros, e também porque cada um muda a si mesmo. Enquanto alguém quiser mudar outra pessoa, isso significa que não a aceita; nota-se porque a critica, a julga, a condena e a agride. Lembremo-nos dos princípios “do espelho” e “da fruta”: o primeiro diz que “não tente pentear o espelho, penteie a si mesmo”; o segundo, que “não coma as partes estragadas da fruta”, ou seja, não fique com os defeitos, mas com os valores. Todos os seres humanos somos perfeitos, mas nunca iguais, pois temos personalidades, crenças e gostos diferentes; isso é o que nos enriquece e o que permite desenvolver a aceitação dos demais. O maior desafio do amor é a aceitação total, amar os inimigos; embora, na verdade, não tenhamos inimigos, mas simplesmente pessoas com quem há desacordos, que têm opiniões e comportamentos diferentes dos nossos.
- Ser você mesmo. Consiste em não se identificar com os acontecimentos externos nem permitir que sejam eles a determinar nossos estados interiores. Ser você mesmo é manter voluntariamente a harmonia, a felicidade e a paz interior, e nunca perder a capacidade de servir incondicionalmente, por mais difíceis que sejam as circunstâncias externas.
- Seguir a ordem do Universo. Consiste em compreender que nossas vidas têm um propósito de Amor. Isso implica ter a certeza de que sempre nos acontece o melhor para nosso aprendizado e que, mesmo em circunstâncias muito difíceis, sempre haverá uma solução — se compreendermos as Leis do Universo e utilizarmos as ferramentas adequadas — para transcender a limitação humana que nos impede de reconhecer e seguir a ordem perfeita do Universo. Saber que o Universo tem uma ordem e que toda pessoa pode aprender a reconhecê-la e segui-la para desfrutar de uma vida com alto nível de satisfação proporciona a força interna para encarar a existência com alegria e entusiasmo. Por outro lado, embora a fé se baseie em uma crença, ela nos dá uma força interior para enfrentar a vida. A fé pode ser substituída pela aceitação quando já se compreendeu de que trata o Universo; enquanto isso, ela é importantíssima, pois representa a confiança na vida. Seguir a ordem do Universo consiste em desfrutar de tudo o que se tem e agradecer por tudo o que se aprende, compreendendo que sempre acontece o melhor para si mesmo, mesmo quando se está diante de um desafio. É como a criança que vai à escola e recebe um problema de matemática; isso é o melhor para ela, já que representa um desafio. Na verdade, não deveríamos chamá-los de “problemas”, mas sim de exercícios. Desenvolver um músculo, a mente ou a consciência requer exercício, e este, por sua vez, requer vontade, mas sempre desfrutando dele. Em suma, aprender a ser feliz, a ter paz interior e a servir sem nenhuma condição ou restrição nos levará à convivência pacífica com todo o Universo.
- Não criar resistências. Qualquer pessoa que tente ensinar ou ajudar outras pessoas deve ter um cuidado especial para não gerar resistência em relação aos conhecimentos que transmite ou aos comportamentos que pretende ensinar, pois, mesmo que o Mestre esteja certo e tenha toda a razão em suas abordagens, não alcançará nenhum resultado se os alunos — ou discípulos, ou filhos — tiverem criado resistências e rejeitarem tudo como se tivessem diante de si um escudo impenetrável. A resistência se desenvolve como resultado de uma má comunicação; qualquer processo de agressão ou tentativa de imposição, humilhação ou castigo, assim como a impaciência, a ira, os modos rudes, a repetição excessiva, o escândalo, as brigas constantes e a dramatização dos erros estimulam os mecanismos de defesa do instinto e, desse modo, surgem a resistência e a rebeldia. Estas se desenvolvem rapidamente, até chegar ao ponto em que o aluno sente aversão pela informação e ódio pelo Mestre. Nesse momento, fracassou-se totalmente como Mestre e prejudicou-se gravemente o aluno. Em suma, para não criar resistência, é necessário não impor, proibir, agredir, castigar, invalidar nem desqualificar. Façamos o seguinte experimento: quando tivermos algum conflito, comecemos a falar com muita suavidade; logo nosso interlocutor começará a se acalmar. A única coisa necessária é treinamento e prática. Essas orientações valem para o pensamento, a palavra e a ação. Se a pessoa não falar com amor, a outra rejeitará o que ela disser. Uma técnica simples e muito útil de aplicar nesses casos é a “terapia do sorriso”: consiste em estar sempre com um sorriso bem largo no rosto, não importa se for uma careta; é recomendável praticar todas as manhãs diante do espelho.
- Conquistar a confiança. O Mestre que conseguir conquistar a confiança dos discípulos terá dado um passo gigantesco no cumprimento de sua missão de ensino, bem como no desenvolvimento da harmonia nas relações. Os elementos que podem gerar confiança são, fundamentalmente, a compreensão e a paciência; além disso, o Mestre deve renunciar totalmente a repreender, criticar ou zombar de seus alunos, pois essas ações destroem a confiança, induzem à mentira e levam o discípulo a esconder e disfarçar seus próprios erros, problemas, dúvidas e deficiências. Portanto, tais procedimentos não têm nenhum valor pedagógico; a única coisa que um “Mestre” pode conseguir com esse sistema é se desorientar e sair do verdadeiro nível de harmonia e do estado de compreensão de seus discípulos. Nessas condições, é claro, ele fracassará em sua tarefa. A confiança surge quando o aluno sabe que sempre poderá encontrar em seu Mestre o amigo, o companheiro, o conselheiro carinhoso e compreensivo que se coloca no seu nível e compreende seus problemas, por mais simples que sejam; e que, além disso, está disposto a lhe oferecer todo o apoio que ele espera. Assim, o aluno jamais recorrerá a nenhuma outra pessoa, pois sabe que pode contar com a discrição de seu Mestre, que sempre escuta com serenidade, aconselha sem criticar, corrige sem repreender e ajuda sem humilhar. Como vimos no capítulo sobre a confiança, ela tem três níveis: que a pessoa seja confiável para si mesma — ou seja, que se valorize, que tenha paz, que fale bem consigo mesma —; que seja 100% respeitosa com os outros — isto é, sem agredir, invalidar ou tentar mudar o outro, apenas mostrando-lhe o caminho, dando-lhe as informações que ele não tem, apresentando opções e orientando-o com amor — e que as pessoas saibam que ela é confiável.
- Conquistar o amor. Quando os discípulos passam a amar seu Mestre, aceitam e compreendem seus ensinamentos com muito mais facilidade e sentem verdadeiro prazer em participar das reuniões pedagógicas. A relação de amor surge como resultado da sabedoria, do respeito, da confiança e da capacidade do Mestre, que se interessa por outros aspectos da vida pessoal de seus alunos e está sempre disposto a ajudá-los a resolver qualquer problema que surja, mesmo que não tenha relação direta com os temas geralmente ensinados. Esses detalhes contribuem de maneira eficaz para o sucesso do Mestre na orientação de seus discípulos. O amor não surge espontaneamente, mas precisa ser conquistado, e está associado ao respeito e à confiança. Quando aceitamos alguém como é e estamos dispostos a servi-lo 100%, a expressão do amor se concretiza. E, quando já tivermos feito isso, a outra pessoa poderá nos amar, pois seremos, para ela, a melhor opção.
- Conquistar o respeito. A severidade e a rigidez talvez consigam gerar medo nos alunos, mas o respeito verdadeiro e positivo só pode ser alcançado por meio do próprio respeito. Assim, é importante que o Mestre jamais perca a autoridade, entendida como saber ensinar e saber o que se ensina. Para isso, é necessário desenvolver a capacidade de manter sempre uma compostura impecável, acompanhada de um comportamento tranquilo, excelentes maneiras, ótima comunicação, serenidade e paciência diante dos erros dos discípulos. Também é imprescindível ser muito firme com os acordos estabelecidos, dando sempre exemplo de gentileza e pontualidade. Tudo isso desperta a admiração dos discípulos, e o comportamento é, por si só, um grande ensinamento, do qual surge o respeito, tão necessário para manter a harmonia no processo das relações pedagógicas. Se formos pessoas autoritárias, imporemos nossa autoridade aos outros, mas, quando esperarmos respeito, precisaremos conquistá-lo com o exemplo, para que os outros passem a ter uma ferramenta tanto de respeito quanto de orientação. Para podermos ensinar, primeiro precisamos aprender e desenvolver nossas virtudes internas.
Conclusões
Para alcançar a abundância, é preciso levar em conta as seguintes diretrizes:
- Trabalhar em nós mesmos. Dessa forma, entraremos em sintonia com ela. O que se faz externamente é um reflexo do que se está fazendo dentro de nós mesmos. A abundância é um estado interno.
- Limpar a mente de ideias preconcebidas. Ou seja, não estabelecer metas, apenas propósitos.
- Ser generoso, não querer tudo só para si.
- Agradecer por algo antes de tê-lo.
- Soltar o controle das pequenas coisas e se concentrar no que é importante.
- A raiz dos conflitos está sempre relacionada ao nosso nível de consciência e de compreensão da vida.
- Se desempenharmos a função que nos cabe com 100% de nossas capacidades e de nossa energia, teremos abundância.
- O sucesso, o crescimento e a abundância começam no final da nossa zona de conforto.
- Ao desempenhar uma função, é preciso se concentrar no processo, sem querer controlar o resultado.
- Aproveitar tudo o que se faz; isso renovará todos os recursos.
- Não impor condições nem restrições à própria capacidade de servir.
- Não é mais rico quem mais tem, mas quem menos precisa. Não se deve acreditar em nada, não se deve dar nada por certo nem por feito; é preciso praticar e verificar na própria vida se essa informação funciona e produz resultados satisfatórios. Com essa informação, temos três alternativas de ação:
- Guardá-la em nossa biblioteca.
- Levá-la conosco e ensiná-la a todo mundo.
- Fazer da informação parte de nós mesmos, de modo que se transforme em nossa maneira de agir. Somente nesse último caso obteremos resultados satisfatórios.
Exercícios de treinamento
Exercício para praticar três jogos em situações concretas da sua vida
- Quem cede, ganha. Consiste em agradar a outra pessoa por compreensão do Amor, não por resignação. Jogar o jogo do serviço cria o hábito da prosperidade. Renunciar a ter razão.
- Renunciar a reclamar (aproveito tudo o que faço).
- Quando alguém disser uma frase negativa, substituí-la e dizê-la de forma positiva.
Exercício para desenvolver os valores ou qualidades da abundância em
sua vida diária: confiança, compromisso, lealdade, disposição para servir, respeito, abertura para aprender e valorização.
Exercício para renovar seu campo mental com informação de Amor (na
situação concreta que você escolher a cada dia).
Sinta como você pensa, e não pense como você sente. Lembre-se: “Penso o melhor, digo o adequado e faço o necessário”.
Repita com frequência as seguintes frases
“Sou capaz de dar o melhor de mim em qualquer circunstância.”
“Estou totalmente aberto e disposto a receber a abundância do Universo e todas as coisas maravilhosas que a vida tem para mim.”
“Sou felicidade, paz e amor.”
Se você sempre fizer a mesma coisa com a mesma atitude, sempre obterá os mesmos resultados. Portanto, mude a informação, mude a atitude e seus resultados mudarão.
O propósito é passar do medo para a curiosidade e, da curiosidade, para a compreensão e a felicidade.
